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Correio Braziliense

Depois da experiência com talk show, Fábio Porchat repensa formato na tevê

Depois de dois anos e meio à frente de um talk show, Fábio Porchat estreia novo programa em que se inspira no que ele diz ser o melhor do formato: os relatos das pessoas


postado em 05/08/2019 06:35 / atualizado em 05/08/2019 10:51

O relato das pessoas, em talk shows, é a fonte de interesse de Porchat(foto: Juliana Coutinho / Divulgação)
O relato das pessoas, em talk shows, é a fonte de interesse de Porchat (foto: Juliana Coutinho / Divulgação)

 

Boas histórias. É isso que o apresentador Fábio Porchat acredita ser o que há de mais precioso nos programas de talk show. A conclusão do carioca veio após uma inquietação sobre o cansaço que vinha sentido em relação ao formato após dois anos e meio à frente do Programa do Porchat. 

 

“Quando eu terminei meu talk show lá na Record, eu estava pensando no que queria fazer: ‘será que eu quero fazer um outro talk show?’ E comecei a pensar por que estava com uma certa preguiça de fazer talk show e notei que, no fundo, a melhor parte é quando o convidado está contando uma história. Me questionei: ‘e se eu fizer um programa só com o filé mignon, só com as histórias?’”, conta em entrevista ao Correio.

 

Dessa indagação, o humorista chegou ao conceito do programa Que história é essa, Porchat?, que estreia amanhã, a partir das 22h30, no canal GNT. Sem nenhuma outra atração como modelo, como se costuma acontecer em programas voltados para o gênero do talk show — que é bastante famoso em países como os Estados Unidos —, Fábio Porchat montou o próprio formato. “Foi o que veio na minha cabeça. É claro que eu assisti coisas para me inspirar. Mas é um formato meu”, explica.

 

Na atração, o ator recebe três convidados para um bate-papo com presença e participação da plateia em um cenário intimista em 360 graus. “Partiu desse princípio (de que as histórias são a melhor parte de um talk show) e com uma sensação minha de que está todo mundo querendo lacrar nas redes sociais, nos programas de tevê, nas entrevistas... Está todo mundo querendo dar uma opinião e estou sentindo que o público, de um modo geral, está um pouco cansado de ouvir o tempo todo de política e de coisas difíceis. Lógico que tem que falar sobre e tem muito programa que fala sobre isso, o que me fez não querer ser mais um programa. Às vezes, o público precisa dar uma respirada”, completa sobre o conceito da nova atração.

 

Com exibição semanal, a cada episódio Porchat recebe os convidados e plateia sem um assunto aparente, que vem meio que na improvisação. “Não tem tema nenhum. Cada um, pega a melhor história que tem para contar e conta no meu programa. Não tem preparação, não tem nada. Sento em roda com os famosos e anônimos e cada um conta uma história boa”, afirma. Entre os nomes anunciados estão Fátima Bernardes, Chay Suede, Dani Calabresa, Alex Escobar, Regina Casé, Ingrid Guimarães, Claudia Raia, Zeca Camargo, Gloria Maria e Lucio Mauro Filho. “Claudia Raia contou de uma experiência que teve no Xingu. A Dani Calabresa contou da primeira experiência dela nua na televisão que, por acaso, foi comigo. O Chay Suede contou sobre quando ele trabalhava de alienígena na Casa do Terror. Cada um conta uma história que saiba contar bem, que tenha um interesse genuíno e também os anônimos. Não só pessoas que levo para o programa que têm histórias boas, como tem as histórias que surgem na hora”, completa.

 

Após um período de certa de dificuldade para escolher convidados para o Programa do Porchat devido ao fato dos atores globais não terem carta aberta para participações na Record, o apresentador vive uma fase bem mais fácil para os participantes da nova atração: “Algumas pessoas eu exigi, como Lucio Mauro Filho. Ele tem histórias excelentes e sabe contar bem. Dani Calabresa eu falei: ‘eu quero, ela tem que estar aqui’. Gloria Maria é outra que eu falei: ‘vai vir’. Algumas pessoas eu sabia que eu queria que estivessem. Outras o canal sugeriu. Depois a gente vai pensando em quem podia vir. O legal agora é que se abre um leque de eu poder convidar o elenco da Globo e da Globosat, o que ajuda muito de ter gente interessante e inédita”.

 

Projetos

 

Ao mesmo tempo em que estreia com Que história é essa, Porchat?, o ator tem mais alguns outros projetos. Ele continua semanalmente às segundas no comando do Papo de segunda, também do canal GNT, ao lado de João Vicente de Castro, Emicida e Francisco Bosco. Experiência que Fábio Porchat diz ter lhe trazido muitos aprendizados. “Acho que me colocou num outro lugar de opinião, de escuta também. Comandar um programa ao vivo é um outro desafio, ainda mais quando você está no meio do Francisco Bosco ou Emicida, que têm experiências de vida e histórias muito interessantes. São pessoas que têm muito fundamento. 

 

Lógico que eu conhecia o João. Sou amigo dele. Já tinha intimidade. A gente ali está muito parceiro. Mas é um programa em que eu estou aprendendo muito. Mais do que dar a minha opinião. Eu aprendo muito com a opinião que eu ouço dos meus amigos”, revela.

 

Além disso, Porchat está na série Homens?, do Comedy Central Brasil, que protagoniza e é o criador. Com oito episódios, a comédia retrata a história de quatro amigos mostrando os dilemas do quarteto em mundo machista. A ideia do seriado veio das vivências de Porchat, que, recentemente, em entrevista ao Conversa com Bial, admitiu ter sido um adolescente machista, homofóbico e racista, como contou ao Correio ao ser questionado. “Total e também de uma percepção minha de que a gente fala muito de machismo e, como logicamente as mulheres são as maiores prejudicadas com isso, mas não são as únicas. Os homens também são. Se os homens se derem conta de que o machismo é ruim para eles, talvez eles consigam lutar com mais afinco, de braços dados com as mulheres. O machismo é isso. A lógica é mil vezes pior para mulher, mas para o homem também é ruim. O homem não poder chorar, não poder falar de sentimento, não poder demonstrar sentimento, ter que ser machão o tempo todo, isso é o tipo de coisa que atrapalha muito a evolução como pessoa, como ser humano”, classifica.

 

A partir de 17 de agosto, Porchat ainda poderá ser visto em outra atração. É o especial A Guiana sumiu, que irá ao ar no canal do Portal dos Fundos, do qual o humorista faz parte desde a criação. “Estou fazendo bastante coisa mesmo e ainda tem mais. É um especial, quase musical, que eu faço como ator e que escrevi também. Canto, danço, obviamente, é uma comédia. Eu faço o presidente americano e um belo dia o país Guiana some, desaparece e ninguém sabe o que aconteceu. Os outros países começam a desaparecer também”, adianta.

 

Já não bastasse tudo isso, o carioca tem duas dublagens no currículo, que serão lançadas em breve, nas animações Angry birds 2, prevista para estrear no Brasil em 3 de outubro, e Frozen 2, com lançamento em 2 de janeiro de 2020. “É dificílimo (dublar), dá uma dor na alma, tem que ter uma técnica muito grande. Eu não sou dublador, estou ali de licença. E é muito intenso. Você fica o dia inteiro ali. Tem que fazer a voz encaixar na boca do desenho animado, você faz frase por frase, é superdifícil. Eu valorizo muito o trabalho dos dubladores”, acrescenta.

 

 

» Três perguntas / Fábio Porchat

 

Você acha que a experiência no Programa do Porchat, no Papo de Segunda e no Porta Afora lhe prepararam para o Que história é essa, Porchat?

 

Totalmente! Sinto que os dois anos e meio do Programa do Porchat foram uma faculdade, de lidar com programa diário, com câmera, com estúdio, com convidados, com plateia. Foi uma preparação muito grande. Esse é um programa semanal, então também tem uma ajuda. Não é uma coisa tão massacrante, apesar de três convidados por programa. Tem que correr atrás. Mas acho que tudo é experiência e eu vou agregando as experiências todas.

 

Você também aproveita para contar as suas histórias no programa?

 

Conto histórias minhas, sim. Conto, converso, falo bastante. Vão surgindo histórias na hora. As pessoas vão contando e pensando: “Ah, aconteceu comigo”. Tem um pouco essa coisa de estar atento a tudo que está ali, com o ouvido bem treinado. É um programa muito de escuta, de ouvir e de prestar atenção nas histórias para fazer as intervenções bem-humoradas que eu faço e também estar aberto a novas histórias que surjam na hora.

 

Com tantas experiências ainda tem algo que você gostaria de fazer?

 

Rádio, nunca fiz e tenho vontade. Ainda tenho muita ideia na minha cabeça para botar no papel, mesmo de séries, de filmes. Mas rádio é uma coisa que nunca fiz e ficaria muito feliz de fazer. 

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