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Correio Braziliense

Mostra no CCBB exalta obras da arte popular alagoana

Exposição 'Imaginário fantástico de Alagoas' inaugura nesta quinta-feira no Espaço Mão Brasileira, no Centro Cultural Banco do Brasil


postado em 08/08/2019 06:15 / atualizado em 08/08/2019 07:30

Exposição 'Imaginário fantástico de Alagoas'(foto: Luiz Fernando/Divulgação)
Exposição 'Imaginário fantástico de Alagoas' (foto: Luiz Fernando/Divulgação)
Incentivar as diversas manifestações tradicionais de cada região do país reacende a chama da força cultural brasileira. Esse é o foco do Espaço Mão Brasileira, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), que inaugura hoje a exposição Imaginário fantástico de Alagoas. Exaltando a arte popular do estado, a exposição apresenta ao público diversas obras desenvolvidas por artistas naturais de Alagoas e diversos coletivos.

Luiz Fernando Pontes, curador do espaço e da exposição, aponta que a escolha pelo estado, que nos agraciou com notáveis talentos como Graciliano Ramos e Djavan, foi por ele ser uma fonte que nos contempla com originalidade. “Alagoas tem se mostrado um verdadeiro celeiro, é um tesouro em termos de criatividade na arte popular”.

Com um acervo variado, as obras vão desde a cerâmica/barro até esculturas de madeira. “Apresentamos também trabalhos artesanais como o bordado e a renda. São obras de tamanha riqueza que não tem como falar sobre, só vendo e tendo contato”, diz o curador.

A exposição marca a celebração do aniversário de um ano do Espaço Mão Brasileira, cuja missão é valorizar o patrimônio cultural e as raízes do nosso povo. “Eu estudo a cultura popular há mais de 30 anos, desde a década de 1980, e senti que na capital faltava um lugar que tivesse um olhar específico para essa arte tão querida, um espaço para estudar e valorizar a arte popular”, conta Luiz.

No dia inaugural, com a comemoração de um ano do espaço, também terá apresentação do consagrado Mestre Zé do Pife com a banda O Som do Cerrado, trazendo o tradicional instrumento nordestino. E haverá recital e venda de cordéis com o jovem cordelista Davi Mello, que ingressou recentemente no universo da cultura popular. “Minha vivência cultural iniciou em 2012, com vários grupos da cidade como dos mamulengueiros e batuqueiros. Vejo-me ainda no lugar de aprendiz; estou sempre aprendendo com eles”, lembra o artista. “Comecei em 2014 a escrever para mim, mas quando estive em Juazeiro do Norte, no Ceará, conheci o cordelista Ernane Tavares e fizemos um cordel juntos. Então, tomei coragem e, há dois anos, comecei a publicar”.

Reduto


As referências de Davi Mello são os cordelistas Joaquim da Nóbrega e Donzílio Luiz, mestres aqui na capital federal. Davi vê Brasília como um reduto no país que abriga a todos. “O Distrito Federal é um caldeirão do país, tem gente do Brasil todo. E os que vieram para cá, trouxeram muitas tradições”, salienta.

Parte da nova geração que está surgindo, o cordelista e muitos outros estão dando sequência aos ensinamentos dos grandes mestres da cultura popular. “Vejo que estamos assumindo as tradições, tem vários grupos novos de mamulengo fazendo a brincadeira, de maracatu, cordel. Estamos botando para frente, fazendo esse ciclo girar. Ainda somos aprendizes, mas estamos entendendo nossa importância”, finaliza Davi Mello.

Após a exposição Imaginário fantástico de Alagoas, que fica em cartaz até 8 de setembro, o Espaço Mão Brasileira dará lugar à mostra Do barro viemos, com obras de coletivos de todo o Brasil que trabalham utilizando a matéria-prima.

Artistas
Aberaldo, Adriana de Capela, Antônio de Dedé e família, Boró, Clemilton, Fernando Vieira, Geraldo Dantas, Irinéia, Jasson, Leno, Leonilson, Manoel da Marinheira e família, Nena, Petrônio, Savinho, Sil, Valmir, Vavan, Vieira, Vicente Ferreira, Zé Crente, Zezinho de Arapiraca e Zulmira Dantas
 

Imaginário fantástico de Alagoas
Espaço Mão Brasileira, no CCBB (SCES, Tc. 2). Inauguração hoje, às 19h. Em cartaz até o dia 8 de setembro com visitação de terça a domingo, das 9h às 21h. Entrada franca. Classificação indicativa livre. 
 
*Estagiário sob a supervisão de José Carlos Vieira
 
 
 
 
 
 

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