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Correio Braziliense

Hoje tem Mercado da Luz, Feira do Livro de Fotografia de Brasília

Fotógrafos da cidade promovem primeira feira do livro de fotografia este fim de semana


postado em 17/08/2019 06:33

Em Açúcar Bruto, Paula Simas retratou a realidade dos trabalhadores da cana-de-açúcar(foto: Arquivo Pessoal)
Em Açúcar Bruto, Paula Simas retratou a realidade dos trabalhadores da cana-de-açúcar (foto: Arquivo Pessoal)
 
“Dizem que o ser humano tem que plantar uma árvore, ter filhos e escrever um livro. Já plantei muitas árvores, tenho filhos e decidi publicar os livros para democratizar a fotografia, levar até as pessoas que não têm tanto acesso e estimular a leitura”, comenta o fotógrafo Beto Barata. Neste fim de semana, ele e outros artistas da imagem participam da primeira edição do Mercado da Luz, Feira do Livro de Fotografia de Brasília, no CasaPark. Uma iniciativa promovida pelos próprios autores, que decidiram se reunir e compartilhar sua arte.

Entre registros coloridos, em preto e branco, de realidades submersas no Lago Paranoá ao triste relato de trabalhadores de plantações de cana-de-açúcar no Nordeste, o evento oferece ao público uma ampla variedade da produção fotográfica e editorial de alta qualidade. O Mercado da Luz valoriza a produção autoral, possibilita aos brasilienses o contato direto com os autores e com distintos processos criativos. Além dos livros com uma seleção de fotografias, haverá uma mostra com as obras dos profissionais participantes.

"A fotografia passou a ter um lugar muito importante no cotidiano das pessoas pelo interesse do amador, pelas redes sociais. As pessoas fotografam e também querem ver a fotografia dos outros. Isso é uma coisa que vai gerando uma rede de interesse imensa”, comenta a fotógrafa, e outra participante da feira, Paula Simas. Na década de 1990, Paula levou o seu olhar para a região da Zona da Mata e retratou, em Açúcar Bruto, a triste realidade dos trabalhadores da cana-de-açúcar. O trabalho infantil, os acidentes de trabalho, as doenças, a região. “Fiquei seis meses fotografando, entre Alagoas e Pernambuco. Tinha como referencial o poema Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto. Me chamou atenção a crueldade com que os usineiros tratavam os trabalhadores, me fez mal”, relembra a fotógrafa.

Como contraponto, o colorido do carnaval de Veneza é apresentado pelas lentes de Francisco Andrade em Cenas Venezianas, assim como o gingado brasileiro das peladas de futebol. “Costumava ouvir que Brasília não tem futebol, então, peguei carona na Copa do Mundo de 2014 e retratei craques anônimos, andei todo o ‘quadradinho’ atrás das peladas”, descreve Beto Barata. Apesar das diferentes formas de se expressar, todos foram picados pela emoção de congelar uma fração do tempo em formato de obra de arte.

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