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Correio Braziliense

Diego Bresani é os olhos e as mãos por trás de fotos das peças da cidade

A mais recente série de fotos leva o nome provisório de 'Cartografia do pedestre brasiliense' e mostra a cidade pelos olhos do fotógrafo


postado em 18/08/2019 06:02

(foto: Arthur Menescal/CB/D.A Press)
(foto: Arthur Menescal/CB/D.A Press)

Linhas, formas, texturas e cores. Mais do que retratar pessoas, paisagens e caminhos, as fotos eternizam instantes. Desde 1826, quando surgiu, até hoje, a tecnologia transformou o fazer artístico. Dos cheiros fortes da revelação à impressão digital, essa arte se renovou. Para o Dia Mundial da Fotografia, comemorado amanhã, o Correio buscou inspiração no trabalho de Diego Bresani, de 36 anos, que revela Brasília pelas lentes dos últimos trabalhos.

A mais recente série de fotos leva o nome provisório de Cartografia do pedestre brasiliense e mostra a cidade pelos olhos do fotógrafo. Ainda em fase de criação, Bresani registra os caminhos que os pedestres fazem no dia a dia. Para o artista, o resultado é um perfil da cidade. “Quem faz o caminho? São trabalhadores que não moram no Plano e vão rabiscando a cidade (com pegadas e rastros no chão). (O trabalho) lembra que a cidade é feita de pessoas”, pontua.

Bresani pega a contramão para desconstruir a técnica fotográfica. “Ela pode ser dominada em um mês, mas isso não é tudo”, acredita. Mais do que beleza ou curtidas nas mídias sociais, defende que as imagens carreguem significado e possam causar até estranhamento no público. Por isso, acredita numa fotografia que seja fruto “de ir a lugares que não se conhece e de correr risco de fracassar”.

Filho das artes, o fotógrafo aperfeiçoou o ofício em cima do palco, no qual também faz as vezes de diretor. Formado em artes cênicas pela Universidade de Brasília (UnB), trocou os holofotes pelos bastidores durante a graduação, quando também passou a fotografar espetáculos de amigos.

Conceito


Foi assim que começou a participar da criação de outros espetáculos. Para isso, o olhar artístico como fotógrafo foi fundamental. Bresani se reúne com a equipe para falar sobre a montagem da peça no que chama de “sessão de terapia”. “É a primeira vez que o artista (produtor e/ou diretor) diz para alguém sobre o que está criando”, explica o fotógrafo. A partir daí, a câmera dele entra em ação. A ideia não é chegar a um clique que represente fielmente a peça, mas a um conceito do que será visto no palco.

Para Bresani, o ano mais marcante da carreira foi 2014, quando retratou Sebastião Salgado, Jean Wyllys, Jair Bolsonaro, Ellen Oléria e Erasmo Carlos. No entanto, foi também o período de maior pressão: entrou em crise de depressão e deixou de ver sentido no trabalho. Por isso, resolveu tirar um ano sabático: vendeu carro, equipamentos, móveis e foi morar na França. “Eu estava tentando reencontrar minha relação com a fotografia”, revela ele, que fotografa desde 1999, por influência da mãe.

*Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira

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