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Correio Braziliense

Espetáculos do Cena Contemporânea mostram a multiplicidade nordestina

Dois espetáculos trazem discussões e aspectos da cultura nordestina: 'A invenção do Nordeste' e 'A sambada do Boi de Chuva no terreiro do mundo'


postado em 24/08/2019 06:15

Dirigida por uma mulher, 'A invenção do Nordeste' parte de uma reflexão sobre uma visão do nordeste brasileiro(foto: Jose Tellys Fagundes/Divulgação)
Dirigida por uma mulher, 'A invenção do Nordeste' parte de uma reflexão sobre uma visão do nordeste brasileiro (foto: Jose Tellys Fagundes/Divulgação)


Se comparado com outras regiões brasileiras, o Nordeste tem a segunda maior população e o terceiro maior território. Ao todo, nove estados espalham diversidade cultural e artística. Apesar do calor que une as diferenças, cada um tem suas particularidades. Debaixo os holofotes da 20ª edição do Cena Contemporânea, dois espetáculos trazem discussões e aspectos da cultura nordestina: A invenção do Nordeste, do Grupo Carmin, vindo do Rio Grande do Norte, e A sambada do Boi de Chuva no terreiro do mundo, da companhia brasiliense La no Meio do Céu. 

Dirigida pela atriz Quitéria Kelly, A invenção do Nordeste parte de uma reflexão sobre o que é ser nordestino, quem é ou representa o nordestino. “A proposta desta primeira direção da Quitéria surgiu em 2014, quando da reeleição de Dilma Rousseff, com aqueles vários ataques aos nordestinos, da mesma forma como se repetiu agora. Aquilo nos chocou muito. Pensávamos que era algo superado, mas se provou o contrário”, relembra o ator e dramaturgo Henrique Fontes. 

A encenação, inspirada na obra homônima de Durval Muniz de Albuquerque Jr., investiga os mecanismos estéticos, históricos e culturais que contribuíram para a concepção de uma visão do nordeste brasileiro. “As artes tiveram um papel fundamental na construção dessa identidade fake. A literatura, o cinema, as artes plásticas e o teatro criaram um tipo nordestino e uma região que não corresponde, necessariamente, à realidade”, pondera Fontes. A peça, uma autoficção com humor, conta a história de dois atores que foram selecionados para viver personagens nordestinos e, mesmo já sendo, precisam provar que podem interpretar aquele personagem. “O nordeste como conhecemos é uma invenção. É tentar achar que uma região com nove estados tem a mesma identidade, a mesma cara, o mesmo código estético, político e geográfico”, acrescenta o dramaturgo. 

Da mesma forma que o festival foi um marco na trajetória do Grupo Carmin, inserindo-o na circulação do teatro nacional, a companhia brasiliense La no Meio do Céu apresenta para a capital sua primeira montagem. A sambada do Boi de Chuva no terreiro do mundo buscou no folguedo popular e na história do Cavalo Marinho de Pernambuco as inspirações necessárias. Por meio do teatro de bonecos e da teatralidade dos espetáculos populares, a peça infanto-juvenil aborda questões ligadas ao meio ambiente, aos problemas ambientais e à responsabilidade de cada cidadão.
 
Augusto Coelho/Divulgação(foto: Pela primeira vez no Cena, a Cia La no Meio do Céu apresenta 'A sambada do Boi de Chuva no terreiro do mundo')
Augusto Coelho/Divulgação (foto: Pela primeira vez no Cena, a Cia La no Meio do Céu apresenta 'A sambada do Boi de Chuva no terreiro do mundo')
 

“Sou de Pernambuco e escrevi esse texto quando morava lá. Minha formação era de brincante, participava dos folguedos, é a minha vivência. Quando vim para Brasília, encontrei pessoas que compartilhavam dessa experiência. E acho que a cultura popular aborda temas muito intrínsecos não só da realidade social como da existência”, detalha a diretora Karla Juliana Kaju. Em cena, marionetes híbridas e trilha sonora ao vivo embalam a história de uma festa que, para acontecer, precisa da cooperação de vários personagens para limpar o terreiro. “Alguns chegam para atrapalhar, fazendo uma alusão aos problemas ambientais. Outros aparecem como uma solução”, completa Kaju. 
    
A invenção do Nordeste
Direção de Quitéria Kelly. Com Henrique Fontes, Mateus Cardoso e Robson Medeiros. Hoje e amanhã, às 20h, no Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil.Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia).  

A sambada do Boi de Chuva no terreiro do mundo  
Da Cia La no Meio do Céu. Com Fernando Cheflera, Joaley Almeida, João Calmoni, Karla Juliana Kaju e Rayla Costa. Hoje, às 20h, e domingo, às 19h, no Teatro Galpão do Espaço Cultural Renato Russo. Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia). 

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