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Correio Braziliense

Orquestra Tabajara celebra 75 anos em bailes no Iate e na AABB

Clássicos estão no repertório da orquestra criada nos anos 1930 e sucesso até hoje


postado em 29/08/2019 06:30 / atualizado em 28/08/2019 18:41

A Orquestra Tabajara animou a era de ouro do rádio e sobreviveu às transformações da história (foto: Arquivo Pessoal)
A Orquestra Tabajara animou a era de ouro do rádio e sobreviveu às transformações da história (foto: Arquivo Pessoal)

Tudo começou na Rádio Tabajara, criada por Assis Chateaubriand em João Pessoa na década de 1930. Uma das atrações da emissora dos Diários Associadas era a orquestra, que tinha como um dos integrantes o saxofonista Severino Araújo. O talento exibido pelo músico logo o levou a ser escolhido para reger o grupo.

A orquestra, com o nome de Jazz Tabajara, se tornou conhecida nacionalmente por acompanhar famosos cantores e cantoras da era de ouro do rádio, como Francisco Alves, Orlando Silva, Carlos Galhardo, Jorge Goulart, Emilinha, Marlene e as irmãs Dircinha e Linda Batista. Nos anos 1940, em excursão pelo Nordeste, iam com alguma frequência à capital paraibana para fazer shows.

Por conta disso, Severino, responsável também pelos arranjos das músicas interpretadas por esses artistas, foi convidado por Chateaubriand para integrar o elenco da Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, onde chegou em 1944. Lá, criou a Orquestra Tabajara, que estreou um ano depois, entrando para a história da música popular brasileira. Ao longo da carreira, lançou 18 discos e, entre as músicas de autoria do maestro, a de maior sucesso é o choro Espinha de bacalhau.

Com passagem por Brasília em várias oportunidades, a Tabajara está de volta à capital, quando celebra – impressionantes – 75 anos de trajetória artística, agora sob a batuta do maestro Francisco Araújo, filho do lendário Severino Araújo. Convidado do projeto Venha Dançar, iniciativa do produtor cultural Dilmar Mattos, o grupo, neste fim de semana, anima dois bailes em clima de anos dourados: o primeiro amanhã, na AABB; e o outro sábado, no Iate Clube. Ambos têm início às 21h.

 

 

Orquestra Tabajara

 

Apresentação com conjunto pelo projeto Venha Dançar, amanhã, às 21h, na AABB (Setor de Clubes Sul) e sábado no AABB (Setor de Clubes Norte) e sábado, no Iate Clube (Setor de Clubes Norte), no mesmo horário. Ingressos a para o baile de amanhã estão à venda na AABB e no Hotel Nacional (Setor Hoteleiro Sul), aos preços de R$ 80 (associados) e R$ 110 (não sócios). Para o baile no Iate Clube, os ingressos já estão esgotados. Não recomendado para menores de 18 anos.

 

 

Entrevista// Francisco Araújo

 

Quando a Orquestra Tabajara entrou na sua vida?

Eu era criança quando meu pai veio morar no Rio de Janeiro. A minha mãe havia morrido e passei a morar com uma tia, em João Pessoa. Aos 15 anos, vim ao encontro dele. À época, ele já havia deixado a Rádio Tupi. Quando formou a orquestra no Rio, deu o nome de Tabajara para homenagear a rádio onde iniciou a carreira musical. Aos 18 anos, como baterista, passei a integrar a orquestra, que além de fazer muitos bailes, participava de programas nas rádios Nacional, Mayrink Veiga e na TV Rio.

 

Lembra de músicos famosos que tocaram na orquestra? 

Posso citar, entre outros, Ed Maciel, Norato, Paulo Moura e K-Ximbinho. Jamelão e Elizeth Cardoso, por exemplo, foram crooners. Como nos apresentávamos em locais como Teatro Municipal, Hotel Glória e fazíamos excursões pelo Brasil e exterior, muitos cantores queriam ser crooner da orquestra. Nos apresentamos em Paris, Madri, Lisboa, Buenos Aires e Montevidéu.

 

O maestro Severino Araújo ficou à frente da Tabajara até quando?

Quando ele morreu, em 2012, com 95 anos, já estava há seis afastado da orquestra. Havia sido substituído por meu tio Jayme Araújo. Meu pai dedicou a maior parte de sua vida à Tabajara e inscreveu seu nome na história da música popular brasileira, como um grande músico, arranjador e maestro.

 

O senhor assumiu a batuta em que ano?

A orquestra chegou a parar por um tempo. Mas, aí, em 2017, já sob a minha batuta, retomou as atividades, com uma formação que inclui 17 músicos e três crooners. O retorno foi em grande estilo. Tocamos para milhares de pessoas no réveillon de Copacabana. Daí em diante, temos mantido uma boa agenda de apresentações.

 

Que músicas não podem faltar num baile animado pela Tabajara?

Abrimos os bailes sempre com Moonlight serenade, de Glenn Miller. Nunca deixamos de tocar clássicos da música popular brasileira como Aquarela do Brasil, Anos dourados e Garota de Ipanema, além de Besame Mucho, New York, New York e, claro, o choro Espinha de bacalhau, do maestro Severino Vieira.

 

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