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Correio Braziliense

Obras homenageiam a diversidade e riqueza do cerrado

Hoje, dia 11 de setembro, se celebra o Dia do Cerrado


postado em 11/09/2019 07:00

(foto: Davi Mello/Divulgação)
(foto: Davi Mello/Divulgação)

“Os bichos e vegetais/ Querendo retribuir/ Fizeram reunião/ Para poder decidir/ A homenagem que fariam/ E como agradeceriam/ Algo belo a construir.” Com rimas, ritmos e métricas típicas da literatura popular em verso, o cordelista brasiliense Davi Mello cria um imaginário fantástico no qual apresenta a diversidade do bioma cerrado. Na obra A festa dos encantos do cerrado, plantas e animais se unem para celebrar a riqueza que é mãe e força da natureza, que oferece fartura, encanto e beleza. O pequizeiro é responsável pela cozinha da festa, ipês e caliandras se encarregam da decoração, o saruê e a cigarra comandam a música.

A partir dessa rica inspiração, Davi lança seu 4º cordel na data em que se celebra o Dia do Cerrado, 11 de setembro. O primeiro lançamento ocorre hoje no Forró do B, no Conic, e, amanhã, o cordelista apresenta seu trabalho durante o IX Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, evento que será realizado na Funarte. “Vejo toda a natureza como mágica! E com o cerrado não é diferente. Desde criança, me encanto com tudo nele, com seus bichos, plantas, com a abundância de água e, ao mesmo tempo, com sua seca. Tudo é beleza no cerrado. E a diversidade das tradições populares também, como as folias, que são bem marcantes, e que procurei integrar no cordel”, conta o cordelista.

De maneira lúdica, Davi passeia pelo universo cerratense e ilustra características da fauna e da flora, além de questões populares e espirituais. Com uma leitura rápida e envolvente, o cordelista também toca na necessidade de cuidado e preservação do cerrado. “Acredito que com as manifestações da nossa cultura popular conseguimos falar de vários temas de uma maneira encantada, divertida, que toca a alma das pessoas. Essa é a essência de muitas de nossas tradições, nas quais as histórias são contadas não de forma concreta, mas, sim, pelo subjetividade, o que nos encanta e se aprofunda no nosso ser”, avalia.



Para ele, é importante saber e reconhecer a força e os encantos da natureza. Só assim, será possível criar uma relação positiva com o meio ambiente. “Temos muito o que aprender com o cerrado e com toda a diversidade da natureza, que é fonte de vida, sabedoria e tudo mais que precisamos. Nós fazemos parte dela e ela de nós. Com o cordel faço um trabalho de formiguinha, que parece pequeno, mas que, aos poucos, constrói uma grande comunidade”, finaliza.

Assim como o universo fantástico de Davi, o artista plástico goiano decidiu homenagear o cerrado e presentear Brasília, hoje, com uma projeção na cúpula do Museu Nacional da República. O trabalho trará, em imagens, o ciclo do bioma, e elementos marcantes como a Lua, o fogo e a água. Esta não é a primeira vez que o artista traz para as suas obras elementos da natureza e, sobretudo, da região que conhece tão bem. Em 2012, a convite da então ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, Franco criou a videoinstalação sensorial Brasil cerrado, especialmente para a Conferência das Nações Unidas sobre Densenvolvimento Sustentável, a Rio+20.

“A minha relação com o cerrado começou quando ainda era garoto. Meu pai sempre foi ligado aos índios e às questões da natureza. Então, trabalhar com a questão ambiental foi algo muito natural para mim”, explica. O artista plástico já desenvolveu trabalhos sobre a Serra Pelada, pintou bichos do cerrado e chegou a usar a terra vermelha para as obras que tratam da tragédia do Césio 137. “Eu sou um cidadão. Todos nós temos obrigações com o planeta, a gente precisa dele. Eu fui educado assim”, acrescenta. Apesar de tocar em assuntos de interesse social e político, Franco não pensa no papel da arte em expor e discutir tais temáticas. “Me considero um aprendiz e tenho prazer no aprender, no experimentar. Meus trabalhos também são muito humanistas”, justifica.



Beleza cênica

Também para celebrar o Dia do Cerrado, considerado o berço das águas brasileiras, o movimento Pé no Parque retrata o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, vizinho a Cuiabá (MT), na nova temporada. Além do circuito de cachoeiras, como o cartão-postal Véu de Noiva, das águas cristalinas da nascente do Vale do Rio Claro e dos paredões rochosos milenares que emolduram a paisagem do local, a websérie apresenta personagens que vivem dessa riqueza e toda a comunidade envolvida em várias perspectivas.

Dirigidos pelo fotógrafo Marcio Isensee e Sá, os episódios visam encantar o público com as áreas protegidas e, uma vez sensibilizado, transformá-lo em agente de conservação. Marcio já conhecia a região, contudo, a imersão mudou completamente a relação que o profissional tinha com o cerrado. “A beleza cênica dos rios, das cachoeiras, os vários tipos de formação do cerrado, florestais, savânicas, campestres. A Chapada dos Guimarães, em específico, me encantou muito a questão da água. Ter noção da importância hídrica da região”, conta.

O fotógrafo também ressalta a importância do ambientalista Zé Guilherme, um dos entrevistados da websérie, e sua participação no processo de formação do parque. “A demanda pelo parque veio da sociedade civil vendo que o crescimento do desmatamento e da ocupação irregular estavam começando a pressionar. Acho que é muito importante trabalhar essas questões em um momento no qual a gente trabalha com muitas mentiras e desinformação de forma geral”, explica. 

O que começou como uma ferramenta de entretenimento, para estimular o turismo, tem ganhado cada vez mais ações. Sobretudo, envolvendo a educação ambiental. Para Marcio, o movimento Pé no Parque é um vetor de informação, de educação, de beleza cênica contrariando a maré de más notícias e políticas ambientalistas. “Ao trazer e mostrar esses espaços de conservação que são de todos é uma forma de atuar politicamente para que esses espaços sejam preservados. Queremos que as pessoas coloquem o pé no parque”, resume.  O trabalho é produzido por WikiParques e (o) eco, com patrocínio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Os episódios estarão disponíveis ao público no site do Pé no Parque e no canal do WikiParques no Youtube.



Encontro e Feira dos Povos do Cerrado
Realizado desde 2001, o Encontro e Feira dos Povos do Cerrado é um espaço de troca de experiências e articulações em defesa do bioma e dos seus povos. Este ano, em sua nona edição, o evento conta com oficinas temáticas, programação cultural e seminários. Ele é organizado pelo coletivo Rede Cerrado! e ocorre de hoje até sábado na Funarte. 



Estatísticas
De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe), as áreas de alerta de desmatamento do Cerrado somaram mais de 400 km² em março deste ano. Entre os estados com maior intensidade de áreas de alerta estão: Tocantins (23,5%), Mato Grosso (18,7%) e Goiás (14%).



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