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Correio Braziliense

Exposição Reintegração de Posse chega ao Museu Nacional da República

A mostra foi idealizada a partir de registros fotográficos pesquisados no Arquivo Público do DF, que datam de 1956 a 1998


postado em 11/09/2019 07:00

(foto: ArPDF/Fundo SCS)
(foto: ArPDF/Fundo SCS)

O Museu Nacional da República,  na zona central da capital federal, torna-se um lugar de ressignificação e resgate histórico até o fim do mês de setembro. A exposição fotográfica Reintegração de Posse surge com o ideal de ressaltar a importância da presença negra no Distrito Federal.

A mostra foi idealizada a partir de registros fotográficos pesquisados no Arquivo Público do DF, que datam de 1956 a 1998, por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB). O projeto busca acabar com narrativas racistas que são construídas acerca do espaço do negro e enaltecer a importância dessas pessoas, que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), compõem 57% da população do Distrito Federal.

“Trabalhamos com a chave dos estudos históricos da liberdade e do pós-abolição, sobretudo no que toca ao interesse pela reflexão sobre as trajetórias individuais e coletivas da gente negra e o enfrentamento ao racismo”, conta Ana Flávia Pinto, professora do departamento de História da UnB.

Além da contribuição de estudantes e docentes de história, a pesquisa — que surgiu no Campus da universidade — contou com representantes dos cursos de letras, arquitetura e urbanismo e comunicação social. A professora de história explica, ainda, que a luta pelas causas sociais surge a partir da conjuntura de vários saberes. “A abordagem interdisciplinar é fundamental, porque estamos lidando com um fenômeno complexo, com muitas camadas de narrativas.”

A importância das pessoas negras na capital federal na exposição ultrapassa as questões de feitos históricos marcantes e se faz presente no cotidiano popular. Imagens registradas trazem os negros realizando funções de extrema importância para a construção de uma pluralidade cultural e social. Para isso, buscam quebrar um estereótipo de relação com a palavra candangos, como se fosse a única função exercida por pessoas negras que viveram nas cidades daqui. Essa desconstrução crítica é realizada por meio das fotografias, de forma visual, mostrando a realidade.

Um dos pontos fortes da exposição são as fotos referentes à Operação Retorno, na qual os trabalhadores foram mandados de volta para a terra natal após o fim das obras para a construção da capital Brasília, na década de 1960. Alguns trabalhadores, entretanto, foram deixados em locais isolados do cerrado e acabaram por construir cidades como Taguatinga e Ceilândia. “Na exposição traçamos paralelo entre isso e o que aconteceu na África do Sul, dentro do Apartheid, mais ou menos na mesma época, em Joanesburgo e Cidade do Cabo”, explica Guilherme Lemos, historiador que participou da pesquisa.

O encontro e participação do público com a mostra será realizado tanto no Museu, com a visitação, quanto na UnB. Durante a Semana Universitária, os responsáveis pela pesquisa realizarão oficinas e palestras para apresentar o processo de seleção das fotografias e fazendo com que os visitantes colaborem na descrição de histórias que presenciaram e viveram.

*Estagiário sob supervisão de Severino Francisco.



Reintegração de Posse: Narrativas da Presença Negra na História do Distrito Federal
Museu Nacional da República (Conjunto Cultural da República). De 12 a 29 de setembro. Exposição com registro fotográficos contando a história dos negros no Distrito Federal. Entrada gratuita.



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