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Correio Braziliense

Livro 'Tudo sobre Anne' é uma introdução ao universo de Anne Frank

A obra foi produzido pelo museu Casa de Anne Frank e com ilustrações de Huck Scarry


postado em 16/09/2019 06:00 / atualizado em 18/09/2019 10:57

Livro editado pelo museu Casa de Anne Frank se baseou em perguntas das crianças para detalhar a vida (foto: Huck Scarry/Anne Frank House)
Livro editado pelo museu Casa de Anne Frank se baseou em perguntas das crianças para detalhar a vida (foto: Huck Scarry/Anne Frank House)
Publicado pela primeira vez há 72 anos e hoje com mais de 30 milhões de cópias vendidas em todo o mundo, o Diário de Anne Frank é fonte inesgotável de produtos que vão de HQs, livros e séries a peças de teatro e documentários. Agora, é a vez de responder às perguntas das crianças. Produzido pelo museu Casa de Anne Frank e com ilustrações de Huck Scarry, o livro Tudo sobre Anne leva a assinatura de Menno Metselaar e de Piet van Ledden, responsáveis pelo texto que destrincha o dia a dia da menina alemã no esconderijo no qual sobreviveu por dois anos antes de ser capturada pelos nazistas e morta em um campo de concentração.

O livro foi pensado como uma introdução ao universo de Anne com texto e ilustrações destinados a crianças a partir de 9 anos. A ideia de Metselaar é que seja um livro anterior ao diário. “Para muitas crianças, o Diário é um pouco difícil de ler, por isso fizemos esse livro”, explica. “Ele fala da história da Anne, dá informações sobre o contexto histórico e tenta responder As muitas questões que as crianças possam ter.” As perguntas foram coletadas na própria Casa de Anne Frank, em Amsterdam.

Transformado em museu, o prédio que abriga o anexo no qual a garota ficou escondida recebe hoje mais de um milhão de visitantes por ano e conta com um programa educacional que mergulha nos perigos da perseguição étnica e religiosa. 

Além de fotos, Tudo sobre Anne tem uma série de ilustrações  que ajudam o leitor a compreender a estrutura do local e o dia a dia de seus habitantes. Huck Scarry conta que se deparou com três grandes desafios ao se debruçar sobre as ilustrações. “Elas tinham que ser o mais historicamente corretas possíveis e eu queria tratar os personagens com respeito. Apesar da atmosfera claustrofóbica e limitada do conjunto, eu queria fazer ilustrações que fossem atraentes de serem vistas”, explica. “O que espero é que os leitores sejam transportados para a atmosfera densa do apartamento e que possam ter uma ideia do que Anne estava sentindo enquanto estava lá. Também tentei fazer um retrato de Anne como qualquer jovem de hoje.”

O livro tem início alguns anos antes da Segunda Guerra, quando Anne completa 10 anos. Entremeado à história da menina e de sua família, originariamente alemã, o autor contextualiza, em linguagem bem simples, os fatos que levaram o Partido Nacional-Socialistas dos Trabalhadores Alemães (NSDAP), comandado por Adolf Hitler, ao poder, e explica as regras impostas para discriminar a população judia alemã. Diante do perigo, Otto Frank decidiu emigrar com a mulher Edith e as filhas, Margot e Anne, para Amsterdam (Holanda).

A primeira parte de Tudo sobre Anne é concentrada nos anos que antecederam a decisão do pai da menina de levar a família para o esconderijo. Aos poucos, e com muitas fotos, Metselaar conta como a invasão da Holanda pelo exército alemão deteriorou a condição de vida dos judeus no país. A vida no que Anne chamava de Anexo Secreto é parte do livro, mas o texto avança sobre o que aconteceu com a menina depois que a família foi descoberta, as condições de vida nos campos de concentração de Auschwitz e Bergen-Belsen, nos quais Anne ficou detida, o fim da guerra e a decisão do pai, único sobrevivente, de publicar o diário.

Para aproximar o leitor do contexto, Scarry desenha Anne Frank de costas. Foi uma opção para criar a sensação de proximidade com a personagem, como se o observador estivesse no mesmo ambiente e olhasse ao redor com os olhos da menina. 

Três perguntas / Menno Metselaar


Qual a importância de falar sobre nazismo em uma época na qual ideias neonazistas retornam com força?

É nossa tarefa aprender com a história, com o que aconteceu durante o Holocausto e com a Segunda Guerra Mundial e inspirar as pessoas a agirem contra o antissemitismo, a discriminação e o preconceito. Otto Frank, o pai de Anne, disse: “Nós não podemos mudar o que aconteceu. A única coisa que podemos fazer é aprender com o passado e entender o que significam a discriminação e a perseguição das pessoas.”

Como a história de Anne Frank pode nos ajudar a compreender os dias de hoje?

O diário de Anne ainda inspira pessoas por todo o mundo. Por um lado, há o nível individual. Apesar de tudo, Anne descobriu seu talento e encontrou uma maneira de lidar com a terrível situação na qual se encontrava. Por outro lado, há um quadro maior. Anne era uma das 1,5 milhão de crianças judias assassinadas durante o Holocausto. Nós sempre temos que ser cuidadosos ao desenharmos paralelos fáceis entre aquela época e hoje, mas, tragicamente, vemos que os mesmos mecanismos ainda existem. Pessoas sendo executadas, políticos criando noções de “eles e nós”, e por aí vai...

Por que essa história tem tanto apelo até hoje?

O diário de Anne foi publicado em mais de 70 línguas e é famoso em todo o mundo. As descrições de Anne do tempo em que ficou escondida no Anexo Secreto, seu poder de observação e de autorreflexão, seu medo, suas esperanças e sonhos ainda causam uma profunda impressão em jovens leitores ao redor do mundo. Por meio do diário, as pessoas começam a aprender sobre a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto, e podem entender o que significa ser excluído e perseguido. Depois de todos esses anos, o diário de Anne ainda tem uma relevância contemporânea.

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