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Correio Braziliense

Após seis anos sem lançamentos, Armandinho aposta em disco acústico

No álbum, o gaúcho celebra o repertório de mais de 15 anos de carreira


postado em 16/09/2019 06:01

O novo álbum de Armandinho traz canções com roupagem acústica(foto: Edu Defferrari/Divulgação)
O novo álbum de Armandinho traz canções com roupagem acústica (foto: Edu Defferrari/Divulgação)
“Quando Deus te desenhou, ele tava namorando/ Na beira do amor” foi o verso que levou o gaúcho Armandinho a se tornar conhecido pelo Brasil inteiro. O trecho faz parte da música Desenho de Deus, lançada no disco Casinha, de 2004. Neste ano, a canção ganhou uma nova versão no álbum Armandinho acústico, em que o artista revisita o repertório de mais de 15 anos de carreira. A decisão por regravar os maiores sucessos da trajetória em formato acústico foi um caminho natural. “Existem três formatos de gravação: com banda e instrumentos elétricos; acústico, com banda completa só que os instrumentos desplugados; e o formato de trio, que vejo mais como um luau. Já tinha gravado elétrico, um luau e agora um acústico”, explica.

Gravado no Teatro Bourbon, em Porto Alegre, cidade natal do compositor, o álbum é formado por 23 músicas, que fazem um passeio pelos cinco discos lançados pelo artista: Armandinho (2002), Casinha (2004), Armandinho: Ao vivo (2006), Semente (2008), Armandinho — Vol. 5 (2009), Armandinho: Ao vivo em Buenos Aires (2012) e Sol loiro (2013). “Fiquei muito conhecido por Desenho de Deus e por dois ou três canções, como Folha de bananeira, pelo fato de morar no Sul e ser mais afastado do eixo Rio-São Paulo. Por ser um show no Sul, onde sou mais conhecido, é bem mais difícil fazer uma seleção de repertório, porque se eu tiro uma música ou outra, as pessoas reclamam. Então esse trabalho acústico foi um momento de buscar uma seleção bastante adequada”, classifica.

O repertório tem canções como Reggae das Tramandas, Eu juro, Ursinho de dormir, Pela cor do teu olho, Outra noite que se vai, Semente e O que meu pai falou pra mim. A única participação do disco é de Vitor Isensee, que compôs com Armandinho Eu sou do mar, música a qual faz um dueto com o gaúcho. O show que deu origem ao DVD teve direção de Paul Ralphes e Bruno Murtinho.

Turnê


Após o lançamento do DVD, que já está disponível em todas as plataformas digitais, Armandinho sairá em turnê pelo Brasil. A ideia é levar o show para teatros, algo que não costumava ser possível nos outros formatos de trabalho do artista. “Isso possibilita também um público mais velho, que é uma galera que quer me assistir, mas não ia mais a um grande festival. Esse é um show bom para teatro”, classifica.

Esse também será um momento de Armandinho voltar a circular pelo Brasil, algo que não vinha acontecendo com tanta frequência nos últimos anos. “O Brasil é muito grande. A gente não consegue atender todas as demandas ao mesmo tempo. Não consegue estar presente. Ainda mais eu que sou um artista independente, sem gravadora. Realmente fica difícil”, completa.

Brasília deve estar na agenda de Armandinho. “Estou voltando aos poucos e, com isso, os locais vão demonstrando o interesse. Hoje, eu sou casado com uma brasiliense. Minha proximidade com Brasília é bem maior, ela tem uma família que mora aí. Então, estamos mais próximos e Brasília pode me esperar, estive aí tocando em 2018”, lembra.

Sobre a música brasiliense, ele também diz se sentir próximo. “As bandas de Brasília mudaram a vida de muita gente. Legião Urbana e Cássia Eller são artistas que sou muito devoto. Sou muito agradecido ao que a cultura de Brasília deu para a música brasileira”, define.

Armandinho acústico (Ao vivo)
De Armandinho. Alba Produções Artísticas, 23 músicas. Disponível nas plataformas digitais.


» Três perguntas / Armandinho


Você é o padrinho musical do Vitor Kley. Como vocês se conheceram e formaram essa amizade?

Foi natural, porque somos surfistas e na praia todo mundo se relaciona entre todas as faixas etárias. O Vitor passou a fazer parte da minha vida, porque um amigo me falou dele e, um dia, veio cantando uma música dele. Pedi para trazê-lo. Vitor veio bem franguinho, bem pequeninho. Isso era 2012 eu estava gravando o Sol loiro. Ele assistiu à gravação inteira do meu trabalho e acho que aprendeu muito, sabe, por estar em contato com músicos experientes. O chamei para o Planeta Atlântida e ele passou a ficar bem conhecido.

Com essa proximidade musical, vocês pretende gravar juntos?

Acho que isso vai acontecer num momento em que ele estiver mais tranquilo. Ele não tem mais tempo como tinha antes. Estou aguardando o momento que vamos poder nos encontrar. Mas pode ter certeza de que vamos gravar algo para arrebentar.


Como você vê hoje o cenário do reggae no Brasil?

Acho que a internet fez com que todo mundo passasse a pensar da mesma forma, criou-se uma união de estilos. Está tudo meio misturado. O reggae e o rock acabaram perdendo um pouco de espaço. O reggae ficou muito taxado como música de maconheiro, o, aliás, é uma bobagem. Mas, mesmo assim, é um gênero que tem um público fiel. Por exemplo, no meu próximo trabalho, quero fazer algo mais enraizado. Mostrar que estou voltando mais para a raiz.

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