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Correio Braziliense

Música eletrônica conquista cada vez mais espaços no Setor Comercial Sul

Com uma gama grande de sonoridades, o techno, nascido no Estados Unidos, tem conquistado os brasilienses


postado em 17/09/2019 06:10 / atualizado em 16/09/2019 20:09

A sintra FM tem média de público de 1.000 a 1.200 pessoas no Setor Comercial Sul(foto: Lucas Las-casas/Divulgação)
A sintra FM tem média de público de 1.000 a 1.200 pessoas no Setor Comercial Sul (foto: Lucas Las-casas/Divulgação)

Vertente da música eletrônica que surgiu em Detroit, nos Estados Unidos, o techno ganha a cada dia, ou melhor, a cada festa, mais adeptos em Brasília. “O techno possui uma gama grande de sonoridades, que em poucas palavras não poderia ser entendido. É preciso estar na frente de uma caixa de som estudando enquanto dança, para conseguir diferenciar todas as nuances dos estilos musicais eletrônicos que confundem até quem é do meio”, conta a produtora da festa Só na maldade (SNM), que também é um coletivo, Fernanda Assunção.

Além da SNM, outros eventos do estilo como Vapo_r e sintra FM revezam o mesmo local, o Setor Comercial Sul (SCS), criando uma agenda cultural para amantes da música eletrônica no Distrito Federal. “Nosso público-alvo é todo corpo que deseja se divertir, que saiba respeitar o próximo, que esteja ali pensando no social”, relata o DJ e produtor da Vapo_r, Tonny Rocks.

De acordo com a DJ e curadora, Rayssa Coimbra, a sintra FM oferece uma experiência não só musical: “Temos artistas visuais no coletivo, juntos trabalhamos com o objetivo de trazer novas informações e proporcionar experiências alternativas ao que têm sido oferecido no cenário atual”

Frequentadores


“Ao mesmo tempo que a techno mostra uma simplicidade, tem também uma personalidade única, uma ambientação que combina com a situação e estilo de música que se toca na festa”, afirma o estudante de design gráfico Leandro Gadioli, de 22 anos.

Já para Matheus Fernandes, estudante de psicologia, de 20 anos, os eventos se destacam por valorizar a cultura urbana do DF. “A maioria é gratuita, e o público pode cooperar de outras formas para ajudar as coletâneas a manter a festa acontecendo. Sendo que tem uma pegada underground que diversifica ainda mais a cidade”. O jovem conta, ainda, que devido a diversidade dos participantes é mais fácil se sentir seguro e representado: “Sinto mais liberdade por conta da presença de grupos sociais que se assemelham ao meu”.

Ambos conheceram a vertente por meio de amigos que já participavam anteriormente, depois que conheceram, não pararam mais de ir, “é um lugar cheio de pessoas com personalidade e estilo. Eu sempre gostei disso, então me sinto em casa”, completa Gadioli.

De acordo com os organizadores, a quantidade de pessoas varia, mas sempre contam com boa. A sintra FM leva de 1000 a 1200 pessoas ao SCS, já a Vapo_r de 700 a 1000 e a SNM já passou de 1000 frequentadores, mas hoje costumam receber de 200 a 500 participantes.

Lei do silêncio


O SCS tem localização privilegiada, no centro da cidade. Hoje, são permitidas apenas atividades de comércio e serviços no local. Pela falta de moradias, os eventos têm permissão para funcionar durante toda madrugada, respeitando uma das características da música eletrônica que é ser tocada em alto volume.

“É o único lugar onde se consegue alvará até 6h da manhã na capital. Brasília é uma cidade com infinitos espaços a serem ocupados, porém, infelizmente, a maioria deles foi tornada inacessível à produção cultural pela burocracia governamental”, relata Rayssa Coimbra.

Em junho deste ano, o Governo do DF estudou uma alteração nas normas de ocupação do Setor Comercial Sul, com proposta que liberaria moradias nos prédios da região. Mas, caso haja moradias no local, as festas teriam empecilho para continuar acontecendo: a Lei do Silêncio, que estabelece as normas gerais sobre o controle sonoro e dispõe sobre os limites máximos de intensidade da emissão de sons e ruídos.

Para o organizador da Vapo_r, a ocupação do SCS, não é uma forma de protesto, mas de mostrar a riqueza cultural do local. “É de fácil acesso a todos que desejam sair e encontrar novas aventuras sonoras e visuais”.

*Estagiário sob a supervisão de Severino Francisco
 
 
 
 
 
 


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