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Correio Braziliense

Bacurau: Filme vencedor de Cannes tem lotado as sessões em Brasília

O Correio conversou com espectadores do longa-metragem de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles


postado em 23/09/2019 06:02 / atualizado em 21/09/2019 13:22

Sessão de Bacurau: Cine Brasília lotado para prestigiar o filme brasileiro premiado(foto: Geovana Melo/Esp. CB/D.A Press)
Sessão de Bacurau: Cine Brasília lotado para prestigiar o filme brasileiro premiado (foto: Geovana Melo/Esp. CB/D.A Press)
Bacurau estreou há três semanas nos cinemas brasileiros, e, desde então, movimenta as salas dos cinemas brasilienses. O longa-metragem de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornellespremiado em Cannes, é sucesso instantâneo no Brasil e em Brasília. Com apenas cinco espaços na capital transmitindo a produção: Cine Brasília, Cinemark Pier 21, Cinemark Iguatemi, Espaço Itaú de Cinema e Cine Cultura Liberty Mall, a quantidade de espectadores é surpreendente.

O sucesso começou logo na pré-estreia, quando lotou o Cine Brasília. Com a presença do diretor Juliano Dornelles e do ator Silvero Pereira, que interpreta Lunga em Bacurau, a fila do cinema dava voltas pelo espaço. Com capacidade máxima de 606 lugares, os ingressos esgotaram uma semana antes da sessão.

Até segunda semana de exibições do filme, o Cine Brasília contabilizou que, ao todo, 5767 espectadores assistiram ao longa, com uma média de 443 pessoas por sessão. Bacurau é a maior estreia da carreira de Kleber Mendonça Filho. Nas redes sociais, o cineasta contou que Som ao redor, longa também dirigido por ele fez em 5 meses, o que Bacurau conseguiu em um final de semana, com 113.900 espectadores na estreia, arrecadando cerca de 2 milhões de reais. 

Ambientado no Nordeste brasileiro, em um futuro próximo, Bacurau é um vilarejo do interior de Pernambuco. Logo no início da trama são quebrados os estereótipos que rodeiam o interior do Brasil. Com uma cidade tecnológica e moderna, tudo que acontece em Bacurau é transmitido pelos smartphones.

Em Bacurau, grande parte da temática recai sobre a água e a escassez, mas também traz uma lição de parceria entre os bacurauenses e intolerância, podendo ser estabelecida uma analogia com a história mundial. Além disso, a tecnologia é bem ressaltada no filme que apresenta bloqueadores de sinais e drones sobrevoando a pequena cidade. A comunidade é simples, mas bem construída socialmente e politicamente.

Mesmo no filme fictício, é retratado um Brasil bem real. Com justiceiros, alianças, opressões, descontrações e explorações, em que resistência física e senso de comunidade, aliados a teor crítico fazem a diferença.

Reflexão


A estudante de Serviço Social Renata Costa, de 19 anos, é uma das telespectadoras que foram prestigiar a produção de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Incentivada pelas redes sociais, a estudante, que não costuma consumir tantas produções nacionais, saiu do cinema extasiada. “O filme traz muitos traços brasileiros fortes, muita crítica ao imperialismo norte-americano e propõe uma reflexão sobre a violência. Só que na visão do oprimido, como resposta aos ataques”, conta Renata.

Já a atriz e estudante de Publicidade, Bárbara Garcia, de 20 anos, afirma ter saído com a mente borbulhando. Frequentadora do Cine Brasília, Bárbara achou o filme muito bom. “Acho que toda a repercussão que ele teve é pelo tema abordado e nosso cenário político. Nosso cinema está ficando cada vez melhor, mas, infelizmente, não recebe o devido valor aqui no Brasil”, pontua a jovem.

A funcionária pública, Núbia Gomes, 36 anos, achou a produção divertida, estranha, genial, marcante. “Demanda paciência do público, mas não tem como gostar mais ou menos. Eu fiquei impressionada”, conta.

O filme gera uma catarse no espectador. A sensação ao sair do cinema é de “justiça“, mesmo que feita com as próprias mãos. A diversidade dos personagens também fascina. Não são padronizados e limitados. Acho até que vou assistir de novo”, revela. Após a repercussão no cenário internacional, Núbia se sentiu instigada a ir prestigiar Bacurau. “Fiquei sabendo dele depois da premiação de Cannes. Páginas de arte e cinema que sigo no Instagram comentaram bastante. Quando chegou ao Brasil e amigos assistiram e recomendaram, fui saber do que se tratava”, comenta a servidora pública.

Estagiária sob supervisão de Severino Francisco. 

» Sessões


23 a 25 de setembro

Cinemark Iguatemi
Sala 5—18:20 

Cinemark Pier 21
Sala 6—15:15/ 18:20/ 21:20

Espaço Itaú de Cinema
Sala 3—14:00/ 16:30/ 19:00/ 21:30

Cine Cultura 
Liberty Mall
Sala 4—16:05/ 18:30/ 21:00 

Cine Brasília
Cine Brasília—16:00 
(exceto segundas e terças-feiras)

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