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Correio Braziliense

Em filme, Joaquin Phoenix retrata a origem sombria do vilão Coringa

O longa, uma das principais estreias da semana, destrincha o passado do personagem


postado em 03/10/2019 06:30 / atualizado em 03/10/2019 09:54

Joaquin Phoenix, o Coringa: interpretação visceral premiada em festivais como o de Veneza(foto: Warner Bros./Divulgação)
Joaquin Phoenix, o Coringa: interpretação visceral premiada em festivais como o de Veneza (foto: Warner Bros./Divulgação)
Não existe um Coringa igual ao outro. A cada nova inserção do personagem na dramaturgia, o personagem ganha nuances diferenciadas e mais aprofundamento. Essa é a conclusão após quase 80 anos da publicação da primeira HQ do Batman, obra em que o vilão apareceu pela primeira vez apenas como um criminoso armado — ainda longe da figura atual psicopata —, e também o objeto do primeiro filme solo do vilão, que estreia oficialmente nesta quinta-feira (3/10) nos cinemas brasileiros e se destrincha no passado atormentado do vilão.

Nas telonas, o personagem da DC Comics foi interpretado por estrelas como Jack Nicholson, Heath Ledger (que conquistou o Oscar póstumo de melhor ator coadjuvante pelo papel) e Jared Leto. Agora quem assume a alcunha de Coringa é o três vezes indicado ao Oscar Joaquin Phoenix. Cabe ao ator representar na grande tela uma versão humana, mas totalmente sombria do vilão, não oferecida de forma tão profunda nos filmes anteriores — nas sagas do Batman e em Esquadrão Suicida. Isso acontece, principalmente, porque no filme de Todd Phillips (Se beber, não case), o protagonista é o Coringa, e a missão da fita é mostrar a origem do vilão.

Em duas horas, o espectador acompanha a história do homem que se torna no Coringa: Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) é um palhaço que trabalha nas ruas e em hospitais, mas almeja mesmo se tornar um comediante de stand-up. O personagem é apresentado como uma figura, até então inocente, de meia idade que tenta equilibrar a vida em uma Gotham City decadente dos anos 1980 — infestada por ratos e com desenfreado desemprego — em meio aos próprios problemas psicológicos que o fazem tomar sete remédios e ter uma descontrolada risada (explicada como o transtorno neurológico afeto pseudobulbar) e a dependência da mãe, Penny (Frances Conroy), que demanda cuidados.

 

O longa-metragem introduz a difícil trajetória de Fleck. Apesar de apelidado pela mãe de Feliz, Arthur é o oposto disso. O jeito estranho e as doenças mentais o fazem enfrentar diariamente problemas no contexto social. Ele é motivo de piada, é espancado e perturbado pelas pessoas quase todos os dias. Pouco a pouco, o filme mostra, em uma linguagem crua, e violenta — e que em nada lembra os filmes tradicionais do gênero de super-heróis — como o personagem perde o lado inocente para abraçar a crueldade. É a história da mudança de um homem atormentado pelos próprios demônios, que se torna num vilão e na personificação da maldade, surgida da combustão interna com o meio a partir de uma demonstração de vingança contra aqueles que lhe fazem mal, tanto as pessoas, quanto o sistema.

Polêmicas e prêmios

(foto: Warner Bros./Divulgação)
(foto: Warner Bros./Divulgação)


Essa violência justificada pela vingança — e forte no longa-metragem — é o que tem levado o filme a entrar em polêmica antiga. Nos Estados Unidos, parentes das vítimas do tiroteio acontecido numa sala de cinema, em 2012, durante a estreia do filme Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, em Aurora, no Colorado, cobram que a Warner Bros., estúdio de produção do filme, use o poder de influência para lutar contra a facilidade de acesso a armamentos no país.

“Queremos deixar claro que apoiamos o direito à liberdade de expressão. Mas, como qualquer pessoa que tenha assistido a um filme sobre quadrinhos pode dizer, com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades. É por isso que estamos pedindo à Warner Bros. que use seu poder, influência e sua plataforma para trabalhar ao nosso lado para dificultar o acesso às armas de fogo”, pede o comunicado. A empresa se pronunciou: “A Warner Bros. acredita que uma das funções da narrativa de histórias é estimular conversas difíceis sobre questões complexas. Não se enganem: nem o personagem Coringa, nem o filme apoiam qualquer tipo de violência no mundo real”.

Discussão essa que deve crescer com a chegada do longa-metragem no cinema comercial. Coringa já foi exibido no circuito de festivais. Foi ovacionado e premiado com o Leão de Ouro no Festival de Veneza, na Itália, quando levou outras duas premiações, uma delas para melhor trilha sonora. Também esteve no Festival de Toronto, no Canadá, onde também foi aclamado.

A boa repercussão do filme nos festivais especializados pode ser um termômetro para uma possível indicação ao Oscar em 2020. Tanto por não se parecer com um filme tradicional de super-herói como pela atuação de Joaquin Phoenix, que leva a produção para si navegando entre as diferentes nuances do personagem, que o fez emagrecer 24 quilos. “É óbvio que foi difícil. Eu tomava vitaminas e minerais para ficar saudável. Foi mais uma questão de controlar a mente. Para ser sincero, não foi doloroso, me senti inspirado pelo trabalho e pelas muitas maneiras de ver esse filme”, analisou Phoenix em recente entrevista ao Fantástico.

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