Publicidade

Correio Braziliense

Bienal promove o encontro de artistas de diversas nacionalidades

O evento do Sesc 24 de maio, no centro de São Paulo, promove o encontro entre artistas com vivências de países diferentes para pensar a atualidade


postado em 10/10/2019 19:07 / atualizado em 10/10/2019 19:07

Obra de Rosana Paulino utiliza diversos suportes artísticos para mostrar a herança cultural negra (foto: Das avós/Reprodução/Divulgação)
Obra de Rosana Paulino utiliza diversos suportes artísticos para mostrar a herança cultural negra (foto: Das avós/Reprodução/Divulgação)

SÃO PAULO — "Tudo que a gente vive hoje sequestra nossa habilidade de sonhar, mas não resta dúvida de que a arte é fundamental para passar por isso", acredita Luísa Duarte, curadora da 21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil (2019-2020). É a partir dessa proposta que a exposição, inaugurada nesta quarta-feira (9/10) no Sesc 24 de maio, pretende usar a imaginação para produzir contranarrativas artísticas.
 
Com inspiração no ensaio Comunidades imaginadas, do historiador americano Benedict Anderson, a mostra reúne 55 artistas, selecionados entre cerca de 2000, de países como Brasil, Peru, Benim, México e Nova Zelândia. A variedade de nacionalidades ajudou a reunir vivências, histórias e identidades que se relacionam com a atualidade. Ali, indígenas, refugiados, periferias, religiões, ancestralidade negra e herança cultural estão presentes.
 
Se a reflexão passa pelos temas, ela também está presente na série de suportes utilizados: vídeo, instalação, performance, imagem e tela, dentre outros. A obra Das avós (2019) de Rosana Paulino, uma das cinco artistas comissionadas do evento — ou seja, foi escolhida para produzir obra inédita, com total liberdade criativa —, é um exemplo que une costura, performance e tela para compor uma videoinstalação.
 
“A performer vai costurando essas imagens (de mulheres negras que representam avós e bisavós) no corpo (no vestido branco e longo). É uma coisa bem interessante, porque a imagem em si é transparente, impressa no voal, que é tecido muito fino e quase não dá para ver. Então, a imagem precisa do corpo da performer para funcionar como base e, ao mesmo tempo, ela só é corpo, só é pessoa por causa dessas ancestrais”, ressalta a artista visual sobre o vídeo principal.
 
Por isso, a diretora artística Solange Farkas acredita que o evento vai na contramão de outras bienais. “Nós nos identificamos com bienais de olhos curiosos e dispostas a inovar. Queremos devolver a arte para onde ela ganha relevância”, defende. Com curadoria de Gabriel Boghossian, Luísa Duarte e Miguel A. López, o evento fica aberto ao público até 2 de fevereiro de 2020. Além da mostra interativa, conta com seminários, programas de vídeo e performances. A mostra ainda irá premiar sete artistas ou trabalhos participantes.
 
Confira a programação completa aqui
 

Serviço

21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil
No Sesc 24 de maio (R. 24 de maio, 109, República, São Paulo). Visitação até 2 de fevereiro de 2020. Mostra internacional com 55 artistas. Direção artística: Solange Farkas. Entrada franca. Classificação indicativa livre.


*A estagiária sob supervisão de Roberta Pinheiro
**Repórter viajou a convite do Sesc 24 de maio

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade