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Correio Braziliense

Músicos da cidade criam projetos e ocupações para atrair o público

A diversidade de gêneros é a marca dessas iniciativas brasilienses. O Correio elencou alguns projetos, confira


postado em 14/10/2019 06:05 / atualizado em 14/10/2019 15:17

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

São muitos os projetos idealizados por diferentes produtoras, casas de espetáculos, clubes, bares e restaurantes da cidade que têm como atrações os artistas brasilienses. Esses eventos, além de serem a principal fonte de renda de vários cantores, compositores, grupos e bandas, em função do cachê ou de parte do couvert que recebem, servem para aumentar o faturamento dos locais nos quais se apresentam.

De uns tempos para cá, vários artistas de diversas vertentes musicais têm tomado a iniciativa de criar os próprios projetos. Para isso, têm como referência a roda de samba que, desde a década passada, o 7 na Roda comanda com sucesso no Outro Calaf, casa noturna que mantém diversificada programação semanal de segunda a domingo.

O Correio elenca aqui alguns dos projetos que têm chamado a atenção do público e movimentado a cena musical de Brasília. Em geral, é cobrado ingresso para que as pessoas assistam aos shows, mas há aqueles para os quais o acesso é gratuito, como o Samba Urgente, que faz sucesso desde a estreia, em fevereiro de 2018.

(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Samba Urgente 

O Samba Urgente tornou-se um fenômeno de público na capital, reunindo público médio de seis mil pessoas na área próxima ao Canteiro Central, no Setor Comercial, local mais frequente das apresentações. O grupo formado por Victor Angeleas (bandolim), Vinicius Vianna (violão), Augusto Berto (percussão), Márcio Marinho e Arthur Nobre (cavaquinho), que arrastou uma multidão à ocupação da Piscina com ondas (Parque da Cidade), volta a se apresentar no próximo sábado, em frente ao Outro Calaf e com entrada franca. Serginho Meriti (autor de Deixa a vida me levar), Diogo Nogueira e Toninho Geraes são alguns dos sambistas renomados que o grupo já teve como convidados. Visto como referência na ocupação de espaços públicos, o Samba Urgente é, para Victor Angeleas, “um movimento que tem a cara de Brasília por ser um espaço democrático, pela valorização da nossa cultura e pela diversidade, em todos os seus aspectos, como essência”.

(foto: Henrique Francois/Divulgação)
(foto: Henrique Francois/Divulgação)

Live Party 

Paralelamente às apresentações em shows para os quais é contratada, a banda Rock Beats costuma organizar eventos. Um deles é o Live Party, que já teve três edições. A próxima será no dia 1º de novembro, no Clube da Aeronáutica (Setor de Clubes Norte), tendo como tema um baile de fantasia. Liderado pela vocalista Daniela Firme e contando com Bruno Albuquerque (guitarra), Alexandre Macarrão (baixo) e Kaká Barros (bateria), o grupo costuma passear por repertório do pop rock que vai dos anos 1970 até os dias atuais. A Live Party tem outra característica, que é a oferta de cervejas artesanais produzidas no Distrito Federal. “Buscamos sempre promover a integração do pop rock com outros estilos musicais, como a disco music e a axé music. No projeto, já tivemos como convidados os guitarristas Haroldinho Mattos, Paulo Verísimo e Edson Carvalho, os cantores Guto Santana e André 14 Voltas, as cantoras Georgia W Alô e Célia Porto”, conta.

(foto: Maria Luiza/Divulgação)
(foto: Maria Luiza/Divulgação)

Salve Glória! 

O nome dessa orquestra popular, criada pela flautista, arranjadora e maestrina Diana Mota, é uma homenagem à própria mãe, a cantora Glória Maria. “Ela foi cantora pioneira de Brasília, num tempo em que a profissão de músico era marginalizada. Glória, que foi do elenco da Rádio Nacional e cantava na noite, enfrentou o preconceito com maestria, escrevendo importante capítulo na história da música brasiliense desde a época da inauguração da capital do país”, lembra Diana. A orquestra passou a atuar com regularidade em 2018 e hoje conta com 17 componentes, sendo um violino, três saxofones, três trompetes, três trombones, piano, sanfona, contrabaixo, bateria e quatro percussões, todos sob a batuta de Diana. O repertório dançante inclui ritmos brasileiros – baião, frevo, maracatu, carimbó e ijexá –, todos com arranjos, e valoriza a música autoral brasiliense. Recentemente, a Salve Glória!  transformou o Espaço Cultural do Choro num salão de baile.

(foto: Randal Andrade/Divulgação)
(foto: Randal Andrade/Divulgação)

Forró de Vitrola 

A proposta do projeto é promover bailes de forró pé de serra com um rico acervo de discos de vinil em diversas localidades e sempre a bordo de uma kombi 1973. Servem espaços abertos e fechados, públicos e privados.  O veículo, devidamente customizado, é aparelhado com toca discos, sonorização e iluminação, valorizando a tradicional música nordestina e destacando a obra de artistas da região como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Jacinto Silva, Zito Borborema, Joci Batista e Zé Calixto. As vitrolas são comandadas pelo violeiro e pesquisador Cacai Nunes, criador do baile. Ele diz que o forró pé de serra, consagrado por Gonzagão e cantado e tocado por muitos artistas, tem uma vasta discografia, que começa nos anos 1940 e chega aos dias de hoje.
 

(foto: Lucas Oliveira/Divulgação)
(foto: Lucas Oliveira/Divulgação)

Baila-!me! 

Iniciativa do vocalista André Gonzales e de seus companheiros da extinta banda Móveis Coloniais Acaju, Esdras Nogueira (sopros), Fernando Jatobá (guitarra e baixo) e Dr. Dreher (teclados, vibrafones e sintetizadores), a Sr. Gonzales Serenata Orquestra, desde setembro de 2017, tem botado muita gente da chamada “melhor idade” para dançar no embalo de eternas canções do repertório de Francisco Alves, Carlos Galhardo, Orlando Silva, Nelson Gonçalves e outros grandes cantores e cantoras da era do rádio e de outros momentos da MPB. Embora os bailes ocorram no Clube Previdenciário (912 Sul), um domingo por mês, a partir das 16h, o conjunto se apresenta também em outros locais. O próximo ocorrerá no dia 27, no Outro Calaf. “A nossa sociedade busca ignorar o envelhecimento, enaltece o novo, mas não admite a mudança que o tempo causa em si mesmo. Só quando deparamos com a energia desse público (os frequentadores do baila-!me!) é que percebemos que a vida vai muito além dos valores materialistas, que se costuma cultivar na juventude”, afirma Gonzales.
 

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