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Correio Braziliense

Stephen King ganha mostra de peso no CCBB até novembro

Os ingressos custam R$ 5


postado em 16/10/2019 07:00 / atualizado em 16/10/2019 08:27

'Cujo': terror põe em xeque a amizade entre cachorros e humanos(foto: Sunn Classic Pictures/Divulgação)
'Cujo': terror põe em xeque a amizade entre cachorros e humanos (foto: Sunn Classic Pictures/Divulgação)

Duros aprendizados, especialmente nos ritos de passagem da adolescência; segredos revelados e crimes aparentemente insolúveis... É por meio dessas variações de narrativas que um gênio da literatura cravou o nome no cinema — Stephen King. Aos 72 anos, o escritor ganha homenagem no Brasil que reúne, em apanhado de 70 sessões, mais de 40 obras derivadas de sua escrita, com a mostra Stephen King: O medo é seu melhor companheiro. Até 10 de novembro, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), os brasilienses podem conferir a programação que levou mais de seis mil cariocas ao cinema, no evento que, entre 30 de outubro e 25 de novembro, chegará a São Paulo. A curadoria da mostra é de Breno Lira Gomes e de Rita Ribeiro.

A curadora Rita Ribeiro, numa sessão comentada e com entrada franca, hoje, às 9h30, estende o conteúdo de um dos filmes mais marcantes criados tendo por base a literatura de King: Conta comigo. Rita, em Brasília, ainda comandará a master class (desdobrada em 6 e 7 de novembro), O horror que nos rodeia: Da literatura para o cinema. Para quem conhece King pela associação com o estrondoso sucesso levantado pelo diretor Andrés Muschietti em It, a coisa, vale a lembrança do paralelo entre esta obra e Conta comigo, feito em 1986. Dirigido por Rob Reiner (que ainda assinaria Louca obsessão, filme que deu Oscar de melhor atriz para Kathy Bates), Conta comigo trazia no elenco River Phoenix e Kiefer Sutherland e explorava vontades de um grupo de jovens, aos fins dos anos de 1950, dispostos a elucidar um crime ignorado pela polícia.

Bastante completa, a mostra do CCBB ainda explora obras admiradas pelo próprio escritor homenageado, mas afastadas de sua literatura, casos de A ameaça que veio do espaço (1953), ancorado na literatura de Ray Bradbury (de Farenheit 451) ligada a extraterrestres que invadem o Arizona, e Desafio do além, clássico seminal de 1963, no qual o cineasta Robert Wise definiu parâmetros para os filmes sobre fenômenos sobrenaturais e mansões abandonadas. Outra obra referencial para a arte de Stephen King está em Vampiros de almas (atração de amanhã, às 14h), filme de 1956, conduzido por Don Siegel e atrelado a metáfora relacionada ao comunismo: saído de texto de Jack Finney, o longa mostra a disseminação de vidas (desvinculadas de almas e de consciências), que, pouco a pouco, se desenvolvem, substituindo os humanos.

Curiosamente, a mostra do CCBB abre espaço para obras criadas para a televisão — caso de Arquivo X — Episódio Feitiço (1998), no qual King desenvolveu roteiro que explora os reflexos da passagem de uma boneca amaldiçoada pela Terra. Duas versões de O iluminado (1980 e de 1997) também estão previstas na programação.

King trouxe incontável rentabilidade para as telas de cinema — isso a ponto de algumas de suas obras ganharem mais do que uma adaptação para as telas — há casos notórios como os de It, que inclusive terá It — Uma obra-prima do medo (1990) exibida em versão de mais de três horas. No filme, há um pacto de sobrevivência e de vitória sobre o medo, proposto por um grupo de destemidas crianças. A mostra contempla Carrie, a estranha (1976), em torno de bullying escolar e atritos religiosos, e Cemitério maldito (1989), no qual o destino de um gato de estimação atormenta o cotidiano de uma família.


Objetos malvados


Na mente fértil de Stephen King, até mesmo objetos merecem atenção: em Comboio do terror (único filme que King dirigiu), um tremendo fracasso, o conto Caminhões dá a deixa para a narrativa de uma série de complicações derivadas da passagem de um meteoro que rende vontades a seres inanimados. Do mestre John Carpenter, Christine, o carro assassino (1983) já explorava as artimanhas de carros desgovernados em choque com humanos. Atração das 19h de hoje, no CCBB, Chamas da vingança (1984) traz a trama de uma personagem perseguida por estranhos, depois da confirmação de sua capacidade de manipular labaredas.

Responsável pela estimada venda de mais de 350 milhões, Stephen King gerou livros cuja consagração esteve, entre outros, vinculada a filmes como dois dirigidos por Frank Darabont e indicados ao Oscar de melhor filme — Um sonho de liberdade (1994) e À espera de um milagre (1999) — ambos a serem mostrados no CCBB, em sessão dupla. Aliado da descrição de seres fantásticos na literatura que produz, King traz uma galeria sui generis, entre os protagonistas das fitas que inspirou: um monstruoso cão assassino está em Cujo (1983), enquanto uma cidade é infestada por vampiros, no enredo da série Os vampiros de Salem (1979), de Tobe Hooper.

Como não podia deixar de ser, os livros de King ainda depositam muitas fichas na caracterização de tipos associados à imaginação, a fatos e à escrita, como confirmam A metade negra (1993), de George A. Romero, em torno da vida de um escritor de livros de horror; Eclipse total (1995), que concentra dados coletados por jornalista que investiga os atos suspeitos de uma viúva e Voo noturno (1997), impulsionado pelo cotidiano de um repórter sensacionalista.


Stephen King — O medo é seu melhor companheiro
CCBB (SCES, Tr. 2). Até 10 de novembro. Ingressos a R$ 5 (valor único). Confira a programação completa e as classificações indicativas dos filmes no site do CCBB.

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