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Correio Braziliense

Espetáculo 'Tsunami' tem sessões gratuitas em Sobradinho e Planaltina

A premiada peça teatral faz parte do projeto artístico 'Mediações: espectadores em comunidade', de Wellington Oliveira


postado em 21/10/2019 07:08 / atualizado em 21/10/2019 07:08

O espetáculo faz parte do projeto artístico e pedagógico Mediações: espectadores em comunidade, idealizado pelo artista e educador Wellington Oliveira (foto: Diego Bresani/Divulgação)
O espetáculo faz parte do projeto artístico e pedagógico Mediações: espectadores em comunidade, idealizado pelo artista e educador Wellington Oliveira (foto: Diego Bresani/Divulgação)

Compreender o mundo por meio do que é mais humano. Sem palavras, sem idiomas, sem gírias ou expressões linguísticas, a comunicação se dá pelo olhar, pelos sentidos e pelas emoções. A cada encontro, a equipe à frente do espetáculo Tsunami e os envolvidos no projeto artístico e pedagógico da peça descobrem que é na diferença e, sobretudo, no compartilhar com o outro que se constrói o diálogo.

Prestes a iniciar uma nova temporada, eles renovam o convite para uma experiência de aproximação gerada pelo afeto. Deslocando a palavra, colocam em cena o coador da casa da avó de um aluno ou exploram as emoções de uma carta materna. “Vi ali a honestidade daqueles jovens, uma catarse emocional desenfreada”, relembra o diretor e dramaturgo Jonathan Andrade ao falar de uma das oficinas feitas com alunos de escolas públicas do DF.

Tsunami, ganhador do Prêmio SESC do Teatro Candango 2018 na categoria melhor atriz e melhor cenografia, além de ser indicado nas categorias de melhor espetáculo, direção e dramaturgia, faz parte do projeto artístico e pedagógico Mediações: espectadores em comunidade, idealizado pelo artista e educador Wellington Oliveira. No ano passado, durante a primeira edição da proposta, a equipe construiu o espetáculo em conjunto com estudantes de um colégio público de Planaltina. “Trabalhamos a partir de três imagens e algumas ideias provocativas que lançamos aos alunos. As cenas foram criadas a partir disso. Levaram objetos que poderiam ser das personagens e a gente ia criando significados coletivamente”, descreve Oliveira.

Seguindo uma abordagem inovadora no campo da mediação teatral, nesta segunda edição, a iniciativa da equipe é construir, com grupos de estudantes, uma proposta de formação de espectadores. Em cada escola em que o espetáculo será apresentado, Oliveira, Andrade e outros integrantes da peça vão se reunir com alguns alunos em oficinas para elaborar uma proposta de mediação. Antes de cada sessão, a ideia será multiplicada pelos próprios estudantes em suas turmas, integrando um conjunto de ações pedagógicas que vão ampliar as possibilidades de conexão dos espectadores com a peça. “Pensamos essa edição de uma forma mais comunitária e colaborativa. A ideia é que os estudantes tragam os referenciais e escolham quais são os melhores pontos a se focar na mediação e não nós que escolhemos a partir do que nós achamos”, explica Oliveira.

Para o artista e educador, o consumo de uma peça de teatro, de um filme ou de uma exposição pelo público independe de mediação. “Todo mundo tem a possibilidade de construir suas próprias referências. A gente, na verdade, lança essa proposta de aproximação dos espectadores com o espetáculo e potencializa a experiência”, justifica. A partir de uma atividade provocativa e não programada, os jovens trazem os próprios elementos, que fazem parte do seu contexto, e o grupo cria em comunidade, com a comunidade e para a comunidade. “É um despertar a curiosidade para o espetáculo, uma perspectiva de ampliação dos sentidos, de aquecimento dos sentidos para assistir ao espetáculo”, descreve Oliveira.

Afeto


Em cena, a dramaturgia de Tsunami conta a história de uma sobrevivente de um mundo devastado. A atriz Ana Flávia Garcia interpreta uma personagem estrangeira e refugiada que se comunicada por ruídos, já que não fala um idioma conhecido. Na ausência de palavras compreensíveis, ela busca resgatar suas memórias e construir uma narrativa sobre os diversos tempos de sua vida, propondo um jogo de espelhamentos que coloca o espectador diante de sua própria existência. A peça propõe, agora no palco, um encontro com a personagem de Ana Flávia para além da palavra.

“O espetáculo traz referências implícitas para o tempo presente, de tanto conflito, nos aspectos políticos e sociais. No ano passado, vimos a crise da imigração, o rompimento da barragem de Mariana, essas tragédias, esses conflitos suscitaram muitas questões e, na época, resolvemos pensar essas questões tendo um olhar muito mais profundo para o humano”, afirma Oliveira.
Tanto na dramaturgia quanto nas oficinas e mediações, a proposta é promover o encontro e o diálogo com o outro, uma aproximação para além dos limites da palavra. “É um encontro pelo afeto. Quando desvendamos aqueles gestos, aquela narrativa da dramaturgia, você se vê em um exercício de espelhamento. Pensar coletivamente é pensar que temos saberes diferentes que podem ser articulados, podem dialogar para um encontro de uma perspectiva comum entre nós”, conclui o artista educador.

Tsunami é fruto dessa união e reproduz a intensidade de cada troca. “Não existe cena sem essa reverberação. Pela perspectiva estética, enquanto diretor e dramaturgo, é o encontro que fomenta tudo, que dá corpo e alma para a coisa”, comenta Andrade. Para o diretor, a mudança e a revolução se dão pelo contato e pelo contágio das subjetividades inerentes aos cidadãos. Nesse contexto, não há distinção entre artista, estudante ou professor. “Pertencemos a um bioma de expressividade que nos coloca num espaço de reflexão de temas que nos pertence”, detalha. Ao dialogar e compartilhar com os jovens, Andrade vê concretizado uma experiência, de fato, transformadora como cidadão. “Em um momento caótico para cultura, de reinvenção, de uma tentativa de sobrevivência, de resistência, de insistência, definitivamente acredito nesse espaço da potência do encontro da arte com as distintas comunidades”, finaliza.

» Tsunami
 
Sessão aberta à comunidade
No Complexo Cultural de Planaltina. 
Sexta-feira, 25 de outubro, às 10h, sessão aberta do espetáculo.

Sessões exclusivas para escolas
No Centro de Ensino Médio 01 de Planaltina:
De 21 a 24 de outubro, Oficinas de capacitação de mediadores teatrais.
Dia 24 de outubro, Oficinas de formação de espectadores e apresentação do espetáculo no auditório da escola.

No Centro Educacional Vale do Amanhecer:
De 22 a 25 de outubro, Oficinas de capacitação de mediadores teatrais.
Dia 25 de outubro, Oficina de formação de espectadores na escola.

No Centro Educacional 02 de Sobradinho:
De 28 a 30 de outubro, Oficinas de capacitação de 
mediadores teatrais. Dia 31 de outubro, Oficina de formação de espectadores na escola e apresentação do espetáculo no Teatro de Sobradinho (anexo à escola).

No Centro de Ensino Médio 01 de Sobradinho:
De 5 a 7 de novembro, Oficinas de capacitação de mediadores teatrais.
Dia 8 de novembro, Oficina de formação de espectadores na escola e apresentação do espetáculo no auditório da escola.

Sempre com entrada franca. 
Não recomendado para menores de 14 anos. Informações: (61) 98216-0481 e www.espetáculotsunami.com.br

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