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Correio Braziliense

Diretor e ator Casey Affleck volta em 'A luz no fim do mundo'

Depois de acusações de abuso sexual arquivadas, em comum acordo com vítimas, o diretor Casey Affleck enfrenta o julgamento do público, à frente de 'A luz no fim do mundo'


postado em 22/10/2019 07:05 / atualizado em 22/10/2019 11:38

Casey: diretor à frente de 'A luz no fim do mundo': antes de estrear, filme esteve na seção Panorama do Festival de Berlim e no Festival de San Sebastián (foto: Michal Cizek/ Divulgação)
Casey: diretor à frente de 'A luz no fim do mundo': antes de estrear, filme esteve na seção Panorama do Festival de Berlim e no Festival de San Sebastián (foto: Michal Cizek/ Divulgação)

 

É bastante sintomático o empenho do ator e diretor Casey Affleck, 44 anos, no mais recente filme que dirigiu e está em cartaz na cidade: A luz no fim do mundo. Ao mesmo tempo em que Affleck despontou na telona — com o filme que lhe rendeu o Oscar, em Manchester à beira-mar — no papel de um homem fragilizado e assombrado por um passado devastador; na vida real, ele enfrentou a delicada acusação de assédio sexual. Atualmente impedido de avançar em comentários sobre o caso corrido à época das filmagens de I´m still here (com Joaquin Phoenix), a exemplo das declaradas vítimas, Affleck teria zerado o caso junto à justiça, dado acordo entre as partes.

 

Vale a lembrança de que, publicamente, ele nunca assumiu culpas. Na carreira, o diretor diz manter o aprendizado do colega (bem mais calejado) Gus Van Sant, que assinou fitas como Milk e Elefante. Há sete anos, emprestou a voz para personagem-título que recriminava bullying, em ParaNorman (2012). No novo filme, A luz no fim do mundo, o artista (que atua, sendo ainda roteirista e diretor do enredo distópico), priva o espectador das personagens femininas: teriam sido aniquiladas, passada a disseminação de uma peste. Resta porém uma esperança no discorrer da narrativa: o protagonista feito por Affleck cria, em segredo e com toda a sorte de cuidados, uma persiste semente — a filha Rag (Anna Pniowsky).

 

Praticamente despontando no cinema, Pniowsky concentra muito do enredo, a ponto de, para o site Collider, o diretor ter enfatizado a maturidade da intérprete: “Anna não é uma criança: é uma mulher jovem”. No título original do longa, ambientado em uma lúgubre atmosfera de fins dos tempos, desponta a importância do personagem da mocinha: Luz da minha vida.

 

Se, em muito, o longa faz lembrar o pessimismo de A estrada (2009), estrelado por Viggo Mortensen, A luz no fim do mundo tem bastante de emblemático filme assinado pelo mexicano Alfonso Cuarón, Filhos da esperança (2006), praticamente centrado no acobertar de uma semente vital para o mundo: a preservação da última mulher grávida, num mundo assustador. No segundo filme conduzido por Affleck, o miolo da trama está na existência (e persistência) da única filha da personagem de Elizabeth Moss (de The handmaid´s tale), presença em breves flashbacks. Cabelo, à la rapazinho, e clandestinidade garantem a sobrevida de Rag, num mundo inteiramente, masculinizado.

 

“Rag tem, no pai, a escola que não frequenta. É por isso que ela é tão questionadora”, defendeu a atriz Anna Pniowsky, em entrevista no exterior. Na trama, a sua personagem ouve do pai o ensinamento de que a disseminação de “histórias é boa por conectar as pessoas”. Repleto de sentimentos fortes, o longa assinala a qualidade do diretor que desde 2007 está nos holofotes de Hollywood, com a indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante, por O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford (2007).

 

Envolta numa camisa de força, envolvida numa existência assoberbada pela repressão, e num dia a dia (perigoso, pela espreita masculina) nômade, junto ao pai viúvo, Rag parece tema de cuidado extremo também para o cineasta. “Não foi difícil manter a energia — no set, eu estava cercada de pessoas alinhadas a uma corrente positiva. Tínhamos uma ótima equipe”, defendeu Pniowsky.  

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