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Correio Braziliense

Rapper brasiliense conquista o título da seletiva do Duelo Nacional de MC's

Enrique de Amorim, mais conhecido como Hate Aleatório,vive no Recanto das Emas


postado em 23/10/2019 07:00

MC há três anos, Enrique de Amorim, mais conhecido como Hate Aleatório, vive um momento único na vida. Em 13 de outubro, o rapper se sagrou campeão estadual da Batalha de Rima do Distrito Federal, seletiva que oferta passagem e vaga garantida na disputa regional do Centro-Oeste, que será disputada em Mato Grosso Sul, em novembro.

Para chegar ao título, Hate conta que precisou de uma fase intensa de preparação com o objetivo de se aperfeiçoar como MC. “Foi algo planejado há pelo menos dois anos. Pratiquei em várias batalhas pelo DF, estudei e li muitos temas importantes diferentes. Também treinei muitas técnicas de freestyle, respiração, flow, métrica, raciocínio rápido e tudo mais que uma batalha exige do MC”, relata em entrevista ao Correio.

Morador de Recanto das Emas, o cantor de 19 anos se identificou com o rap desde a primeira vez que escutou o estilo. Hoje, tem a arte como algo que não é apenas divertimento, mas também razão de viver. “Arte na minha vida só está abaixo da família, a importância dela é algo imensurável. Mudou minha mente, bate de frente com todos os problemas da sociedade. É o que deixa a vida interessante, me impulsiona a querer viver de verdade”.

Aulas

Autor do single Altura, com mais de 2 mil visualizações no YouTube, o MC começou a escrever poesias aos 16 anos, motivado pelas aulas de português na escola. No mesmo ano, se juntou com alguns amigos para fazer freestyles nos corredores da escola e organizar batalhas de rima nos intervalos da aula. A partir disso, passou a frequentar a Batalha do Museu, uma das mais tradicionais de Brasília, e desde então não parou mais.

Agora o desafio é outro, na seletiva regional Hate vai representar, ao lado do vice-campeão Jhonatan Brito, todos os rappers do Distrito Federal que sonham em disputar o Duelo Nacional de MC’s, em Belo Horizonte, maior evento de batalha de rimas do Brasil. “Imaginava, sim, viver este momento, isso passou pela minha cabeça desde o começo das seletivas. A vitória representa todos os sacrifícios que fiz, tudo que eu passei, o dinheiro que eu gastei, tudo de ruim que eu ouvi, toda correria que eu realizei. Dei a vida pela arte”, completa.

*Estagiário sob a supervisão de José Carlos Vieira


Batalhas de Rima
Hoje no Distrito Federal quase todas as cidades possuem pelo menos um duelo em seu território, como as batalhas da PR, em Sobradinho; do Relógio, em Taguatinga; da Estação, no Guará; e a Batalha Sagrada, no Recanto das Emas. No Plano Piloto, algumas opções são as batalhas da Escada, na UnB; do Museu, próximo ao Eixo Rodoviário; e a das Gurias, protagonizada por mulheres e geralmente realizada no Conic.



Quatro perguntas / Hate Aleatório

(foto: Pedro Torres/Divulgação)
(foto: Pedro Torres/Divulgação)

Como vê o atual momento das batalhas de rima no DF? 
Tem evoluído muito na questão de público, o problema é que as batalhas sempre têm que chegar com qualidade para as pessoas, e alguns que querem fazer parte do movimento não colaboram para que isso aconteça. Hoje em dia, mais festivais têm chamado a Batalha de MC’s como atração, estamos conseguindo mais apoio, mesmo assim ainda falta respeito de muitos eventos, na forma de tratar não só a batalha em si, mas os artistas que a representam.


Antes as Batalhas de Rima passavam a impressão de ter mais ofensa, mas nos duelos de Brasília há muita referência e literatura inserida. Como vê a evolução de conceito das batalhas? 
No DF as batalhas sempre foram mais líricas, mais estudadas, mais criativas. Eu sempre curti isso, principalmente quando passei a estudar e ter uma mente mais evoluída. Os outros estilos são legais também, mas o estilo ideológico, mais intelectual e mais inteligente é estilo mais importante, porque de fato acrescentam algo na vida de quem está acompanhando a batalha. Atualmente, só ganha algo grande nas batalhas de MC’s quem é mais inteligente, independentemente do estilo de tema que você aborde.


Como é levar o nome de Recanto das Emas para todo o Centro-Oeste? 
Levar o nome do Recanto, para mim, é muito importante, porque eu me sinto acolhido pela cidade, então faz total sentido eu carregar o nome comigo. Também fui o primeiro MC do Recanto a se tornar campeão estadual, minha representatividade é algo que realmente faz diferença para qualquer pessoa da cidade, a arte me tornou um exemplo.


Pode falar sobre o seu projeto da Batalha Sagrada? Qual a proposta?
Eu faço parte da equipe de organização. O intuito da batalha sempre foi salvar, mudar vidas de fato, livrar mentes dessas ilusões da vida, através das palavras, das rimas, das poesias, das músicas e tudo mais. Nosso objetivo é transformar a Batalha Sagrada em uma ONG ou, então, em um outro tipo de instituição que vai ter a mesma intenção: ajudar o máximo de pessoas da periferia possível, tudo pelo povo mesmo, para que a periferia suba de classe.
 
 
 
 


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