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Correio Braziliense

Pela primeira vez, festival Breves Cenas de Teatro desembarca em Brasília

De Manaus, o evento propõe uma junção de diferentes propostas estéticas da Região Norte e dos outros estados


postado em 24/10/2019 06:05

O monólogo 'O nunca jamais imaginado', interpretado pelo carioca Jansen Castellar, narra o próprio cotidiano(foto: Jansen Castellar/Divulgação)
O monólogo 'O nunca jamais imaginado', interpretado pelo carioca Jansen Castellar, narra o próprio cotidiano (foto: Jansen Castellar/Divulgação)


Ao se falar da Região Norte, o imaginário é preenchido por imagens exóticas, cheiros e sabores de todo tipo. Contudo, pouco se conhece da produção teatral feita ali. Pela primeira vez, a capital federal recebe um evento artístico que apresenta a cena amazônica e projetos de outros estados e do exterior. Formado em Dança pela Universidade do Estado Amazonas (UEA) e com pós-graduação em gestão cultural pela Universidade de Girona, na Espanha, o ator, diretor e produtor cultural amazonense Dyego Monnzaho carrega consigo uma lista de produções e criações artísticas. Entre eles o Festival Breves Cenas de Teatro, que chega à 9ª edição com circulação fora de Manaus, incluindo no percurso Brasília, Fortaleza e Rio de Janeiro. 

“O que me moveu sempre foi a minha paixão pelas artes. Aprecio tudo de uma maneira muito intensa. Isso me movimenta a estudar, a criar e a produzir. Decidi voltar para a minha cidade e criar estratégias e ferramentas que possam aquecer Manaus e a região onde estou”, conta Monnzaho.

Este ano, o projeto bateu recorde de interessados: foram 154 inscritos de vários estados brasileiros e de outros países. Com curadoria feita pelo idealizador, por João Fernandes e também por Fabiano de Freitas, 46 cenas foram selecionadas para percorrer as três cidades desta nona edição. Em Brasília, o evento ocupa a Caixa Cultural, com espetáculos paulistas, colombianos e carioca.

São quatro cenas por noite, com duração mínima de cinco minutos e máxima de 15 minutos. “A cena curta para o teatro é como o curta-metragem para o cinema e o conto para a literatura. Não é um recorte, é um produto autônomo, com começo, meio e fim. Ele proporciona ao artista uma possibilidade de experimentação artística, pesquisas de novas dramaturgias, novos formatos de cenas”, explica o idealizador do festival.

Para Monnzaho, os espetáculos de hoje resumem o que lhe despertou o interesse para conceber o projeto: a oportunidade de a cena curta acessar vários tipos de estética. “As quatro peças transitam entre o drama, a comédia, a palhaçaria e o teatro documental. A noite de hoje consegue ser um resumo do festival”, detalha o idealizador. Ao final das sessões, o público escolhe a cena favorita que receberá o troféu do júri popular.

O brasiliense pode conferir nesta quinta-feira o monólogo O nunca jamais imaginado, interpretado pelo carioca Jansen Castellar, que narra o próprio cotidiano; um conto de amor cômico entre duas bailarinas palhaças em Não pode beijar aqui, do grupo paulista Circo Di SóLadies; o monólogo Macacos sobre o racismo no Brasil da Cia. do Sal; e Fumaça! do colombiano Daniel Satin, que mistura magia, arte e palhaçaria. “Ao longo desses anos, são mais de 1.200 artistas entre produtores e técnicos envolvidos no projeto. No evento trabalhamos com artistas renomados, mas também damos oportunidades para estudantes que estão se apresentando pela primeira vez no mercado”, conclui Monnzaho. 

O início


Tudo começou em Belo Horizonte quando Monnzaho, ainda universitário, assistiu a um festival, também de cenas curtas de teatro, promovido pelo grupo Galpão. “Voltei  e comecei a realizar algo semelhante em Manaus. A primeira edição ocorreu em um teatro pequeno, para 100, 150 pessoas. Mas tinha sempre o dobro de gente aguardando do lado de fora”, relembra o produtor. No ano seguinte, Monnzaho assumiu o desafio e realizou o Breves Cenas de Teatro no Teatro Manaus para mais de 800 pessoas. “A população aderiu ao projeto. A cidade, que tem dificuldade de acesso a produtos artísticos, estava ansiosa por algo assim, então o movimento foi muito orgânico”, acrescenta.

Desde a primeira edição, as inscrições para o Breves Cenas de Teatro ficam disponíveis para artistas, grupos e companhias teatrais de todo o território nacional e latino-americano. Com isso, o projeto fomenta o intercâmbio profissional e artístico dos participantes e impulsiona a carreira de artistas que não necessariamente integram o eixo Rio-São Paulo. Da mesma forma que a população amazonense aderiu ao festival, também abriu os palcos da região para artistas independentes e não independentes. 

“Hoje, sobretudo com essa circulação nacional, entendo o Breves como tendo dois lugares de reverberação. O primeiro na cidade de Manaus. Lá, ele se tornou tão potente que é uma ferramenta da cidade de discussão e circulação de objetos artísticos. O segundo, a ampliação para todo o país, principalmente no momento em que a gente vive, faz do festival uma plataforma de circulação e intercâmbio cultural entre artistas”, analisa Monnzaho. 

Festival Breves Cenas de Teatro

No Teatro da Caixa Cultural Brasília. Hoje, às 20h. Entrada gratuita. Não recomendado para menores de 18 anos.
 
 
 
 
 

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