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Correio Braziliense

Em Brasília, jornalista lança livro sobre a trajetória do Planet Hemp

A ideia de escrever uma biografia da banda era um desejo antigo do carioca Pedro de Luna


postado em 31/10/2019 06:20

A ideia de escrever uma biografia da banda Planet Hemp era um desejo antigo do carioca Pedro de Luna(foto: Zeca Santos/Divulgação)
A ideia de escrever uma biografia da banda Planet Hemp era um desejo antigo do carioca Pedro de Luna (foto: Zeca Santos/Divulgação)


A história do Planet Hemp passa por Brasília. A banda vivenciou na capital um dos momentos mais difíceis da carreira. Após o show em 8 de novembro de 1997 no Minas Brasília Tênis Clube, o grupo, na época formado por Marcelo D2, Black Alien, Jackson, Formiga, Bacalhau e Zé Gonzales, foi preso sob a acusação de apologia à maconha. Essa narrativa abre o livro Planet Hemp: Mantenha o respeito, do carioca Pedro de Luna, com lançamento nesta sexta-feira (1/11) e sábado (2/11) na cidade.

“O livro começa com o show de Brasília, com a descrição do momento que antecedeu a prisão. Desde o momento em que o técnico de som, que foi interceptado por uma pessoa dizendo que ia gravar o som do show, até a correria no camarim e o quebra-quebra que aconteceu depois, quando o público ficou sabendo. Esse episódio é um divisor de águas para a carreira do Planet Hemp. Deixou-os mais famosos. Eles foram capas de todos os jornais e revistas. A visibilidade depois da prisão foi enorme. Mas, ao mesmo tempo, foi algo muito triste”, conta Pedro de Luna.

A ideia de fazer uma biografia da banda era um desejo antigo. “Eu já tinha outros livros sobre o rock brasileiro. Sempre fiquei ali com a ideia, com aquela pulguinha atrás da orelha (de fazer um livro sobre o Planet Hemp), por ser uma banda de que gosto muito, e porque nos anos 1990 era uma das grandes bandas do Rio de Janeiro”, revela. Em meio à produção da obra, um amigo, editor da Belas Letras, fez um convite: “Estava tomando coragem. Talvez, fosse fazer de forma independente, com um crowdfunding. Mas com a editora foi para livraria, foi mais abrangente”.

Concepção e narrativa

Foram dois anos para escrever o livro, sem falar na pesquisa. Para chegar até o material de Planet Hemp: Mantenha o respeito, o jornalista fez uma série de entrevistas presenciais com os integrantes e também com pessoas ligadas à trajetória do grupo, como a presidente do fã clube, pessoas da equipe técnica, o cantor Seu Jorge e o brasiliense Ronaldo Pereira, o primeiro empresário do Planet Hemp. “O Ronaldo foi o cara que começou com a banda. Ele se dedicou muito ao grupo. O Planet Hemp nasceu no estúdio dele no Rio, o Groove”, diz. A entrevista com Seu Jorge é uma preferidas de Pedro pela sinceridade. “Ele foi percussionista. Ele estava na maior depressão e contou que se reergueu graças ao Planet Hemp. Ele é muito grato”, lembra.

O livro tem uma narrativa cronológica do Planet Hemp. A ideia foi começar a história antes do início da banda, retratando o contexto histórico. “Era importante vir da adolescência dos caras, o que eles ouviam, entender a cena do centro do Rio que depois migrou para Botafogo, onde houve o encontro entre essa geração do punk com a da universidade. Senti uma necessidade de colocar um mapa, com 60 pontos turísticos por onde o Planet Hemp passou no Rio, intitulado Localize já”, revela.

Durante a pesquisa, o jornalista conseguiu, ainda, um banco de imagens riquíssimo com panfletos, negativos, recortes de jornais e revistas e fotos reveladas: “Fiquei muito feliz e emocionado”.
 

Fases destacadas do Planet Hemp no livro

Por Pedro de Luna

"Acho que o Planet Hemp foi dividido por várias fases. Isso é muito claro. Até pelo espaço de tempo entre os discos. O primeiro momento, que é o primeiro disco, é um momento de anarquia. Era uma banda muito anárquica, onde todo mundo tocava nos shows deles. Não tinha frescura. Quando estava negociando com a Sony Music, eles foram fazer uma reunião, tinham, bebido e fizeram xixi na sala de reunião de gravadora. Isso foi em 1994/1995. Outro momento foi em 1996, outro divisor de águas, quando o BNegão saiu da banda. Ele foi o primeiro que saiu, porque o Planet Hemp não era a banda do coração dele. Foi quando entrou o Black Alien. Eu sou de Niterói e a cidade ficou muito orgulhosa da entrada dele, porque Niterói se viu representado por ele. Tem o episódio da prisão, que é por onde o livro começa. Esse episódio é um divisor de águas para a carreira do Planet Hemp. Os deixou mais famosos. Eles foram capas de todas os jornais e revistas. A visibilidade depois da prisão foi enorme. Mas, ao mesmo tempo, foi algo muito triste. Outro momento é no terceiro disco, quando a banda cresceu de uma maneira, que muita gente foi tocar no Planet Hemp. Até Seu Jorge. Ele foi percussionista. Ele estava recém-saído do Farofa Carioca na maior depressão. Ele conta no livro que se reergueu graças ao Planet Hemp e começaram a rolar as coisas para ele. Ele é muito grato ao Planet Hemp". 


Painel e lançamento do livro

Shopping Pier 21 (SCES, Tc. 2). Sexta-feira (1/11), às 16h30. Painel do Prêmio Profissionais da Música “O mercado de livros e biografias musicais”. Às 17h30. Lançamento do livro Planet Hemp: Mantenha o respeito, com sessão de autógrafos e venda do livro ao valor de R$ 70. Entrada franca. Classificação indicativa livre.



Lançamento do livro e palestra com Pedro de Luna

Guiles Green Tabacaria e Headshop (203 Norte, Bl. C, Lj. 7). Sábado (2/11), das 15h às 22h. Palestra “Planet Hemp e a liberdade de expressão” com o autor Pedro de Luna, lançamento do livro Planet Hemp: Mantenha o respeito, exibição do filme Legalize já — Amizade nunca morre e discotecagem. Entrada franca. Não recomendado para menores de 18 anos.

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