Publicidade

Correio Braziliense

Filme 'Doutor Sono' traz desdobramentos do personagem de 'O iluminado'

Longa adaptado da obra de Stephen King é um dos destaques entre as estreias da semana. Confira


postado em 07/11/2019 06:40

Danny (Ewan McGregor), em 'Doutor Sono': aconselhamentos de Dick (Carl Lumbly)(foto: Warner Bros./Divulgação)
Danny (Ewan McGregor), em 'Doutor Sono': aconselhamentos de Dick (Carl Lumbly) (foto: Warner Bros./Divulgação)


Que o filme O iluminado (1980) seja um clássico, talhado pela obsessiva precisão do diretor Stanley Kubrick, não há como negar. Então, passados 40 anos, qual seria o risco de uma reaproximação da obra saída da literatura de Stephen King que, adaptada para a telona, projetou a imortalidade para o personagem central — o amalucado Jack Torrance, personificado por Jack Nicholson? Risco pequeno, dada a precaução do diretor Mike Flanagan (lembrado por Ouija: Origem do mal, de 2016), que assina um novo universo, embebido por referências a King e Kubrick, e empacotado para o cinema com o nome de Doutor Sono.

“Fomos abençoados. Tivemos acesso a todos os elementos de design de O iluminado. Li todas as anotações, os esboços dirigidos à equipe e a ele mesmo. Resultou na mais esclarecedora lição de cinema da minha vida”, comentou, no exterior, o diretor ao The Huffington Post. King, eterno descontente com a adaptação anterior de sua obra, relutou, à primeira vista, para escavar nos escombros do que considerava um equívoco de cinema. É de 2013, Doutor Sono, a obra literária de Stephen King que examina traumas do personagem Danny Torrance (o filho de Jack); agora, na vida adulta.

Responsável pela direção, pela edição e pelo roteiro de Doutor Sono, Mike Flanagan assinou no campo do streaming obras como A maldição da Residência Hill e Jogo perigoso (2017). Em Doutor Sono, ele preferiu conservar o final inovador, criado por Kubrick, para o Hotel Overlook — presente em ambas as fitas, e um dos componentes que mais aguçam a instabilidade do patriarca Jack. Acirrar o temperamento e expor a raiva deixam o crescido Danny (Ewan McGregor) mais “próximo do pai” (o vilão de O iluminado), em Doutor Sono, que confirma a tese dele de que “a gente nunca acaba”. A crença pela imortalidade é um dos itens mais gritantes do roteiro.

Ao site Indiewire, o ator Ewan McGregor contou ter evitado buscar referências na antiga interpretação de Danny Lloyd (o menino Danny, de O iluminado, e que aparece, de relance, numa cena de basebol de Doutor Sono). “Mas me aproximei da representação do Jack Nicholson. Tentei parecer, na sonoridade da voz, o filho do Jack criado por ele”, explicou. Na trama de Doutor Sono, Danny se diz doente e pede ajuda ao novo amigo Billy (Cliff Curtis, de Encantadora de baleias).
 
(foto: Warner Bros./Divulgação)
(foto: Warner Bros./Divulgação)
 

Pior que ressaca


Oito anos de sobriedade favorecem uma efetiva mudança de vida. Uma ameaça itinerante — encerrada num grupo batizado de Verdadeiro Nó e que almeja vida eterna — circunda Danny. Enquanto ele tem habilidades de se comunicar por pensamentos e por diálogos, a distância, escritos numa lousa, o pessoal do Verdadeiro Nó pretende perpetuar a vitalidade, investindo em rituais abastecidos por corpos de jovens brilhantes como Abra (Kyliegh Curran). Na visão do perverso grupo, um “vapor” (repleto de poderes) residiria nas dores de rapazes e moças atacados. Liderados por personagens que remetem, na aparência, aos celebrados astros Bo Derek e Johnny Depp, os integrantes do Verdadeiro Nó trazem atores como Rebecca Ferguson (de O rei do show e da franquia Missão: Impossível), Emily Alyn Lind (na pele da perigosa loura Andi) e Zahn McClarnon (no papel do Corvo). Com tanta situação paranormal em curso, no enredo de Doutor Sono, nem seria necessário enfatizar que Danny tem lá seus poderes quase incontroláveis e, como espécie de mensageiro e conselheiro para a solução de anseios pessoais, ele conte com a presença de Dick (Carl Lumbly), amigo de outro plano que alerta das diretrizes dos adversários espirituais de Danny: “eles comem gritos e bebem sofrimento”.

Outras estreias


(foto: CJ Entertainment/Divulgação)
(foto: CJ Entertainment/Divulgação)

Parasita 

• Votada por unanimidade como vencedora da Palma de Ouro do Festival de Cannes, a produção sul-coreana de Joon-ho Bong se concentra no destino de uma família que, desempregada, vê oportunidades ao se aproximar de família muito rica.

Bate coração 

• Conquistador e preconceituoso, Sandro (André Bankoff) é acostumado a excessos na vida, até que um acidente colocará pela frente a necessidade de ele descartar preconceitos. Filme de 
Glauber Filho, com Aramis Trindade no elenco.

Cadê você, Bernadette? 

• Autor de filmes cult como Boyhood e Antes do pôr-do-sol, Richard Linklater comanda Cate Blanchett (Elizabeth) e Kristen Wiig numa trama em que uma mulher, sofrendo agarofobia, desaparece.

Ventos da liberdade 

• Acompanha a rota e os planos de duas famílias empenhadas numa fuga do domínio, na Alemanha Oriental, e que sonham com mais liberdade, do lado ocidental germânico. O filme de Michael Bully Herbig reaviva uma história real.

(foto: Disney/Divulgação)
(foto: Disney/Divulgação)

Link Perdido 

• Animação de Chris Butler. Investigador de mitos e de monstros, homem recebe missão que pode, definitivamente, projetá-lo no raro filão profissional. Na dublagem original do longa, os atores Hugh Jackman e Zach Galifianakis emprestam as vozes.

Meu amigo Fela 

• Autor de Filhas do vento, Joel Zito Araújo se concentra no enredo de embates contra preconceitos, sob a liderança do músico nigeriano Fela Kuti.

Cine São Paulo

• De Ricardo Martensen e Felipe Tomazelli. Documentário mostra a luta quase centenária para a manutenção de um cinema em Dois Córregos (São Paulo), com projetor, a princípio, movido a carvão.

Retablo

• Representante peruano na disputa no Oscar, o filme de Álvaro DelgadoAparicio mostra um jovem destinado a seguir os passos do pai artesão; isso até a revelação de um segredo pesado.

Sefarad

• Às vésperas do século 16, rei português proíbe o judaísmo. Quatro séculos depois, o longa de Luis Ismael examina os reflexos da fundação da Comunidade Judaica do Porto (ao norte português).
 
 
 
 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade