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Correio Braziliense

Após 11 anos sem lançar um CD, Margareth Menezes volta com 'Autêntica'

O álbum inédito conta com participação de vários nomes da nova geração


postado em 10/11/2019 06:00

(foto: José de Holanda/Divulgação)
(foto: José de Holanda/Divulgação)

“Agora que são elas quero ver parar/ Mulher da minha vida eu prefiro ser/ Lugar da mulherada é em qualquer lugar/ O que é que tá faltando pro homem entender?”. Esse verso de Mulher da minha vida, música de Gabriel Moura e André Lima, pode ser visto como uma síntese de Autêntica, título do álbum com o qual Margareth Menezes dá início a uma nova fase de sua trajetória artística.

Há 11 anos sem lançar um disco de inéditas, a cantora baiana exibe neste trabalho — de forma mais acentuada —, a faceta de compositora, ao assinar cinco das 13 canções do repertório. Em todas elas, a artista baiana reafirma, com interpretação personalíssima, a condição de principal representante do afropop brasileiro.

Autêntica, produzido por Tito Oliveira é um projeto que reúne, predominantemente, criações de compositores baianos de diferentes gerações, que utilizam como característica básica elementos do afro-urbano, universo explorado por Margareth desde 1992, quando lançou Um canto pra subir, o CD de estreia.

Sozinha, a cantora fez Minha mãe, minha musa, Vento sã, Amor e desejo; tem parceira de Nabiyah Be (filha de Jymmy Cliff) em Querera; e de Alfredo Moura e Mokhtar Samba em Capoeira mundial. De Gilberto Gil ganhou Paraguassu; e de Carlinhos Brown e André Lima, Perfume de verão. Luedji Luna e Ravi Ladin são autores de Mãe Preta; Flávia Wenceslau marca presença com Por uma folha; enquanto Peu Meurray, Fabinho Alcântara, Aline Barr e Magary Lord, assinam Retrato 3x4. Já o carioca Jorge Vercillo comparece com Por nós. Há ainda Elegibô – Peaceful heart, com letra bilingue — português e inglês — criação a seis mãos de Ahmed Soultan, Samira Ammouri e Margareth Menezes.

No processo criativo de Autêntica há a participação de nomes de destaque na nova cena musical baiana, como o guitarrista Roberto Barreto, do celebrado BaianaSystem, em Vento sã; Larissa Luz, em Capoeira mundial; sem esquecer Luedji Luna, coautora de Mãe Preta. Um reforço e tanto pata o novo projeto da Margareth.

Com propriedade, Caetano Veloso, fã assumido da cantora, escreve na apresentação do álbum: “Margareth é uma voz que sobressai na multitudinária criatividade da música de carnaval soteropolitano. Entre tantas vozes, entre tantos sons de guitarras e tambores, Margareth emite um grito que se distingue pela Massaraduba da vida. No seu timbre inigualável, eis a itapagipana com canções novas, muitas delas de sua autoria, preparadas para aquecer o coração da gente. O coração e o resto”.

(foto: José de Holanda/Divulgação)
(foto: José de Holanda/Divulgação)

Por que ficou 11 anos sem lançar disco?

Naturalmente Acústico, de 2010, havia sido o meu último CD lançado. Mas nos anos seguintes, protagonizei vários projetos, entre os quais o show em que fiz homenagem a Caetano Veloso e Gilberto Gil; participei de outros, entre os quais o que celebrou Chico Buarque, ao lado de Daniela Mercury, Elba Ramalho e outras cantoras, apresentado inclusive em Brasília; liderei o movimento Afropop Brasileiro; lancei singles, nunca deixei de tomar parte do carnaval de Salvador. Com o show Voz Talismã estive em várias cidades brasileiras. Como pode ver, nunca fiquei parada, ao longo de 11 anos.

O Autêntica se insere dentro da proposta do afropop brasileiro?

Embora não falte quem me veja como uma cantora ligada ao carnaval baiano, já há algum tempo tenho erguido a bandeia do afropopbrasileiro, que é a minha identidade, é a temática que tenho abordado frequentemente, mas associada ao universo das mulheres negras.


Mas, o carnaval de Salvador não contém também elementos do que você propaga?

O afropop também se faz presente no carnaval, mas no meu trabalho recebo influências e informações da Tropicália, do rock, dos sons eletrônicos, da mistura rítmica que se observa na contemporaneidade da música brasileira. O afropop é um amálgama de tudo isso. Além do mais, a Bahia sempre foi plural musicalmente. Basta lembrarmos de Dorival Caymmi, João Gilberto, Raul Seixas, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Carlinhos Brown.

Qual foi sua busca com esse novo projeto?

Quis mostrar que posso expandir a minha perspectiva e que o artista baiano contemporâneo não está fechado dentro da caixinha do carnaval, que é limitada. O que para mim é muito pouco.


Você dedicou esse trabalho à sua mãe. Como a via como mulher? 

Minha mãe faleceu no ano passado. Antes e tudo era uma pessoa digna, de origem humilde, uma simples dona de casa, que criou cinco filhos. Compus uma música para ela, Minha mãe, minha musa para homenagear esse exemplo maior de ser humano.


Paraguassu, composta por Gilberto Gil é um dos pontos altos do disco. Ele atendeu a um pedido seu?

Essa música Gil compôs para uma das edições do Festival Percpan, que ocorria no Teatro Castro Alves, do qual participei com Daniela Mercury e Ivete Sangalo. Na verdade, ele fez música para cada uma de nós. A mim, ele destinou Paraguassu, que criou inspirado numa índia da tribo Tupinambá. Na produção do disco, o maestro Alfredo Moura fez o resgate e criou um novo arranjo. Quando voltei a ouvi-la, achei que tinha tudo a ver com esse trabalho.


Por que quis artistas da nova cena musical baiana nesse disco?

Acho importante dialogar com artistas da nova geração. Todos os que participam do Autêntica são muito talentosos cantores e trouxeram importante colaboração. Há também a paraibana Flávia Venceslau, outro grande talento, a que conheço há algum tempo. Ela, inclusive, tem músicas gravadas por Maria Bethânia.

Autêntica
CD da cantora Margareth Menezes com 13 faixas. Lançamento Estrela do Mar; Natura Musical. Preço sugerido: R$ 29,90.

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