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Correio Braziliense

Afinidades entre autores dão liga à reunião de crônicas

Em 'Crônicas para ler em qualquer lugar', Xico Sá, Maria Ribeiro e Gregório Duvivier fazem um verdadeiro desabafo coletivo sobre os novos tempos


postado em 11/11/2019 06:10 / atualizado em 11/11/2019 10:53

Xico Sá, Maria Ribeiro e Gregório Duvivier fazem um verdadeiro desabafo coletivo sobre os novos tempos(foto: ArquivoPessoal)
Xico Sá, Maria Ribeiro e Gregório Duvivier fazem um verdadeiro desabafo coletivo sobre os novos tempos (foto: ArquivoPessoal)

As afinidades políticas e literárias entre Xico SáMaria Ribeiro e Gregório Duvivier existiam como amor à primeira vista. E desde sempre. Mas, conta Xico, foi na estrada, no uísque dos camarins e na sinceridade dos palcos que a banda de rock afinou e deu liga. Crônicas para ler em qualquer lugar é o fruto dessa liga. Costuradas por uma introdução escrita a seis mãos, as 43 crônicas reunidas nesse pequeno livro são um verdadeiro desabafo coletivo sobre os novos tempos. Uma mistura de textos publicados em jornais e outros inéditos, o livro é o que Xico Sá chama de “ménage à trois da crônica brasileira”.

O projeto tem seis mãos e, como aponta Xico, fígados corajosos. “Hepaticamente falando, confesso que ainda não bebi a cota que Dionísio e Baco me reservaram nessa Terra. Meu problema, como diz a lição de anatomia da música brega, sempre foi o coração”, garante o escritor. Para o autor de Big jato, a crônica é um gênero literário urgente no Brasil de hoje. Nesse espaço, é possível cultivar a crítica de uma forma mais leve e pessoal. “Nunca precisamos tanto da crônica de amor, de humor, de sacanagem — uma resistência ao falso moralismo — ou mais diretamente de política. É isso o que o nosso livro traz, às vezes com muito lirismo e, em algumas outras páginas, com uma certa indignação ou desabafo”, avisa o escritor, que conta, em entrevista, que o cronista também precisa se expor.

A política pauta boa parte dos textos, mas há também reflexões sobre música, cultura, internet, futebol e religião. O tom polêmico não escapa e faz parte da cartilha dos autores. Em Querido pastor, Duvivier assume a identidade de Jesus para passar um sermão no pastor-deputado e avisar que é de esquerda, já que são os pobres os aptos a entrarem no reino dos céus. Maria Ribeiro conta da sua batalha para virar voto na eleição de 2018 em Obrigada, Bolsonaro e Xico Sá faz uma homenagem a Chico Buarque em Ouvindo o disco novo do Chico. É esse o tom desse conjunto de crônicas, que pode ter aspecto de déjà vu, mas ajuda a rir das próprias mazelas.

Quatro perguntas /  Xico Sá


Você se sente exposto quando escreve crônica? Ou quando participa de programas de debate?

Sou do tipo de cronista que se faz personagem nos textos, que se confessa para o garçom, que revela as pequenas glórias e os fracassos, que chora em público e não usa óculos escuros para as minhas lágrimas esconder. Cronicamente exposto. É do jogo. Nos debates acontece a mesma coisa, mas falando sou um pouco mais contido do que escrevendo.

É preciso se expor no Brasil de hoje? 

Não é obrigação, cada um é livre para decidir sua história, mas prefiro me manifestar, provocar, não deixar quieto, afinal de contas o momento político é gravíssimo. Como ficar calado diante da censura a livros ou da destruição das universidades? Não dá. Nesse sentido, faço barulho como um morador de Bacurau.

Você já esteve no Saia justa (GNT), no Papo de segunda (GNT) e no Amor e sexo (Rede Globo). E, agora, faz parte do Redação SporTV, às sextas. O que você mais gosta nessa coisa de fazer TV?

Sigo assombrando os generosos telespectadores somente às sextas, no programa Redação. No começo, por causa da timidez de matuto do sertão, morria de medo das câmeras, mas com o tempo perdi a vergonha. Sempre fui um velho homem de texto, imprensa escrita, que é o que mais amo fazer, mas com o desmantelamento da nossa profissão, não tem escolha: meto a cara em tudo que aparece, afinal de contas sapo não pula por boniteza, sapo pula por necessidade.

Qual seu maior vício?

A única droga pesada que consumo no momento é o Twitter. Ando muito careta na velha trindade religiosa do sexo, drogas & rock´n´roll.
 
 
(foto: Todavia/Reprodução)
(foto: Todavia/Reprodução)
Crônicas para ler em qualquer lugar
De Gregório Duvivier, Maria Ribeiro e Xico Sá. Todavia, 110 páginas. R$ 44,90
 
 

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