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Correio Braziliense

Rappers do DF conquistam vagas do Centro-Oeste no Duelo Nacional de MCs

Morador de Planaltina, Jhon MC foi o campeão regional, e Hate Aleatório, do Recanto das Emas, o vice


postado em 11/11/2019 14:14 / atualizado em 11/11/2019 14:14

Jhon (à esquerda) e Hate (à direita): rivalidade sadia, mas sem aliviar nas rimas(foto: Rodolfo Castro/Divulgação)
Jhon (à esquerda) e Hate (à direita): rivalidade sadia, mas sem aliviar nas rimas (foto: Rodolfo Castro/Divulgação)

O Distrito Federal e o Centro-Oeste estão muito bem representados no Duelo Nacional de MCs, maior evento de batalhas de rimas do Brasil. Os rappers Enrique de Amorim e Jhonatan Brito, mais conhecidos como Hate Aleatório e Jhon MC respectivamente, conquistaram as vagas regionais neste domingo (10/11), no Mato Grosso do Sul. Agora o foco é no maior desafio que ocorrerá em 14 e 15 de dezembro, em Belo Horizonte.

 

Morador do Vale do Amanhecer, em Planaltina, Jhon MC foi o grande campeão regional desta edição. O arquiteto e urbanista, de 26 anos, se inseriu no movimento hip-hop aos 14 anos, quando dançava break, ainda sem contato com MCs de freestyle. O primeiro encontro com as batalhas foi apenas em 2016 no próprio bairro: “Passei pela batalha para assistir, na ocasião faltava um MC para fechar a lista e me perguntaram se eu rimava também. Vi pessoas com quem cresci e pensei "se eles estão dizendo que sabem, eu também sei". Porque, até então, nunca os havia visto rimar. Topei participar e cheguei a semifinal”, conta o estudioso rapper que, desde então, nunca mais parou de frequentar os duelos semanais. 

 

Além de apaixonado pelo freestyle, Jhon é um dos grandes representantes do DF no estilo, esta foi a segunda vez que ele participou das seletivas regionais. Na primeira, acabou sendo eliminado pelo atual campeão nacional, Miliano, do Mato Grosso do Sul. Nesta oportunidade, a preparação foi intensa para que não acontecesse o mesmo resultado. "Psicologicamente venho me preparando desde o ano passado. Em relação ao freestyle, costumo ler, estudar e aprender sempre sobre coisas novas. No fim das contas, rimar é a parte fácil, difícil é ter o que dizer”, relata.

 

Representar o sonho de muitos MCs de toda região não é tarefa fácil, segundo Jhonatan é um misto de gratidão e reconhecimento, e por isso tudo uma emoção indescritível. “O processo seletivo foi extenso, só no DF houveram mais de 50 batalhas envolvidas, expandindo para os demais estados facilmente ultrapassam os 600 MCs batalhando por estas vagas. É realmente uma grande felicidade saber que todo o esforço, suor e apoio me trouxeram até aqui. É um sonho para cada um dos MCs e um sonho coletivo para os que nos cercam”.

 

Já o rapper de 19 anos, Hate Aleatório participou pela primeira vez de uma seletiva regional, mas já chegou com pé na porta, se sagrando vice-campeão e conquistando as passagens para Minas Gerais. Representando o Recanto das Emas por onde passa, ele diz que não pensava em viver este momento, mas sempre acreditou que teria grandes conquistas. “Quando entrei para esse mundo das batalhas de MCs não imaginei algo assim, mas quando percebi que tinha dom e capacidade de conquistar, já me imaginei em grandes lugares tendo grandes vitórias”, explica.

 

O jovem, que também começou na música em 2016 -- na época escrevendo poesias para aulas de português -- depois passou a rimar com amigos nos intervalos da escola até que inicou a participação em batalhas de freestyle. “Arte na minha vida só está abaixo da família, a importância dela é algo imensurável. Mudou minha vida, minha mente. É algo que bate de frente com todos os problemas da sociedade e deixa a vida interessante”, diz em entrevista ao Correio.

 

O fim de 2019 tem sido especial para Hate. Em menos de um mês, o rapper foi campeão, lançou o single Gol quadrado, ao lado de RuProblema, que chegou a mais de 5 mil visualizações no YouTube em menos de dois dias de lançamento, e agora a vaga para o nacional. “Vejo esse momento de ascensão da minha vida como fruto de muito trabalho, estudo, correria intensa, simplesmente dando a vida pela arte e buscando ser o máximo profissional possível em todos os âmbitos. Eu sempre foco em fazer por merecer minhas conquistas, acredito que mereço tudo isso”, revela.

 

Ouça 'Gol quadrado' de Hate Aleatório e RuProblema

 


Rivalidade Sadia

 

Companheiros de viagem, parceiros de mesmo sonho, mas rivais nas batalhas. Por terem alto nível, os MCs acabam se enfrentando bastante nos duelos, o que cria uma disputa entre os dois. Na Seletiva Estadual, Jhon e Hate se enfrentaram e o morador do Recanto levou a melhor. Já na Regional, o arquiteto foi o vencedor. Mesmo com os duelos, os dois mantém uma amizade, contribuindo para uma rivalidade sadia.

 

“A batalha tem cláusulas que devem ser seguidas, então não dá para pegar leve só porque é amigo ou algo do tipo. Tem sim uma rivalidade sadia entre nós, que, no final das contas, acaba ajudando a subir nosso nível na batalha, já que ninguém quer perder”, avalia Hate.

Jhon completa que se motiva mais quando enfrenta oponentes como Enrique: “Todas as vezes em que nos enfrentamos foram batalhas muito disputadas, em que detalhes mínimos definiram o campeão. O Hate é um oponente de alto nível e é versátil em relação as temáticas que aborda. Isso me obriga a no mínimo entregar o mesmo, assim ambos evoluímos”.

 

Com a amizade na mala, os dois retornam a Brasília para continuarem evoluindo para a maior batalha de MCs, que além de oferecer um grande reconhecimento no cenário do hip-hop, tem prêmios em dinheiro. Ano passado, o vencedor levou para casa R$ 10 mil, desta vez a premiação será surpresa, gerando grande expectativa.

 

*Estagiário sob a supervisão de Adriana Izel

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