Publicidade

Correio Braziliense

Guerreiras da arte se apresentam em festival pela defesa das mulheres

A russa Pussy Riot estará em Brasília nesta quarta-feira


postado em 13/11/2019 07:00 / atualizado em 13/11/2019 08:01

Representada por Nadya Tolokonnikova, a banda Pussy Riot é uma das atrações(foto: Pussy Riot/Divulgação)
Representada por Nadya Tolokonnikova, a banda Pussy Riot é uma das atrações (foto: Pussy Riot/Divulgação)


Quase que num susto, há cerca de uma semana, o Distrito Federal ficou sabendo que na noite de hoje, uma improvável quarta-feira, aconteceria na cidade um festival que traria a polêmica banda russa Pussy Riot, a DJ Vivi Seixas, filha de Raul Seixas, e os grupos brasilienses Romanov, de rock lacração, o coletivo percussivo Batalá e o coletivo de grafite Matildas. As atrações do evento, que conta também com feirinha, espaço zen e performances, poderão se apresentar sem aviso prévio. Em comum as atrações, surpreendente ou não, anunciadas ou não, trazem o propósito explicitado no subtítulo: em defesa da vida das mulheres.

A DJ Vivi Seixas, que mora em Brasília há mais quase um ano e organiza na cidade o festival Love Beatz, herdou do pai, Raul Seixas, muito mais a rebeldia do que o estilo musical. “Como qualquer adolescente, eu passei pela minha crise existencial. Havia cobrança dos fãs (de Raul Seixas) de eu ter que tocar guitarra e cantar. Mas me apaixonei pela música eletrônica quando comecei a frequentar festivais. Um pouco de rebeldia mesmo. O fato é que meu coração bateu mais a forte, apesar de adorar o rock”, conta a filha rebelde. Apesar disso, a DJ, que há 15 anos toca os estilos house music e tech house com pitadas de tecno, preparou um set bem especial, só de rock’n’roll com vocais predominantemente femininos — de Elza Soares, Blondie e Janis Joplin até a contemporânea Letrux.

Para ela, a música tem o poder de transmitir mensagens importantes e mobilizar o público, independentemente do estilo. “A música eletrônica pode sim passar uma mensagem política, dependendo do vocal, mas geralmente não tem muita letra. A partir do momento em que você tem um jeito especial de dançar, você pode se expressar e dançar da forma que quiser. A galera da música eletrônica é uma nova sociedade alternativa”, conceitua.

Vivi ficou orgulhosa de participar de um festival com uma temática tão importante, em que caminhos são apontados. “É a primeira vez que eu fui chamada para tocar em um festival dessa importância, e me senti muito honrada. Não cobrei nada de cachê. Fiz questão de abraçar a causa. A agressão contra a mulher tem acontecido com muita frequência. Isso tem que ser abortado. Qualquer evento, qualquer forma de estar falando sobre esse assunto é valida. A gente tá precisando de mais apoio, mais eficiência da polícia, uma justiça mais eficaz”, aponta.

*Estagiário sob a supervisão de Severino Francisco




Pussy Riot no Bravas Brasil — em defesa da vida das mulheres Yurb — Complexo de contêiner 
(Setor de Clubes Esportivos Sul Trecho 2). Hoje, às 18h. Festival feminista de música com as bandas Pussy Riot, Romanov e Batalá, coletivo de grafite Matilda e DJ Vivi Seixas. Entrada franca, mediante doação de 1kg de alimento. Não recomendado para menores de 18 anos. 



Confira as atrações

Pussy Riot
• Mais do que uma banda de punk rock feminista, a russa Pussy Riot é uma espécie de coletivo artístico guerrilheiro que já se meteu em bastante confusão para defender os direitos humanos e, sobretudo, das mulheres, em forte oposição às políticas do presidente Vladmir Putin. Em 2012, em oposição a ele, fizeram um concerto em uma catedral russa e foram presas. A artista conceitual Nadya Tolokonnikova, que ficou detida até 2013, representa a banda no concerto de hoje à noite.


Romanov
• Apesar do nome, a banda não é conterrânea da headliner do festival. É daqui da cidade mesmo. Acompanhada pelos experientes roqueiros André Guolha (guitarra), Fernando de Castro (baixo) e Leo Cavalcante (bateria), a versátil cantora Michele Chitko comanda o rock lacração e empoderado, repleto de energia e animação.


Batalá
• Uma banda de percussão ativa em brasília há 15 anos, formada por diversos tipos de mulheres unidas pela paixão ao ritmo. O estilo samba-reggae guia os figurinos e músicas autorais do grupo.


Coletivo Matilda
• O som que essas mulheres fazem é o dos sprays que colorirão ainda mais o festival. O nome do coletivo de grafiteiras significa “Guerreira que combate com energia. Forte na batalha”, fazendo jus ao nome do festival. Mais bravas, impossível.



Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade