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Correio Braziliense

Projetos de teatro universitário promovem o debate sobre ensino e prática

Em Brasília, diferentes iniciativas, entre elas o CéU, o 'Iesb em Cena' e a 'Bagagem teatral', estimulam o intercâmbio entre os alunos e fortalecem a cena local


postado em 14/11/2019 06:35

'Viagens de Caetana' é o espetáculo desta quinta-feira no Espaço Cultural Renato Russo, que integra a programação do CéU(foto: Gabriel Pinheiro/Divulgação)
'Viagens de Caetana' é o espetáculo desta quinta-feira no Espaço Cultural Renato Russo, que integra a programação do CéU (foto: Gabriel Pinheiro/Divulgação)

A vocação artística de Brasília é histórica, genuína e, cada vez mais, brasiliense. O ator e diretor Diego Borges, quando era aluno de artes cênicas da Universidade de Brasília (UnB), viajou para diferentes festivais de teatro do Brasil à procura de trocas, referências e aprendizado. Finalizou a formação imbuído de um questionamento misturado com muita vontade: “Brasília é um grande berço do teatro, a UnB tem um curso reconhecido no país, o acesso à capital é fácil, por que não trazer os estudantes para cá? Foi uma motivação bem grande criar um festival na capital do Brasil que pudesse unir as várias regiões do Brasil”, relembra Borges.

Em 2017 nascia o CéU, o primeiro festival nacional de teatro universitário do Distrito Federal. Um encontro de estudantes de diversas universidades e escolas técnicas de artes cênicas do Brasil para promover e incentivar o diálogo e a reflexão sobre os processos de ensino e aprendizagem. São oficinas, mesas de debates, palestras, análises críticas e, claro, espetáculos espalhados por diversos espaços da capital federal. “É uma tentativa de criar um espaço de discussão e de comunhão. Apresentamos espetáculos de outros estados e também valorizamos a produção local. Convidamos professores e artistas”, descreve Borges, que é um dos idealizadores do evento.  

A construção do corpo cômico, a crítica de teatro, a dança em cena e uma residência artística — que fará uma homenagem aos 60 anos da capital com bailarinos, atores e atrizes, performers e músicos — são algumas das atividades. O festival aborda de questões de pedagogia da sala de aula ao dia a dia do mercado. “Por meio do teatro, abordamos o momento social que estamos vivendo. É um espaço para pensar o ensino e a educação dentro e fora da universidade. É um ato de resistência acima de tudo, uma forma de valorizar a cultura, principalmente nesse berço que é o futuro do país”, afirma. 

Para realização da segunda edição do CéU, este ano, o apoio das instituições de ensino, como a UnB, a Faculdade Dulcina de Moraes e o Iesb, além da parceria com locais, como o Espaço Cultural Renato Russo, o Teatro dos Bancários e o Sesc, foram fundamentais para a continuidade da iniciativa. “A produção universitária tem crescido na cidade. Vários grupos surgiram de núcleos dentro das instituições de ensino. É importante valorizar isso. O mercado de Brasília, uma grande parte dele, passou por essas instituições ou teve contato com os professores em oficinas e debates. É o que move a cidade e o que pulsa o festival”, finaliza Borges. 

Alunos de teatro do Iesb interpretam 'As Centenárias', de Newton Moreno(foto: Thiago Sabino/Divulgação)
Alunos de teatro do Iesb interpretam 'As Centenárias', de Newton Moreno (foto: Thiago Sabino/Divulgação)

Para a coordenadora do curso de teatro do Iesb, Lenka Neiva de Souza, ao abrir os palcos para os alunos antes do término da graduação e promover as trocas e o aprendizado em cena, literalmente, se expande as perspectivas de mercado, para o público e para os artistas. A instituição promove, ao final de cada semestre letivo, o Iesb em Cena, uma mostra com várias montagens desenvolvidas pelos próprios universitários. 

“Desde o primeiro semestre, o aluno pode participar. O objetivo é que ele mostre o fruto do trabalho do semestre, enfrente o público, o feedback da plateia e amadureça a profissão que está abraçando na prática”, detalha Lenka.

Professor da Faculdade Dulcina de Moraes desde a década de 1990, Tullio Guimarães também aposta na formação compartilhada, que soma experiências, vivências e conhecimento. Ele desenvolve o projeto Bagagem teatral, que leva, este ano, alunos do Dulcina, do Iesb e da UnB em uma caravana artística por São Paulo. “Vamos conhecer a produção contemporânea de teatro de São Paulo que pouco sai da cidade e viaja pelo país”, analisa Tullio. 


A peça 'Bistrô' nasceu dentro de uma disciplina da Universidade de Brasília(foto: Davi Mello/Divulgação)
A peça 'Bistrô' nasceu dentro de uma disciplina da Universidade de Brasília (foto: Davi Mello/Divulgação)

Depoimento


“Em 2014, ainda cursando Interpretação Teatral em Artes Cênicas pela UnB, fiz uma disciplina do departamento chamada Direção. Foi nesse ano que surgiu a ideia do espetáculo Bistrô e conseguimos concretizá-la. Um espetáculo voltado para espaços não-convencionais, como cafés, restaurantes. Depois de cinco anos, o espetáculo continua. Apresentamos em salas de teatro, cafés, restaurantes e bares. É muito importante e emocionante ver espetáculos que tiveram ponto de partida dentro de uma faculdade e hoje estão no mundo, em temporadas em vários teatros, cidades, temporadas internacionais. É resistência, importante ser reconhecido e assistido”
Marina Olivier, diretora brasiliense do espetáculo Bistrô, em cartaz todas as terças-feiras de novembro no restaurante Bem te Vi, na 408 Sul
 
 
 

Serviço 

CéU - festival nacional de teatro universitário do Distrito Federal
Espetáculo Viagens de Caetana
Na Sala Multiuso do Espaço Cultural Renato Russo. Nesta quinta-feira (14/11), às 20h. Ingressos: R$ 20 (inteira). Não recomendado para menores de 14 anos. 
 
Iesb em Cena 
Mostra com várias montagens desenvolvidas pelos próprios universitários
Centro Universitário Iesb (Campus Sul). Até 2 de dezembro, a partir das 20h. Entrada gratuita. 
Confira a programação completa no link.  
 
Bistrô
No restaurante Bem te Vi (408 SUl). Às terças-feiras (19/11 e 19/11) , às 20h. Ingressos: R$ 15. Não recomendado para menores de 14 anos. 
 

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