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Correio Braziliense

Agnaldo Timóteo anuncia volta aos palcos e agradece Deus por 'milagre'

Depois de ficar em coma por causa de AVC, cantor mineiro faz fisioterapia, diz que toma 'um caminhão de remédios' e tem agenda de shows em dezembro


postado em 16/11/2019 11:23 / atualizado em 16/11/2019 15:51

Agnaldo Timóteo no programa da TV Brasil dedicado a Cauby Peixoto, exibido em novembro de 2018(foto: TV Brasil/divulgação)
Agnaldo Timóteo no programa da TV Brasil dedicado a Cauby Peixoto, exibido em novembro de 2018 (foto: TV Brasil/divulgação)

“Milagre”. É assim que Agnaldo Timóteo explica sua impressionante recuperação depois de passar 59 dias internado em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e um princípio de infarto. “Os médicos disseram para minha família que meu estado era muito grave e delicado, que eu teria apenas 5% de chance de sobreviver. Estava praticamente desenganado. O poder das orações me salvou. Só tenho a agradecer a Deus”, celebra o cantor, que conversou com a reportagem do Estado de Minas, por telefone. Ele está na casa da irmã, Maria Timóteo, a Du Carmo, no Rio de Janeiro.

Desde 19 de julho, quando teve alta do Hospital das Clínicas de São Paulo – ele passou mal em Barreiras, no interior baiano, foi transferido para Salvador e depois para a capital paulista –, o cantor mineiro está sob os cuidados de familiares. Além da fisioterapia diária, toma “um caminhão de remédios”. “É importante respeitar as normas do médico para ficar tudo certinho. Estou contando os dias para voltar à ativa. Afinal, já são seis meses sem fazer show”, diz.

A volta já tem data: 4 de dezembro. Agnaldo conta que essa primeira apresentação será num “programa de televisão importante” em São Paulo, mas ainda não pode revelar a emissora. “Em 2 de dezembro, viajo para lá, porque no dia seguinte estarei no salão do Jassa (o famoso cabeleireiro de Silvio Santos) para pintar cabelo, fazer unha, cuidar dos pés, ou seja, pacote completo. As pessoas vão me ver novamente nos palcos todo arrumadinho, de barba bem feita e cabelos tratados. Como sempre”, avisa.

Agnaldo quer aproveitar a oportunidade e tentar se encontrar com o dono do SBT. “Silvio é uma pessoa que sempre me ajudou. Aliás, tem muita gente na televisão que está a meu lado quando preciso. Sônia Abrão e Datena, durante este período complicado que passei, estavam lá me apoiando”, ressalta.

Além de São Paulo, o cantor revela que tem agenda em Recife, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e na mineira Caratinga, sua terra natal. Em 14 de dezembro, um sábado, fará show no Restaurante Maria das Tranças, na capital mineira. Na noite de Natal, vai se apresentar na praça em Caratinga. O réveillon será em Salvador. “Quero abrir todas as minhas apresentações, no palco ou na TV, interpretando uma canção religiosa para mostrar minha gratidão a esse milagre que aconteceu comigo”, anuncia.

Apesar de ficar internado por tanto tempo, inclusive na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Agnaldo diz que não teve sequelas mais sérias. Em 20 de maio, ele estava no hotel em Barreiras, na Bahia, preparando-se para fazer show numa cidade vizinha, quando começou a vomitar. A pressão subiu e ele ligou para o assessor. “Nunca imaginei na minha vida que teria um AVC. Desmaiei e só acordei em Salvador, para onde fui transferido”, relembra.

Depois do coma induzido e de respirar com a ajuda de aparelhos, ele acordou. “Ali foi um choque, porque quando botei os pés no chão, não senti as minhas pernas. Soltei um palavrão, achei que estava paralítico. Mas era por conta do AVC. A fisioterapia está ajudando o movimento das pernas. Já estou com a vida praticamente normal”, informa.

CAUBY 

Se as pernas sofreram os efeitos do AVC, o mesmo não se pode dizer do vozeirão que o consagrou e lhe rendeu o apelido de “Cauby Mineiro” no começo da carreira, dado por Aldair Pinto, radialista de BH. Durante a entrevista ao EM, Agnaldo chegou até a cantar: “Ninguém é de ninguém/ Na vida tudo passa/ Ninguém é de ninguém/ Até quem nos abraça”. Essa canção, Ninguém é de ninguém, foi gravada também por Cauby Peixoto e Altemar Dutra.

“Minha voz é inabalável, não foi alterada em nada e não sofreu nenhum tipo de dano, seja no timbre ou na amplitude”, assegura Agnaldo. Em 16 de outubro, quando completou 83 anos, ele participou de uma missa em sua homenagem, no Rio de Janeiro, e foi convidado pelo padre a cantar durante a cerimônia. “Foi a primeira vez que cantei em um lugar público depois de tudo o que aconteceu. Foi emocionante, ainda mais no meu aniversário.”

CONVITES 

A vida profissional continua, enfatiza ele. “Por incrível que pareça, acabei tendo muito destaque na mídia e agora estão surgindo muitos convites. É um mal que me trouxe bem”, brinca. Agnaldo destaca o carinho que recebeu de amigos, parentes e, sobretudo, dos fãs durante os momentos mais críticos de sua doença. Não só nas redes sociais, mas por meio de telefonemas e até cartas.

“Ver milhões de pessoas rezando por você e pedindo por sua recuperação é altamente gratificante. Tenho 83 anos de vida, 54 de carreira, 74 discos gravados e mais de 150 sucessos. Ao longo de minha trajetória, nunca fiz nada que pudesse ferir a sensibilidade do povo brasileiro. Sempre respeitei todo mundo. Nunca fui vaidoso, nunca quis ser milionário, só queria ajudar meus pais, minha família. Sou um artista que tem de agradecer a Deus por tudo e também por essa nova chance. Espero que Jesus Cristo continue me amparando na hora em que estiver diante do meu público, seja no palco ou diante das câmeras”, frisa.

POLÍTICA 

Além dos cuidados médicos, a rotina do cantor no Rio de Janeiro se resume às visitas semanais à filha adotiva, Keyty Evelyn, de 13 anos, que mora na Barra da Tijuca. No dia a dia, Agnaldo não deixa de acompanhar o noticiário e se diz assustado com o que está ocorrendo no Chile, Venezuela e Bolívia.

“Fiquei bem preocupado com os nossos vizinhos. No Brasil, as coisas também estão bem complicadas, mas a gente tem de torcer para dar certo. Tenho esperanças”, diz o cantor mineiro, que já foi deputado federal e vereador.

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