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Correio Braziliense

Vida, fé e santidade de Santa Dulce dos Pobres são relatadas em livro

Jornalista Mariana Godoy faz um mergulho na história da primeira santa brasileira: Santa Dulce dos Pobres


postado em 18/11/2019 06:00

(foto: irmadulce.org/Divulgação)
(foto: irmadulce.org/Divulgação)

“A Irmã Dulce, antes de ser santa, vivia a fé. E eram esses detalhes de fé que me interessam muito”. É assim que a jornalista Mariana Godoy explica o processo de pesquisa para a escrita do livro recém-lançado Santa Dulce dos Pobres, que detalha a vida da primeira santa brasileira. A obra, que está entre as mais vendidas, chegou às livrarias no mesmo período em que a Irmã Dulce foi canonizada em cerimônia, em 13 de outubro, no Vaticano, pelo papa Francisco. Até então, a freira havia sido apenas beatificada em 2011 pelo papa Bento 16, reconhecendo o primeiro milagre.

Nascida Maria Rita, Santa Dulce dos Pobres teve uma vida normal. Cresceu com a família em Salvador, brincou nas ruas, torceu pelo time de futebol favorito — o Ypiranga —, até que descobriu essa chama interna da fé e da solidariedade, que a deram a certeza de que queria ser freira. Antes de se dedicar à vida religiosa se formou professora primária, seguindo um desejo do pai. Só assim teve a bênção do patriarca para se tornar Irmã Dulce, nome escolhido para homenagear à mãe, e iniciar a trajetória de santidade, que envolve ajuda aos pobres, obras sociais e milagres, que, em sua maioria, têm a ver com cirurgias que terminaram bem, complicações que foram resolvidas de modo surpreendente, superação de problemas com drogas e alcoolismo e doenças graves que desapareceram sem uma explicação racional.

Para retratar essa história, a paulista Mariana Godoy mergulhou na vida de Dulce, entrevistando pessoas que conviveram com ela, desde a sobrinha Maria Rita Pontes, o museólogo Osvaldo Gouveia, irmãs e padres, até as pessoas que foram tocadas por atitudes solidárias e milagrosas da santa. Depois de muitas conversas por telefone e pela internet, a jornalista viajou para Salvador para ver de perto a influência do Anjo Bom da Bahia (como a batizou o escritor Jorge Amado).

O processo foi semelhante ao do livro anterior Em busca de Aparecida (2018). “Quando recebi o convite para o livro de Aparecida, eu não era uma profunda conhecedora e esse foi o desafio. O livro virou um diário de viagem, um relato dos meus caminhos, das minhas descobertas e andanças pelo Vale do Paraíba conhecendo melhor e me aprofundando um pouco na história da padroeira do Brasil. Eu fiz a mesma coisa no livro da Santa Dulce", completa.

Detalhes


Um dos fatos que mais chamou atenção de Mariana Godoy foi a descoberta de que Dulce dormiu por 30 anos todos os dias sentada numa cadeira de madeira por conta de uma promessa. São relatos como esse que o leitor encontra nas 144 páginas da obra, que mistura biografia, impressões e detalhes da vida de Santa Dulce dos Pobres, como a saúde frágil e as idas e vindas da congregação para se dedicar à fundação em que acolhia os pobres. “Preferi fazer um livro que fosse de fácil leitura. A história dela já está escrita, filmada, canonizada. Eu só quero instigar cada vez mais a curiosidade e contar alguns detalhes que me encantaram, como o fato de eu tê-la achado muito parecida na delicadeza e na ingenuidade com Santa Teresinha. Essa fé pura que me interessava”, completa.

Na Bahia, Santa Dulce dos Pobres é extremamente conhecida. Mas ainda há locais no Brasil em que a trajetória da freirinha precisa ser disseminada. Mariana Godoy lembra que até hoje algumas pessoas a confundem com Madre Teresa de Calcutá. “Eu vi que, assim como eu, tinha muita gente que não conhecia os detalhes, algumas particularidades. Achei que podia fazer parte de um movimento de maior exposição, de divulgação mesmo. Tudo era tão fascinante e extraordinário. Me senti honrada e feliz de imaginar que eu pudesse ampliar e trazer essa história para outras regiões”, define.

Santa Dulce dos Pobres
De Mariana Godoy. Editora Petra, 144 páginas. Preço: R$ 29,90.

» Três perguntas / Mariana Godoy


Qual é a importância para o Brasil de hoje ter uma santa própria?

O brasileiro é muito resiliente, forte, antes de tudo, um bravo. A gente tem muita fé, esperança, crença, gosta de acreditar e transferir essa responsabilidade. Tem a importância do fato de se ter uma santa tão santa quanto qualquer outro personagem do século passado. Uma santa brasileira com quem as pessoas conviveram. Isso é fascinante. Acho que é um alento também.

Como é a sua relação com a religião?

A minha relação é particular, íntima, pessoal. Tenho meus momentos de conversar com Deus, quase que como numa meditação, mas conectada a essa força de amor, de vida. Gosto muito de conversar também com Maria. Faço minhas orações todos os dias. Acordo e penso como fazer as coisas com amor, porque é para isso que estamos aqui.

Você já faz preces para Santa Dulce dos Pobres?

Santa Dulce dos Pobres ajudava quem precisa muito. Fico achando que não sou digna de pedir, tem tanta gente na frente, com prioridade. Peço só que consiga ajudar a divulgar a história e trazer mais recursos para obras que ela deixou. Quero que a imagem da Santa Dulce ganhe o mundo. Doei meus direitos e minha parte do livro para as obras sociais. O livro já entrou entre os mais vendidos, já conto como um milagre da santa.

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