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Correio Braziliense

Projeto pretende popularizar a música de câmara no DF

Cecilia Aprigliano e Gustavo Freccia abrem hoje no Espaço Cena a série Música de Câmara


postado em 19/11/2019 07:20 / atualizado em 18/11/2019 20:20

Projeto pretende popularizar o gênero com recitais(foto: Emília Silberstein/Divulgação)
Projeto pretende popularizar o gênero com recitais (foto: Emília Silberstein/Divulgação)

 

O duo Labirinto Violas da Gamba, formado por Cecilia Aprigliano e Gustavo Freccia, sobe ao palco do Espaço Cena hoje (19/11, terça) para dar início à Série Música de Câmara, um projeto que pretende popularizar o gênero com recitais acessíveis e variados. Criada pelo Conosco Coletivo de Criadores, a série quer movimentar a cena de música de câmara brasiliense e levar ao público uma produção criada por um grupo multidisciplinar de artistas. “Depois de fazer muitos trabalhos individualmente, resolvemos criar um coletivo e juntamos músicos, pessoas das artes visuais, da dança e das cênicas para fazer uns trabalhos mais multidisciplinares”, explica André Vidal, fundador do Conosco junto com Cecília, Mônica Monteiro e Gê Orthof. “E uma das primeiras coisas que estamos fazendo é essa série de música de câmara. Nossa ideia é, que mais pra frente, essa série priorize a música brasileira.”

 

 

 

A música barroca e do renascimento é o tema da primeira apresentação e também uma estreia do duo Labirinto. Professora aposentada da Escola de Mùsica de Brasília (EMB), Cecília é pioneira no ensino da viola da gamba na instituição e Gustavo foi um de seus alunos. No repertório, o duo incluiu peças de Tobias Hune, Sainte-Colombe e outros compositores importantes para a música dos séculos 16 e 17, período em que o instrumento era mais comum. “É um instrumento relacionado à música antiga”, avisa Cecília. “Na época do barroco, entrou em extinção e, no início do século 20, houve um revival, principalmente na Europa e Estados Unidos, com uma redescoberta desse repertório. Ainda é uma minoria, mas tem muita gente fazendo.”

 

A viola da gamba era um instrumento praticado por pessoas de maior poder aquisitivo. Não podia, como o violino ou a flauta doce, ser tocado em pé, na rua. Na Inglaterra, era muito usado em coros de igreja porque a sonoridade se aproxima muito da voz humana devido ao uso de cordas de tripa. Apesar de ter entrado em extinção, esteve presente na música durante cerca de 400 anos, o que ajudou na construção de um vasto repertório. Foi apenas no início do século 20 que o instrumento entrou novamente no radar dos pesquisadores de música antiga. Nessa época, houve uma redescoberta do repertório.

 

 

O programa de hoje, batizado por Gustavo e Cecília de Espelho, traz alguns dos nomes mais populares nesse repertório. “A ideia é tocar o repertório escrito para viola da gamba, então a gente faz um pot-pourri das peças mais queridas para o instrumento, com uma mistura entre o barroco e a renascença”, conta Cecília. O recital é o terceiro espetáculo criado pelo Conosco. Em 2014, eles montaram Barca di Venetia per Padova, apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e, no ano passado, foi a vez de montar a ópera barroca Vênus e Adonis. “Os primeiros espetáculos foram em formatos mais complexos e envolvem gente de todas as áreas. Para a gente, faz mais sentido trabalhar com pessoas que têm visões semelhantes a respeito da estética das coisas que queremos usar, então achamos melhor juntar essas pessoas. Assim, quando formos trabalhar em um projeto, já teremos uma equipe”, avisa André Vidal.

 

Concerto Espelhos

 

Com Cecilia Aprigliano e Gustavo Freccia, do duo Labirinto Violas da Gambas. Hoje (19/11, terça) às 20h, no Espaço Cena (SHCN 205, Bloco C, Loja 25, Asa Norte, Brasília). Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Livre para todos os públicos. 

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