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Correio Braziliense

Netflix lança na sexta-feira 'Ninguém tá olhando', de Daniel Rezende

A produção gira em torno da história de Uli, personagem vivido por Victor Lamiglia


postado em 20/11/2019 06:00 / atualizado em 20/11/2019 10:25

(foto: Aline Arruda/Netflix/Divulgação)
(foto: Aline Arruda/Netflix/Divulgação)
As crenças cristãs sugerem que todo ser humano tem um anjo da guarda para chamar de seu. Esses seres celestes seriam responsáveis pela proteção dos humanos na Terra. Mito ou não, os anjos são figuras constantes em histórias, sejam nos livros, sejam nas telas. A partir de sexta-feira, eles voltam a protagonizar narrativas com o lançamento da série nacional Ninguém tá olhando no serviço de streaming Netflix.

Criada e dirigida por Daniel Rezende, nome por trás de sucessos como Bingo: O rei das manhãs e Turma da Mônica: Laços, a produção gira em torno da história de Uli, personagem vivido por Victor Lamiglia, um novo angelus — uma referência à oração tradicional cristã que recorda o anúncio do anjo Gabriel a Maria —, que se questiona diariamente sobre o seu papel no 5511º Distrito, local em que recebe ao lado dos outros angelus a ordem do dia, ou seja, o nome do humano que ficará encarregado de proteger naquele dia.

Dentro desse ambiente tudo acontece de forma arbitrária e burocrática, e Uli surge exatamente para quebrar isso. Questionador, ele quer ser capaz de escolher qual humano precisa de ajuda, contestando as ordens do inspetor Fred (Augusto Madeira) mesmo sob a tutela dos veteranos Greta (Júlia Rabello) e Chun (Danilo de Moura). Por conta própria, ele se aproxima de Miriam (Kéfera Buchmann), uma humana feminista e progressista tão argumentadora quanto ele, que também se indaga sobre a sua função no mundo.

Novo universo


À primeira vista, o enredo lembra bastante  outra série, Miracle workers, de Simon Rich e protagonizada por Daniel Radcliffe. Mas Daniel Rezende garante que não buscou inspiração em outras histórias. Pelo contrário, quando ficou sabendo de possíveis similaridades, fez questão de se afastar. “Fui estudar os anjos da guarda e todas as filosofias. Não fui olhar outras séries de propósito. Eu sabia que queria ter essa questão da burocracia e que queria fugir dos conceitos religiosos de céu e inferno, queria que fosse uma coisa atemporal e muito divertida”, revela em entrevista ao Correio.

Para isso, Daniel Rezende teve que criar todo um universo. Nesse contexto, os angelus são figuras imortais, ruivas, que se vestem sempre de gravata (apesar de ficarem invisíveis aos humanos), e trabalham a um modo de uma antiga repartição, seguindo ordens e entregando relatórios que sequer são lidos pelo inspetor. “A ideia surgiu exatamente da desconstrução de padrões estabelecidos. De uma pessoa que segue a vida inteira padrões e regras, sem nunca questioná-las. Pegamos essa figura mitológica e mística, que já teve outras releituras, para criar os angelus”, explica.

Tudo isso é abordado em uma comédia ácida e irreverente, com um ritmo feito para maratonas — ao todo, são oito episódios com média de 20 minutos — e com referências ao universo pop de forma bastante jovial. “Queria que esse universo falasse com o dia a dia das pessoas. Por isso fazemos referências à caneta, ao isqueiro e à meia, que somem sem explicação e aqui são os angelus. A questão do calafrio quando um angelus toca um humano. Apesar de ser uma série de comédia existencialista com segunda e terceira camadas superfilosóficas, ela tem uma roupagem muito pop, com expressões e maneiras diferentes para o público se identificar”, conta.

Ao longo da primeira temporada, Ninguém tá olhando questiona as posições de Uli e Miriam em seus contextos. Enquanto o angelus parece mais um humano, Miriam está quase para uma angelus de tão solidária que é. “A série é exatamente sobre isso, essa brincadeira que, no fundo, é sobre se questionar de que fazer o bem é algo muito mais complexo. Há várias discussões. É uma série para rir das estupidezes humanas, mas também para se questionar sobre o quão complexo nós somos”, avalia.
 
Júlia Rabello e Victor Lamoglia vivem Greta e Uli, respectivamente em 'Ninguém tá olhando'(foto: Aline Arruda/Netflix/Divulgação)
Júlia Rabello e Victor Lamoglia vivem Greta e Uli, respectivamente em 'Ninguém tá olhando' (foto: Aline Arruda/Netflix/Divulgação)
 

Duas perguntas // Júlia Rabello e Victor Lamoglia

 

Apesar de ser uma comédia, Ninguém tá olhando tem reflexões profundas. Como é fazer esse tipo de humor?


Júlia Rabello: O humor permite muitas formas de construção. Isso é o que me atrai muito. Para além dos momentos de risada, tem vários momentos muito sensíveis e delicados na série. A gente costuma achar que humor não transita por isso, pelo drama. Temos que ampliar o nosso olhar para o humor.

Victor Lamoglia: Tem o humor engraçado em alguns momentos, mas também tem o humor sutil e existencialista. Traz, em forma de piada, um “deixa eu pensar sobre isso”. 


Como foi adentrar nesse novo universo dos angelus na série?

Júlia Rabello: Foi um presente, porque tudo que a gente gosta, como atores, é trabalhar com a imaginação. É o nosso emprego. A série tem toda uma proposta. Os roteiristas fizeram um trabalho muito legal, além da grande imaginação do Daniel (Rezende).

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