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Correio Braziliense

Tevê aberta estreia 'Trace Trends', programa dedicado à cultura negra

A atração será exibida às terças, às 23h30, na RedeTV!


postado em 20/11/2019 06:00 / atualizado em 20/11/2019 10:15

Magá Moura é a apresentadora da atração(foto: Trace Trends/Divulgação)
Magá Moura é a apresentadora da atração (foto: Trace Trends/Divulgação)

No Dia da Consciência Negra, a televisão aberta brasileira ganha o primeiro programa completamente dedicado à cultura afrobrasileira. É a atração Trace Trends, que será exibida semanalmente às terças, às 23h30, na RedeTV!. Excepcionalmente nesta semana, o programa será exibido na quarta-feira em função da data comemorativa. O projeto é uma iniciativa da Trace, empresa fundada em 2003 na França com o propósito de dar voz à diversidade e pluralidade negra. Depois de ter sido até 2010 uma revista impressa, a organização toma novas frentes, agora, na telinha.

O programa terá uma hora de duração com apresentação da digital influencer baiana radicada em São Paulo Magá Moura. A jovem apresentará, a cada episódio, as tendências do mundo afro, com entrevistas, discussões e presença de artistas convidados, em sua maioria, do universo da música. O convite para assumir a atração veio da repercussão de Magá nas redes sociais — só no Instagram ela é seguida por 200 mil usuários —, da militância negra ativa e das experiências televisivas em coberturas de festivais pelo Multishow.

“Essa oportunidade surgiu de um convite do Roberto (Neri, franco-brasileiro que trabalha na Trace na França). Temos vários amigos em comum e ele é superconectado com a cena afrobrasileira e mundial. Além de ter perguntado para várias pessoas que me indicaram, a gente já tinha se conhecido e ele fez o convite”, lembra. Magá se animou na hora. Isso porque o Trace Trends será o primeiro programa da tevê aberta a falar de cultura afro urbana. “Finalmente, vamos exibir um programa para elevar a exaltar a nossa cultura afro. Fiquei muito impactada pela ideia, por ter esse espaço na tevê aberta, de forma acessível. O programa é muito necessário, vai impactar as pessoas que estão fora dessa bolha de redes sociais. Ainda há muita gente no Brasil que não tem internet, onde o sinal de tevê é o que ela tem para se comunicar. Vai ser muito importante a gente mostrar e pautar esses temas”, avalia.

Dinâmica

(foto: Ale Virgílio/Divulgação)
(foto: Ale Virgílio/Divulgação)


Uma vez por semana, Magá Moura aparece na tela da RedeTV! apresentando videoclipes e recebendo convidados para falar das ligações ancestrais com os temas contemporâneos, como moda, design, grafite e música. Entre os artistas já confirmados estão Xênia França, Djonga, Baco Exu do Blues e Luedji Luna, nomes negros da nova cena musical brasileira. “Essas pessoas estarão ali falando delas, como elas estão construindo toda essa história. Fico muito feliz de podermos mostrar isso, porque antes era impossível enxergar uma referência. Muito raramente nos víamos numa revista, na tevê. Assim a gente consegue mapear e ver as pessoas. Saber nome e sobrenome, o que ela faz, levar o que já está acontecendo nas redes agora para a tevê”, diz, fazendo referência ao sucesso desses artistas em plataformas digitais.

A primeira temporada contará com 24 episódios. Além disso, a atração terá conteúdos pílulas que serão exibidos ao longo da semana no canal e também na internet. “Já gravamos algumas edições. Estou num momento de só alegria e ansiedade. Lembro que, quando comecei a trabalhar como digital influencer, por mais espontânea que eu fosse na vida real e nos ambientes, nas filmagens me sentia travada. Tinha essa sensação de que ia desmaiar. Mas foi uma questão de tempo. Passaram anos, e tenho tido oportunidades na tevê que me preparam”, afirma.

Sobre uma sequência, Magá Moura diz torcer. “Depois da primeira temporada, não sei. Espero que continue, e cresça. Quem sabe vire um programa ao vivo, de auditório”, sonha. Para ela, ter uma atração como o Trace na tevê aberta é um grande avanço nessa luta pela representatividade negra. “Avançou muito em relação ao passado, obviamente. É um avanço que vem de muita resistência. Esse é um programa que vai ser muito necessário para que as pessoas se reconheçam e desenvolvam seus talentos. É uma oportunidade não só para quem aparece, mas para quem assiste. Às vezes, a gente não acessa as pessoas, por conta das questões sociais que envolvem nosso país. Essa é uma chance”, define.

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