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Correio Braziliense

Secretário Adão Cândido fala sobre o festival de cinema

Em entrevista ele também comentou sobre os projetos e as perspectivas para a área cinematográfica no DF


postado em 20/11/2019 06:00

Em meio à realidade de uma corrente de blockbusters, a cada semana, posicionados no circuito de cinema; junto com uma turma de adoradores da sétima arte, o secretário de Cultura do DF, Adão Cândido, celebra a mudança de curso, com a chegada do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, na 52ª edição, a partir da próxima sexta-feira. Por 10 dias, a capital vai respirar fotogramas.

“O Festival reestabelece a visão brasileira, a nossa língua e o nosso olhar. Posso dizer que os curadores foram bem felizes. Teremos documentários, questões de identidade e de gênero estão em alta, há temas políticos”, explica Adão, gaúcho, há 20 anos em Brasília.

Depois da injeção de R$ 2,4 milhões, via governo local, no festival, a perspectiva é a de que outros R$ 900 mil venham de novas fontes, a fim de complementar o evento, que ganha um caráter algo internacional. “O filme de abertura, a coprodução O traidor, dá sinal da nossa vontade de integração com a cadeia produtiva internacional, já que se trata de uma coprodução de altíssimo nível, das que pretendemos ter na cidade, futuramente”, comenta o secretário. Entre as novidades, o festival conta com identidade gráfica que bebe da linguagem de Mauro Martins, “um ícone do design na cidade”, trazendo elementos como cidade e a arquitetura. Outra marca foi a adoção da Mostra Brasília pelo BRB. Sem prejuízos, a Câmara Legislativa ainda promete formatar outro evento para a produção local.


(foto: Emanuelle Sena/Divulgação)
(foto: Emanuelle Sena/Divulgação)

Qual é o seu gosto particular de filmes?
Gosto do cinema mais cultural e nacional. Em Porto Alegre, sempre frequentei muito a Casa de Cultura Mário Quintana, um centro cultural com política de ter ingressos acessíveis. Lá, trazem muitas mostras: foi isso que formou meu gosto e a que me trouxe a visão ampla pelo cinema francês, pelas realizações europeias e pelo apreço junto ao cinema asiático. Isso, aliás, faz diálogo com nossa realidade, de formação de público.


Que metas renovam o Festival?
Queremos que o festival seja uma política pública, e não apenas um evento. Pretendemos apostar num projeto de desenvolvimento, ao longo do tempo: a marca do festival pode atravessar iniciativas que temos relativas à formação de público e de mão de obra para cinema. Queremos estruturar parte do festival, na combinação de mostras de cinema internacional que o corram no Cine Brasília. Temos a peculiaridade ainda das embaixadas que têm interesse de mostrar filmes deles no cinema. Assim se forma a integração com linguagens diferenciadas. Ao longo do ano, ofereceremos atividades que culminem com um grande festival.


Quais as regiões administrativas que estarão alinhadas ao Cine Brasília? 
A mostra competitiva do Festival estará em Samambaia, em Planaltina e no Recanto das Emas. Nós teremos em várias outras cidades as atividades formativas de cinema. Levamos a experiência do Festival para determinada região administrativa e isso reflete na diminuição de carga para o Cine Brasília, já que há um limite de 600 lugares. A experiência não pode ser sobrecarregada.


Qual diferencial do evento para 2019?
Há sempre a expectativa do debate político. Para o Ambiente de Mercado — um dos segmentos importantes do evento — chamamos o Governo Federal e um conjunto de players de mercado com representação de 11 novos participantes. São nomes como Netflix, Discovery e Amazon, e estamos atraindo o mundo das plataformas para formularmos o debate. Haverá abertura de oportunidades para a produção local. Isso é uma nova realidade com a qual os profissionais precisam ter contato. Como as plataformas de streaming e produtos audiovisuais pretendem agir no Brasil? Como os produtores podem interagir? No universo das plataformas de distribuição do audiovisual que vivenciamos, o que está em jogo não é apenas cota, mas criação de produtos de qualidade. Em debate, estará também o estabelecimento de porcentagem mínima de programação nacional nas plataformas. Não é simplesmente um festival de estrelas. Celebramos, mas refletimos.


Como anda a estruturação do audiovisual e dos projetos no DF?
Neste ano, recepcionamos o edital feito ao final de 2018. Ele contava ainda com os arranjos regionais da Ancine (Agência Nacional do Cinema). Eram R$ 12 milhões do FAC (Fundo de Apoio à Cultura) e mais R$ 14 milhões da Ancine — daí o valor de quase R$ 27 milhões. É um edital que já andou, e está sendo pago. Para 2020, há a indefinição de quais serão as políticas da Ancine. Não há clareza da manutenção dos arranjos regionais. Não podermos esperar as ações deles. O edital futuro será debatido na mesa do festival. Estivemos em Los Angeles e apresentamos nosso Festival de Cinema e ainda apresentamos nosso conceito do futuro Polo de Cinema. Com o novo edital, e as experiências nos painéis internacionais, determinamos a pretensão de elevar o nível dos profissionais da cadeia produtiva. Temos, em Brasília, um cenário maravilhoso, um período de seca muito bem determinado, que é fundamental para o cronograma de filmagens, a luminosidade é perfeita. Mas, produtores estrangeiros não vêm apenas por causa disso. Precisamos, para sermos mais competitivos, de mais estrutura, base técnica e mão de obra.


Como está o andamento da implantação do futuro Polo de Cinema?
Entramos com projeto junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico por ser área tombada. O primeiro projeto foi rejeitado. Estamos reapresentando o material, numa nova versão, que deverá avançar, depois de muitas reuniões de ajustes. Há variáveis que não controlamos. Mas, temos tido respostas positivas de investidores. Passada a parte burocrática, a gente consegue lançar isso em 2020. Vamos erguer o Polo, por partes: uma área para estúdios públicos (com material trazido do Polo de Sobradinho), outra destinada à cinemateca (para a guarda do acervo de filmes) e uma para incubadora para recepcionar e moldar starups do segmento audiovisual. 
 
 
 
 

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