Jornal Correio Braziliense

Diversão e Arte

Tantas palavras

ANA C

Outra vez nos braços do amor perdido.

Sempre o declive. Sempre a vertigem.

Às vezes o abismo.

Posso inflar

as velas de outra imagem

e assim navegar teus canais azulados,

minha lúcida amiga.

No céu-da-boca desta manhã

fica apenas um risco:

relâmpago longo como o olhar.

Luz. Outra luz. Louca luz.

O mesmo anjo que beija tua orelha fina

invade o cinema como um vento fictício

e rabisca cicatrizes bem legíveis

no coração deserto do meio-dia.


Eudoro Augusto