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Correio Braziliense

Festival de Brasília: 'A febre' é o grande vencedor; confira os premiados

Filme de Maya Da-Rin levou os principais prêmios. Produções dirigidas por mulheres com apelo político se destacaram


postado em 30/11/2019 23:17 / atualizado em 01/12/2019 00:41

O produtor Léo Mecchi, do filme Febre(foto: Geovana Melo/CB/D.A. Press)
O produtor Léo Mecchi, do filme Febre (foto: Geovana Melo/CB/D.A. Press)
Na noite deste sábado (30/11) foi realizada a cerimônia de premiação da 52ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Após sete dias de exibições de curtas e longas-metragens, o festival chega à reta final. 

 

A cerimônia de premiação teve início por volta das 20h. Enquanto os convidados esperam no saguão para a abertura do evento, um grupo de mulheres do audiovisual e artistas brasilienses performaram vendadas pedindo um festival democrático, além de levantar bandeiras contra o racismo e o machismo no setor. A performance foi embalada pelo grito: “A culpa não era minha/ Nem de onde eu estava/ Nem do que eu vestia/ O estuprador é/era você/ A milícia/ O estado/ O presidente/ Um estado opressor é um macho estuprador”.

 

Ver galeria . 7 Fotos Geovana Melo e Pedro Ibarra/CB/D.A. Press
(foto: Geovana Melo e Pedro Ibarra/CB/D.A. Press )

 

A apresentadora da premiação foi a atriz brasiliense Maria Paula Fidalgo. A programação foi iniciada com a exibição do filme Giocondo Dias Ilustre Clandestino, de Vladimir Carvalho. “Eu quero compartilhar com vocês uma data extremamente grata, eu subi neste palco há exatos 50 anos, dia 30 de novembro de 1969. São meio século que eu frequento esse festival, hora como plateia, hora como jurado. Eu estou sempre aqui”, lembrou Vladimir.

 

“Esse filme tem alguma coisa a dizer, no momento em que o presidente cria um partido que a marca é um painel ilustrado por balas de fuzis e ainda se resigna do número 38, que todo mundo sabe que é o nome de uma arma. Abaixo Bolsonaro”, finaliza o cineasta.

Premiação 

O Correio fez uma thread no Twitter com os vídeos dos principais ganhadores: 

 

 

A febre, de Maya Da-Rin foi o grande vencedor da 52ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A trama do protagonista da etnia Desana faturou cinco prêmios Candango. Além de melhor longa-metragem e da melhor direção, levou ainda como melhor ator (Régis Murupu), fotografia e melhor som. 

 

Também ambientado na Amazônia, o enredo de duas mulheres batalhadoras e combativas com forte ativismo político visto em O tempo que resta, da brasiliense Thais Borges, foi considerado o melhor pelo júri popular, levando, ainda, o prêmio pelo roteiro e o prêmio Abraccine, atribuído pelos críticos.

 

“Eu acho que nenhum prêmio para esse filme seria um prêmio mais delicioso que esse. Qualquer reconhecimento pra um assunto que é tão urgente e de vida seria um bom reconhecimento”, conta Thais.

 

Outro longa-metragem bastante valorizado na noite foi Alice Junior (PR). O divertido filme, que mostra o cotidiano de uma personagem transexual de maneira conservadora, rendeu boa premiação, com quatro vitórias de Candango: melhor atriz (Anne Celestino), melhor atriz coadjuvante (Thais Schier), trilha sonora e montagem. No desenvolvimento do longa pesa o afeto e a meta da youtuber em conseguir o tão sonhado primeiro beijo.

 

“Eu queria agradecer a todas as mulheres trans e travestis que vieram antes e ocuparam lugares que eu estou ocupando agora”, pontua emocionada Anne Celestino.

 

“Houve uma preocupação muito grande em agregar na trilha sonora de Alice Júnior artistas trans que pudessem acrescentar nessa trajetória tão bonita do filme. A gente foi trazendo essa sonoridade por parte desses artistas”, comenta o diretor Gil Baroni 

 

Sempre reconhecido na capital, o inflamando cinema de Cláudio Assis faturou prêmios com o melhor ator coadjuvante (Cauã Reymond), a direção de arte e o prêmio especial concedido pelo júri.

 

“Fazer o filme não foi fácil. Eu diria para vocês que é difícil fazer um filme como nós fizemos, mas o Cauã foi de uma generosidade tão grande e se dispôs a ficar e ser quem ele é, uma pessoa maravilhosa”, conta Cláudio.

 

Premiado pelo Correio (Troféu Saruê), o curta-metragem Escola sem sentido de Thiago Foresti foi considerado o melhor curta-metragem da Mostra Brasília BRB e também melhor curta-metragem pelo júri popular. Wellington Abreu, protagonista, conquistou o prêmio de melhor ator.

 

Os prêmios de melhor ator e atriz em curtas foram para dois veteranos: Severino Dadá (A nave de Mane Socó) e Teuda Bara (Ângela). A nave de Mane Socó conquistou, ainda, o Candango de melhor som e o troféu de melhor montagem.

 

“O negócio desse som é o seguinte eu e o Bernardo pirateamos bastante sons e criamos mixando o som de A nave de Mané Socó. Não é um som de ficção científica, mas sim de fuleragem ficcion. A vocês muito obrigada pelo reconhecimento, por que quem votou em mim votou no cinema ‘tuquiripim’, brinca Severino Dadá.

 

Melhor curta-metragem na Mostra Competitiva foi, de Júlia Zakia e Ana Flávia Cavalcanti. Já A carne, de Camila Kater, faturou como melhor curta-metragem pelo júri popular e foi destacado pelo melhor roteiro. Ainda na mostra de curtas, Sabrina Fidalgo, diretora de Alfazema (Eleito também na categoria de trilha sonora) conquistou o prêmio pela direção.

 

“Era o festival que eu mais queria que o filme fosse exibido, quero agradecer todo o pessoal, principalmente as mulheres. Nos meus próximos filmes as mulheres serão reverenciadas como as mulheres devem ser. Quero dedicar esse prêmio a minha mãe que é a mulher mais incrível que eu já conheci, uma mulher negra, empregada doméstica e que fez de tudo por mim e pelo meu irmão. Quero saudar as mulheres negras que estão aqui nesta noite”, afirmou Ana Flávia Cavalcanti.

 

As animações estiveram em alta na festa. A crítica elegeu A carne, de Camila Karter, como melhor curta. Já o premio Canal Brasil (Paralelo) foi concedido ao curta Sangro, de Thiago Minamizawa, Bruno H. Castro e Guto BR.

Mostra Brasília BRB

As mulheres também estiveram em alta à frente de filmes premiados na competição local. Adriana Vasconcelos (Mãe) foi considerada a melhor diretora. A diretora Glória Teixeira recebeu, por Dulcina, o prêmio atribuído pelo júri popular, tendo sido considerado o melhor filme de longa-metragem. A produção faturou, ainda a melhor direção de arte e um prêmio coletivo dividido para seis atrizes entre as quais Bidô Galvão, Carmem Moretzsohn e Françoise Forton.

 

Dois filmes extremamente musicais, feitos por realizadores de Brasília, conquistaram os jurados da Mostra Brasília BR: Mito e música – A mensagem de Fernando Pessoa e Ainda temos a imensidão da noite. Responsáveis pelo primeiro, os codiretores André Luiz Oliveira e Rama de Oliveira viram o filme ser premiado nas categorias de roteiro, trilha sonora e melhor edição de som. Já Gustavo Galvão, a frente de Ainda temos a imensidão da noite, teve o filme premiado pela fotografia e montagem.

 

*Estagiários sob a supervisão de Ronayre Nunes.

Confira os ganhadores do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Mostra Competitiva – Longa-metragem

 

  • MELHOR LONGA METRAGEM – MOSTRA COMPETITIVA

 

A febre, filme de Maya Da-Rin

 

 

  • MELHOR LONGA METRAGEM JÚRI POPULAR

 

O tempo que resta, filme de Thaís Borges

 

 

  • MELHOR DIREÇÃO LONGA METRAGEM

 

A febre, direção de Maya Da-Rin

 

 

  • MELHOR SOM

 

A febre, filme de Maya Da-Rin

 

 

  • MELHOR TRILHA SONORA

 

Alice Júnior, filme de Gil Baroni

 

 

  • MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

 

Piedade, de Claudio Assis

 

 

  • MELHOR MONTAGEM

 

Alice Júnior, filme de Gil Baroni

 

 

  • MELHOR FOTOGRAFIA

 

A Febre, filme de Maya Da-Rin

 

 

  • MELHOR ROTEIRO

 

O tempo que resta, filme de Thaís Borges

 

 

  • MELHOR ATOR COADJUVANTE

 

Cauã Reymond, em Piedade

 

 

  • MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

 

Thais Schier, em Alice Júnior

 

 

  • MELHOR ATOR

 

Régis Myrupum, em A febre

 

 

  • MELHOR ATRIZ

 

Anne Celestino, em Alice Júnior

 

 

  • PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI — LONGA-METRAGEM

 

Claudio Assis, pelo filme Piedade

 

 

  • PRÊMIO SARUÊ – CORREIO BRAZILIENSE

 

Escola sem sentido, filme de Thiago Foresti

 

 

  • PRÊMIO ABRACCINE – MELHOR FILME LONGA METRAGEM COMPETITIVA

 

O tempo que resta, filme de Thaís Borges

 

 

  • Mostra Competitiva – Curta-metragem

 

 

 

  • MELHOR SOM

 

A nave de Mané Socó, filme Severino Dadá

 

 

  • MELHOR TRILHA SONORA

 

Alfazema, filme de Sabrina Fidalgo

 

 

  • MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

 

Parabéns a você, filme de Andreia Kaláboa

 

 

  • MELHOR MONTAGEM

 

A nave de Mané Socó, filme de Severino Dadá

 

 

  • MELHOR FOTOGRAFIA

 

Parabéns a você, filme de Andreia Kaláboa

 

 

  • MELHOR ROTEIRO

 

Carne, de Camila Kater

 

 

  • MELHOR ATOR

 

Severino Dadá, em A nave de Mané Socó

 

 

  • MELHOR ATRIZ

 

Teuda Bara, em Angela

 

 

  • MELHOR CURTA METRAGEM JÚRI POPULAR – MOSTRA COMPETITIVA

 

A Carne, filme de Camila Kater

 

 

  • MELHOR CURTA METRAGEM – MOSTRA COMPETITIVA

 

, de Júlia Zakia e Ana Flavia Cavalcanti

 

 

  • PRÊMIO MARCO ANTÔNIO GUIMARÃES

 

Chico Mendes, um Legado a Defender, de João Inácio

 

 

  • PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS — MELHOR FILME CURTA METRAGEM COMPETITIVA

 

 

Sangro, de Tiago Minamisawa e Bruno H. Castro.

 

 

  • PRÊMIO ABRACCINE – MELHOR FILME CURTA METRAGEM COMPETITIVA

 

A Carne, de Camila Kater

 

Mostra Brasília BRB

 

 

  • MELHOR DIREÇÃO

 

Mãe, filme de Adriana Vasconcelos

 

 

  • MELHOR CURTA METRAGEM JÚRI POPULAR

 

Escola sem sentido, filme de Thiago Foresti

 

 

  • MELHOR LONGA METRAGEM JURI POPULAR

 

Dulcina, filme de Glória Teixeira

 

 

  • MELHOR CURTA METRAGEM – MOSTRA BRASÍLIA (PRÊMIO TECNICO EDINA FUJII CIARIO)

 

Escola sem sentido, filme de Thiago Foresti

 

 

  • MELHOR LONGA METRAGEM– MOSTRA BRASÍLIA (PRÊMIO TECNICO EDINA FUJII CIARIO)

 

Dulcina, filme de Glória Teixeira

 

 

  • MELHOR DIREÇÃO CURTA METRAGEM – MOSTRA COMPETITIVA

 

Alfazema, filme e direção de Sabrina Fidalgo

 

 

  • MELHOR EDIÇÃO DE SOM

 

Mito e música — a mensagem de Fernando Pessoa, filme de André Luiz Oliveira e Rama Oliveira

 

 

  • MELHOR TRILHA SONORA

 

Mito e música a mensagem de Fernando Pessoa, filme de André Luiz Oliveira e Rama Oliveira

 

 

  • MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

 

Dulcina, filme de Glória Teixeira

 

 

  • MELHOR MONTAGEM

 

Ainda temos a imensidão da noite, filme de Gustavo Galvão

 

 

  • MELHOR FOTOGRAFIA

 

Ainda temos a imensidão da noite, filme de Gustavo Galvão

 

 

  • MELHOR ROTEIRO

 

Mito e música a mensagem de Fernando Pessoa, filme de André Luiz Oliveira e Rama de Oliveira

 

 

  • MELHOR ATOR

 

Wellington Abreu, em Escola sem sentido

 

 

  • MELHOR ATRIZ

 

Bido Galvão, Carmem Moretzsohn, Iara Pietricovsky, Theresa Amayo, Glória Teixeira e Françoise Fourton, em Dulcina, filme de Glória Teixeira

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