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Correio Braziliense

Dia Nacional do Samba: Comemoração será nesta segunda em Ceilândia

Uma grande roda em celebração da data toma a praça central da administração de Ceilândia


postado em 02/12/2019 09:30 / atualizado em 02/12/2019 09:46

Roda musical do Samba na Comunidade: comemoração com sambistas de todo o DF(foto: Stone Barros/Divulgação)
Roda musical do Samba na Comunidade: comemoração com sambistas de todo o DF (foto: Stone Barros/Divulgação)

O samba é o gênero musical que mais representa o Brasil. O ritmo que saiu dos morros e periferias e embala o país há anos tem seu dia nacional nesta segunda-feira, 2 de dezembro. O brasileiro tem no samba a representação de suas raízes e o gênero identitário do povo, não só o marginalizado.

O samba está no carnaval,  nos meios de comunicação e também em Brasília. Em comemoração ao Dia Nacional do Samba será realizada uma roda na Praça Central da Administração de Ceilândia com sambistas de todo o DF. O evento ocorre anualmente na praça e na Rodoviária do Plano Piloto, mas exclusivamente nas comemorações de 2019 será apenas um grande evento em Ceilândia em razão das obras na rodoviária.

“O movimento do samba tem crescido bastante em todo Distrito Federal, e o samba sair para as periferias hoje foi um grande ganho. Ele estava muito concentrado na região do Plano Piloto, hoje não precisamos ir tão longe de casa pra curtir um bom samba”, afirmou Negro Vappo, um dos idealizadores da roda de samba e integrante do grupo Samba na Comunidade.

A roda de samba contará com a participação dos grupos Samba na Comunidade, Samba de Guariba e Sagaceidade. O evento tem entrada franca e começa às 19h. 

O Samba na Comunidade já é bastante presente em Ceilândia nos fins de semana. Todo segundo sábado do mês, eles fazem uma roda na mesma praça em que ocorrerá o evento e já estão na 67ª edição. O Samba de Guariba, por sua vez, fica com o terceiro sábado do mês e fez 44 apresentações. O Sagaceidade é mais recente, acontece todo primeiro domingo do mês e está em sua 5ª edição. Os três grupos se juntaram para fazer uma grande homenagem ao Dia do Samba.

Sobre a comemoração em Ceilândia, Negro Vatto pontua que é algo recente. “É novo, fazemos há poucos anos, creio que há quatro anos nos juntamos em prol disso”, diz o sambista, e ainda completa sobre o projeto: “A ideia veio da necessidade de disseminar mais a cultura do samba raiz para as satélites”. A roda de samba acontecia há mais tempo na Rodoviária, porém com outros organizadores.

A roda ocorrerá pela primeira vez apenas em Ceilândia, e os organizadores descobriram que seria apenas lá quando artistas do Plano Piloto começaram a compartilhar o evento falando que iriam. “Não foi intencional, foi por conta de toda situação de obra na Rodoviária”, explica Glauber Ronniel, membro fundador do grupo caçula Sagaceidade. “Mas é interessante saber que o samba sai da cidade e volta para periferia onde ele começou”, completou o músico sobre como esse processo de descentralização: é importante para movimentar a cena e a comunidade de Ceilândia.

“É a coroação de qualquer sambista poder se doar em um dia todo reservado para o maior ritmo que atinge todas classes sociais. A comunidade só tem a ganhar, com a cultura chegando à  sua porta de forma espontânea e gratuita”, avalia Negro Vatto.

O evento correu o risco de não acontecer e só conseguiu recursos  com a ajuda de pessoas próximas aos organizadores. “A roda é muito importante, por conta de toda a questão de não ter apoio da secretaria de Cultura e ter sido feita por quem vive na comunidade”, afirma Glauber Ronniel. Vatto, cocriador do Samba na Comunidade e cantor e membro do grupo 7 na Roda, ainda critica a forma como se lida com cultura no Brasil: “Pena que sobreviver de cultura hoje é fazer mesmo por amor”.

Dentro do contexto brasiliense, o samba também é presente para Negro Vatto. “Aqui também é capital do samba, temos ótimos cantores, intérpretes, compositores. Creio que para o crescimento do samba de Brasília só falta cantar mais o nosso samba local”, pontuou o organizador do evento”. Glauber ,do Sagaceidade, destaca também a importância do gênero não só como música: “Samba é uma cultura que está na pele, nos costumes, na religiosidade”.

*Estagiário sob a supervisão  de Severino Francisco

Roda em Homenagem ao dia do Samba
Na Praça Central da Administração de Ceilândia, segunda (2/12), às 19h. Entrada franca. Classificação indicativa livre.

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