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Correio Braziliense

Empoderamento feminino marca estreia da semana com Jennifer Lopez

'As golpistas' traz temas como empoderamento feminino e vingança


postado em 05/12/2019 06:30 / atualizado em 04/12/2019 18:46

'As golpistas': Jennifer Lopez em plano audacioso contra antiga clientela de prostituição(foto: Diamond/Divulgação)
'As golpistas': Jennifer Lopez em plano audacioso contra antiga clientela de prostituição (foto: Diamond/Divulgação)
Não é necessariamente pela associação com a música que a diretora e roteirista de cinema, atuante numa banda chamada The Shortcoats, Lorene Scafaria — por trás de filmes como Procura-se um amigo para o fim do mundo e Nick e Norah: Uma noite de amor e música — ficou conhecida. Aos 41 anos, Lorene, para muitos, impulsionou uma das melhores interpretações da veterana Susan Sarandon, em A intrometida (2015). Quem já assistiu ao mais recente filme dela, As golpistas, que estreia hoje, tem como certa a indicação para prêmios importantes de uma das protagonistas: a cantora e dançarina de sangue hispânico Jennifer Lopez. Vista em filmes de pouca repercussão como O garoto da casa ao lado e Encontro de amor, Lopez fez muito barulho no Festival Internacional de Cinema de Toronto, em meados de setembro.
Ganância e empatia são duas qualidades representadas pela estrela Lopez, neste novo filme da diretora Lorene Scafaria. Suspense e ternura alimentam a cadeia de vinganças orquestradas por Ramona, a personagem de Lopez no longa-metragem. Baseado na reportagem The hustlers at scores (publicada pela New York Magazine), o filme trata de um acerto de contas. Uso de drogas, extorsões via cartões de crédito e malabarismos sexuais, em canos de pole dance e inferninhos de boates, tomam a cena. Ainda que As golpistas alinhe na trilha músicas de Janet Jackson, 50 Cent e Britney Spears, a ilusão radiante das extravagâncias de noitadas maldormidas é que estão em foco no roteiro. 
Elogiada por revistas como a Vanity Fair, Jennifer Lopez, na verdade, é coadjuvante de peso em As golpistas. O miolo do filme está na revisão de valores feita por strippers novaiorquinas unidas contra malfeitores de seus passados. Enquanto rodopio de dólares e desequilíbrio monetário decorrente da crise de Wall Street, em 2008, faziam a festa, Mercedes (Keke Palmer), Annabelle (Lili Reinhart, atriz de Riverdale), Liz (a rapper Lizzo) e Diamond (Cardi B), depois de sucesso com cifras estratosféricas junto à chamada “vida fácil”, reveem as condições e os desgastes psíquicos da exploração sexual. Na narrativa, Destiny (Constance Wu, atriz de Podres de ricos), uma das arrependidas da trama, relata episódios de vida para a repórter Elizabeth (Julia Stiles).
Ao custo de U$ 20 milhões e com 30 dias de filmagens, As golpistas deriva do texto da reportagem de Jessica Pressler. Nele é possível entender a rede de traficantes e de prostituição que, por exemplo, intermedeia a renda extra para a garota Rosie, que abandona a escola, a fim de ser empregada num restaurante repleto de extenuantes jornadas. A associação com “cavalheiros” de escritórios da vizinhança (e a hipnotizante grana decorrente) se dá a partir de gorjetas e de insinuações que, futuramente, num revide das moças, vai ocasionar uma pilha de roubos, nos quais os homens assumem prejuízos, ao serem dopados pelas antigas amantes.


Andrucha Waddington, ao lado de Lima Duarte e Felipe Camargo(foto: Dan Behr/Divulgação)
Andrucha Waddington, ao lado de Lima Duarte e Felipe Camargo (foto: Dan Behr/Divulgação)

Três perguntas // Andrucha Waddington


Nos bastidores do set do longa O juízo (que estreia hoje), os encontros entre parentes foram múltiplos entre o diretor Andrucha Waddington e muitos de seus familiares: Fernanda Torres (assumiu o roteiro), Fernanda Montenegro fez participação especial, enquanto o filho dele, Joaquim Torres Waddington, foi dos protagonistas. “Costumo brincar que nós somos uma família de circo. Como exercemos o mesmo ofício é natural que, às vezes, os caminhos se encontrem; no caso de O juízo foi um encontro bem feliz”, avalia. Laços de sangue e relações familiares — com situações que se estendem a heranças indesejadas — são alguns dos elementos do novo filme de Waddington. No elenco, o filme tem ainda Lima Duarte, Felipe Camargo e Criolo. (RD)

Seu filme pode ser visto como terror? Como tornou a trama verossímil?

O juízo é filme de suspense sobrenatural, que utiliza pouco recursos de sangue e susto, e utiliza mais os recursos do clima e do drama. O maior desafio na escolha desse viés de condução narrativo foi prender o espectador e trazer o medo de uma outra forma.

Como vê as estruturas do audiovisual hoje no país? Há esperança?

O audiovisual encontra-se hoje em uma fase de colheita de uma safra dos últimos dois anos de produção bem plural, mas com os mecanismos de incentivo à cultura de alguma maneira travados e incertos. Então é muito difícil saber como a gente vai seguir de agora em diante, mas o nosso ofício como produtores e realizadores é lutar para obter uma diversidade em nossa produção acima de tudo. Eu vejo também a entrada do streaming como produtor de conteúdo nacional como uma outra vertente que pode ajudar a equilibrar o mercado.

O filme remexe em estruturas do patriarcado, mas com protagonista frágil. Há contribuições para quebra de estigmas sociais? O que colheu da capacidade cênica do Criolo?

Quanto a estigmas sociais, O juízo aborda a questão da escravidão, algo absolutamente inadmissível. O personagem do Couraça, interpretado pelo Criolo, e sua filha, interpretada pela Kênia Bárbara, trazem à tela esse homem escravizado que está fugindo em busca de liberdade com sua filha, mas ele é assassinado e é parado no tempo. Ele vem cobrar uma dívida e uma reparação, mas é uma questão irreparável. Acho que a síntese de tudo é mostrar a busca dessa reparação que é irreparável. Quanto ao Criolo, é um ator espetacular, além de ser um intérprete, um cantor de magnitude gigante. Ele trouxe uma profundidade para o personagem do Couraça, camadas de delicadeza dentro de uma questão tão profunda. Eu só tenho a agradecer por esse parceiro e amigo que ganhei.


Outras estreias

(foto: Warner/Divulgação)
(foto: Warner/Divulgação)

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Dois papas
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