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Correio Braziliense

Mulher-Maravilha e Arlequina voltam às telonas em 2020

Diana Prince terá segundo filme solo, enquanto Harley Quinn virá ao lado de um time formado por mulheres. Confira o que os elencos falaram sobre as produções


postado em 10/12/2019 07:02 / atualizado em 10/12/2019 10:13

Patty Jenkins, diretora de Mulher-Maravilha 1984, e a atriz Gal Gadot na coletiva de imprensa (foto: Marcos Tarini/ Divulgação)
Patty Jenkins, diretora de Mulher-Maravilha 1984, e a atriz Gal Gadot na coletiva de imprensa (foto: Marcos Tarini/ Divulgação)

São Paulo – “Ela é forte, independente e poderosa, ao mesmo tempo que é carinhosa, amorosa e empática. A Mulher-Maravilha é a heroína do futuro”. É assim que a diretora Patty Jenkins explica o sucesso, que ela considera universal, de Diana Prince na versão dirigida por ela e protagonizada pela atriz Gal Gadot, lançada em 2017. A frase foi proferida durante o painel de encerramento do evento de cultura pop Comic Con Experience (CCXP), realizado entre 5 e 8 de dezembro, um dos momentos apoteóticos da convenção 


Para a cineasta, essas foram as características que levaram o primeiro filme da Mulher-Maravilha a bater recordes e abrir as portas de vez para as heroínas nas telonas. “Nunca me ocorreu que fosse um gênero masculino. Há várias mulheres que assistem. Os heróis são para todos e são uma ótima metáfora para contar boas histórias. Há heróis para todo mundo, para todo  tipo de pessoa. Fico empolgada que o mundo abraçou a história da Mulher-Maravilha”, avalia. Depois dela, o estúdio concorrente lançou Capitã Marvel (2019) e, em 2020, mais mulheres serão protagonistas de longas do gênero.

A própria Diana volta às telas em Mulher-Maravilha 1984, que estreia em 4 de junho no Brasil. O longa-metragem é uma continuação direta do filme de 2017. Patty Jenkins diz que preferiu ignorar os acontecimentos de Liga da Justiça, em que a Mulher-Maravilha contracena com Superman, Batman, Aquaman, Flash e Ciborgue, produção que ela avaliou como “controversa”. “Começamos a pensar essa história lá atrás. Não queríamos que, no primeiro filme, ela já fosse a Mulher-Maravilha. Queríamos vê-la antes. E foi incrível, ficamos muito felizes com o sucesso. Foi um filme capaz de contar tantas histórias”, disse Patty, durante coletiva de imprensa.

A história de Mulher-Maravilha 1984 começou a ser pensada juntamente com o enredo do primeiro longa. Agora, o espectador verá Diana estabelecida como heroína, mas fazendo tudo isso no anonimato e sozinha, pois os laços criados em 1910 foram perdidos 70 anos depois. “É a continuação natural da história do primeiro filme, em que ela decide ficar no mundo dos humanos e lutar por eles. Ela fez coisas pelo mundo e continua fazendo às escuras”, explica a diretora.

A ideia de levar Diana Prince para os anos 1980 foi um jeito de estabelecer a heroína num mundo mais moderno, que, para Gal Gadot, foi um deleite. A atriz diz ter adorado gravar numa ambientação da década, por conta das cores e dos figurinos. “Os sets foram incríveis. Lembro de uma gravação que fizemos em um shopping com mais de mil figurantes com roupas dos anos 1980. Aquilo foi algo eletrizante, algo que te faz querer estar lá”, garante.

Dentro desse contexto, o filme mostrará a Mulher-Maravilha tendo que lidar com dois novos adversários: Maxwell Lord (Pedro Pascal) e Mulher-Leopardo (Kristen Wiig), ao mesmo tempo em que revê o antigo amor, Steve Trevor (Chris Pine). “Quando pensei no segundo filme, pensei imediatamente em trazê-lo de volta. Não é uma reação ao primeiro filme. A melhor forma foi trazer Steve de um jeito específico. Foi brutal matá-lo, mas sabíamos que era o certo a se fazer. Ele é um elemento que usamos no filme”, explica Patty Jenkins sobre o retorno do personagem, que apareceu no trailer lançado no domingo durante a CCXP — o público brasileiro viu três minutos de vídeo, enquanto a versão liberada na internet tem dois minutos e 24 segundos. A história, segundo a cineasta, tem inspiração nos quadrinhos de George Pérez, que escreveu HQs como Lendas do Universo DC: Mulher-Maravilha.

Entre as novidades de Mulher-Maravilha 1984 está a ausência da espada e do escudo, que serão deixados de lado. Fica apenas o laço da verdade. “Tiramos a espada e o escudo. Não sentimos que era necessário. Ela sabe lutar e aguenta sem eles”, defende Gal Gadot. Característica essa que a atriz aprendeu ainda na época em  que esteve no exército e pôde levar, com ainda mais treinamento, à personagem. “Eu tive um treinamento físico lá. Mas o que o Exército me deu foi a disciplina e o saber de que não é só sobre você. É preciso sempre colaborar com os outros”, comenta a atriz.

Sobre uma terceira sequência, Patty afirma que ela e Gal, que também é produtora de Mulher-Maravilha 1984, sabem para onde irá o enredo de um terceiro filme. A diretora confirmou, ainda, que está em produção um longa sobre as Amazonas, porém, tanto ela quanto Gal Gadot estão fora do projeto.


Liga feminina

Elenco de Aves de Rapina na Comic Con Experience(foto: Warner Bros. Pictures/Divulgação)
Elenco de Aves de Rapina na Comic Con Experience (foto: Warner Bros. Pictures/Divulgação)


Em 2016, a DC lançou Esquadrão Suicida, que mostrava a reunião de um time de vilões para combater uma poderosa entidade. O longa de David Ayer foi um desastre. Porém não por completo. De lá, uma personagem conseguiu se tornar queridinha do público: a Arlequina vivida por Margot Robbie.

A vilã, que é namorada de Coringa (Jaret Leto), conquistou fãs pelo mundo todo e trouxe a personagem de volta aos holofotes. “Quando eu fiz a Arlequina, não pensei que ela fosse se tornar um modelo. Ela é uma psicopata, está num relacionamento abusivo... O filme saiu e, por algum motivo, as pessoas gostaram dela. Ainda não sei por que as pessoas a amaram, mas sei por que eu a amo: porque ela não é perfeita. Entendo os defeitos dela e, talvez, as pessoas também”, avalia Margot Robbie, em coletiva de imprensa.

Foi essa paixão de Margot Robbie e também dos fãs que levou Arlequina a ganhar um filme próprio. É o longa-metragem dirigido por Cathy Yan Aves de Rapina: Arlequina e sua emancipação fantabulosa, que estreia em 5 de fevereiro no Brasil. “ Apaixonei-me  pela Arlequina quando fiz Esquadrão Suicida. Eu não tinha lido as HQs, mas comecei e logo me encantei. Acho que há tanto para mostrar. Eu queria vê-la interagindo com outras mulheres. Pensei que seria legal um grupo trabalhar com essas mulheres”, completa Margot.

A narrativa acompanha Harley Quinn após ter terminado com o Coringa em busca de um novo motivo para viver. Ela decide juntar um time de anti-heroínas para combater um novo vilão de Gotham. No filme, ela está lado a lado com Caçadora (Mary Elizabeth Winstead), Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell), Renee Montoya (Rosie Perez) e Cassandra (Ella Jay Basco). A história é inspirada em diferentes HQs, mas tem um roteiro original. “Não é baseado em nada específico. Temos inspirações em HQs com histórias da Arlequina sozinha. Mas estamos contando uma história original”, explica a diretora.

Além de ser um filme com um time só de mulheres, a outra novidade de Aves de Rapina é mostrar uma Gotham colorida. “Cresci vendo filmes do Batman, então foi uma honra e especialmente legal explorar esse outro lado de Gotham, mais colorido, e trazer essas personagens nunca vistas antes”, avalia a diretora Cathy Yan. Algo com que Mary Elizabeth concorda: “Quando me mostraram como seria o universo (do filme), eu já queria participar, ainda mais com essa personagem e com esse mundo engraçado de Gotham”.

Em relação à representatividade feminina, o elenco se diz muito feliz de poder mostrar mulheres de forma não objetificada. “Estou no mercado há mais de 30 anos. Estar num elenco tão diverso, não só por ser de mulheres (o elenco tem atrizes de diferentes ancestralidades e cores), é muito espetacular. É um filme que também tem um cunho político e social. O fato de sermos fortes e chutar bundas é a cereja do bolo. Não somos objetificadas, somos o que somos”, acrescenta a atriz Rosie Perez. “Esse é um filme que mostra o imperfeito mundo das mulheres. Estou cansada de ver só mulheres perfeitas (na tela). Esse é um grupo que luta contra o sistema”, completa Jurnee.

Mesmo com essa atmosfera de empoderamento feminino, Aves de Rapina é classificado pelo elenco como um filme para todos os públicos. “O feminismo não é só para as mulheres, mas para os homens também. É um filme com muita qualidade, espero que todo mundo possa captar isso”, defende Rosie.

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