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Correio Braziliense

A carismática feminista: Greta Gerwig domina Hollywood

Talhada pelo feminismo e por espontaneidade, a diretora e atriz Greta Gerwig agora brilha num ponto alto da carreira, com o drama Adoráveis mulheres


postado em 14/01/2020 08:37 / atualizado em 14/01/2020 08:37

Greta Gerwig e Noah Baumbach: casal que brilha em Hollywood(foto: Valerie Macron/ Divulgação)
Greta Gerwig e Noah Baumbach: casal que brilha em Hollywood (foto: Valerie Macron/ Divulgação)

 

Atender a uma série de sugestionamentos vindos de uma espécie de “mentora”, repleta de carisma, e representar uma jornada orientada por destemor juvenil já tomaram lugar no primeiro longa-metragem da carreira solo da diretora nascida na capital da Califórnia, Sacramento, Greta Gerwig, quando, há três anos, ela dirigiu o sucesso Lady Bird, A hora de voar. Com a produção, centrada na figura de uma moça rebelde, Greta se tornou a quinta mulher a ser indicada ao Oscar de melhor direção. O projeto de cinema seguinte dela — atualmente em cartaz em Brasília — chama-se Adoráveis mulheres, e reflete o destino da personagem Jo March criada pela autora do século 19 Louisa May Alcott, sempre uma fonte inspiradora para Greta; hoje, com 36 anos. Na corrida pelo Oscar, a adaptação do roteiro (feito por Greta) somou pontos para o filme, indicado ainda a outras cinco indicações.

 

“Nunca houve um momento em que eu não soubesse quem era Jo March (representada no filme por Saoirse Ronan) e ela era sempre a minha menina, a pessoa que eu pretendia ser”, comentou Greta Gerwig. Popular, desde o começo da publicação, uma vez que houve a venda de todos os exemplares (hoje, traduzido em mais de 50 línguas), em duas semanas, o livro Mulherzinhas (base para Adoráveis mulheres) foi a diretriz para Greta que assumiu um mergulho em que a voz da autora se fundia à dela.

 

“O livro é sobre as mulheres, como artistas, e é sobre a relação delas com dinheiro. Está no texto, mas é um aspecto da história nunca muito aprofundado. Para mim, foi algo que me pareceu muito, muito próximo da superfície e, mesmo agora, com o filme, parece mais autobiográfico do que qualquer coisa que eu tenha feito”, declarou a diretora, em entrevista no exterior. Para embalar uma trama universal, Greta Gerwig conta que investiu no aspecto da família e da casa de Jo e das três irmãs da protagonista, que trazem muitos dados atuais para o filme. Ambições, atitudes e desejos à frente do que o momento possa proporcionar movem tantos as personagens quanto Greta, sempre associada à veia autoral. Ver mulheres em posições de liderança e poder é uma demanda acalentada por Greta, ao menos, desde a indicação ao Globo de Ouro de melhor roteiro, por Lady Bird.

 

Quando provocada sobre a ação de pessoas como Harvey Weinstein dentro de predadora atitude (sexual) na meca do cinema, Greta, no passado, foi enfática: pretendia testemunhas uma mudança de paradigma nas estruturas de poder em Hollywood que demovessem realidade insidiosa. “Favorecer as mulheres provoca um curto-circuito em algumas das estruturas de poder que têm sido assustadoras para muitas pessoas”, observou. Um tanto do potencial de Greta Gerwig, saudado pelo esquemão de Hollywood, começou a ser pontilhado com o despontar dela (como diretora e intérprete central, no mesmo caso do colega de cena Joe Swanberg), há 12 anos, com o longa Nights and weekends. Na fita, um casal tenta minimizar a crise de, estando apaixonados, morarem em cidades diferentes.

 

A escalada para repercussão mais ampla foi aberta, com o lançamento de O solteirão (2010), dirigido por Noah Baumbach (marido de Greta Gerwig), que abandonou um casamento de oito anos (ao lado de Jennifer Jason Leigh), a fim de estar com a musa e estrela do longa (que divide a cena com Ben Stiller). Na trama, a personagem de Greta quer ser cantora, assessorando uma família de Los Angeles. Frances Ha, título de 2012, rendeu à atriz uma indicação ao Globo de Ouro, no segmento de comédia ou musical. Novamente sob a direção de Baumbach, ela estrelou o filme cujo roteiro escreveram juntos, a partir de vários esboços e rascunhos de sequencias fílmicas, a cargo de Gerwig. Antes desse filme, em preto e branco, que apresenta uma determinada aspirante a dançarina de comportamento e vida instáveis, a atriz esteve ao lado de Natalie Portman e Ashton Kutcher, astros de Sexo sem compromisso (2011).

 

 

 

Casal de ouro

 

Lado a lado, Greta Gerwig e Noah Baumbach pavimentam o sucesso mútuo. Um dado curioso é o de que Noah, ainda mais projetado depois da receptividade do longa da Netflix História de um casamento, deposite muitas circunstâncias do filme na figura do personagem de Adam Driver — colaborador também em Frances Ha. Colega de Driver no elenco na saga Star Wars, Oscar Isaac estará ao lado de Greta, no novo projeto teatral dela, um Tchekhov sob direção do premiado Sam Gold. Greta e Baumbach (que assinou A lula e a baleia e Os Meyerowitz: Família não se escolhe), reconhecidamente, são símbolos do chamado subgênero cômico do mumblecore, permeado por baixos recursos, improviso e situações cotidianas.

 

À frente de um longa sobre a figura da boneca Barbie, o casal de extravasar a criatividade, numa futura parceria para cinema a ser estrelada por Margot Robbie. Antes de ter estrelado Mulheres do século 20 (2016), no qual viveu uma fotógrafa da cultura punk setentista, Greta havia abraçado outro projeto com Noah (e escrito por ambos): Mistress America, um ano antes. Na tela, vive uma dinâmica mulher que inspira a escrita de uma solitária universitária, com quem terá relacionamento mais profundo.

 

Atriz de filmes com diretores cultuados como Wes Anderson, o chileno Pablo Larraín e Woody Allen, Greta Gerwig ainda colecionou elogios em longas como O último ato (baseado em Philip Roth, e encabeçado por Al Pacino) e solidificou a carreira, na presença de um filme (Maggie tem um plano) feito pela filha do renomado dramaturgo Arthur Miller, Rebbeca Miller. Novamente, há protagonismo da mulher independente, mas, desta vez, apaixonada (e em colapso) pelo amor devotado a homem casado. Nada de muito chororô, entretanto: está em cena Greta Gerwig, a criadora que pinça inesperado viés de “controvérsia, graça e traços sombrios”, no texto original do sucesso Adoráveis mulheres

 

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