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Correio Braziliense

Integrantes do grupo Melhores do Mundo encenam espetáculo musical

'Conte lá que eu canto cá' tem direção de Fernando Guimarães


postado em 23/01/2020 06:20 / atualizado em 23/01/2020 08:37

Adriana Nunes, Marcelo Linhos, Nelson Latif e Marcelo Lima: mistura de sotaques(foto: Mariana Galiza/Divulgação)
Adriana Nunes, Marcelo Linhos, Nelson Latif e Marcelo Lima: mistura de sotaques (foto: Mariana Galiza/Divulgação)

Patativa do Assaré, o celebrado poeta, improvisador e cantor cearense, morto em 2002, aos 93 anos, deixou, como legado, uma das obras mais reverenciadas da cultura popular brasileira. Cante lá que eu canto cá está entre os seus repentes mais conhecidos. Num dos versos, ele diz: “Se você teve estudo/ Aqui Deus me ensinou tudo/ Sem de livro precisá/ Por favor não mexe aqui/ Que eu também não mexo aí/ Cante lá, que eu canto cá...”

Esse poema de Patativa serviu de principal referência para a criação do espetáculo que Adriana Nunes, Marcelo Linhos – integrantes do grupo teatral Melhores do Mundo – e mais os músicos Nelson Latif e Marcelo Lima apresentam nesta quinta-feira (23/1), às 20h, no Teatro do Brasília Shopping. Não por acaso, o título Conte lá que eu canto cá é uma clara analogia à criação do repentista.

Com direção de Fernando Guimarães, destacado encenador brasiliense, a peça traz bela história que lança um novo olhar sobre o sertão brasileiro ao misturar fronteiras e sotaques. Sem estereótipos tão veiculados pela grande mídia, o público vai ter contato com universo real do interior do país, representado por sua riquíssima e diversificada cultura.

No espetáculo, a poesia matuta de Patativa do Assaré, Catulo da Paixão Cearense, as histórias de Guimarães Rosa e os causos de Geraldinho de Goiás estão lado a lado com o forró de Sivuca e o pagode de viola de Tião Carreiro, que se entremeiam ao longo de 1h10. O resultado é uma viagem cheia de atrativos pelo sertão do Nordeste e de Goiás.

“Destinado a todas as faixas etárias, Conte lá que eu canto cá, em razão do conteúdo, do humor e da verve, além de emocionar e provocar riso, leva o espectador a entrar em contato com a raiz do nosso povo, que leva uma vida quase sempre marcada por muita luta”, destacam Adriana Nunes e Marcello Linhos, irmãos e filhos de mãe goiana e pai sul-matogrossense.

Universo familiar


Antes dessa montagem, Adriana atuou ao lado de Jovane Nunes - também integrannte da trupe Melhores do Mundo – em outro projeto, com proposta semelhante, que ficou em cartaz entre 1996 e 2000. “O Marcelo vinha, há algum tempo, fazendo um show em que interpretava composições autorais e de outros compositores de temática caipira. Aí, depois de uma conversa que tivemos, decidimos nos juntar nesse espetáculo, no qual focalizamos um universo familiar”, conta a atriz e comediante.

Ela explica que enquanto conta causos e histórias, Linhos, acompanhado por Nelson Latif e Marcelo Lima, interpreta as músicas. “As duas linguagens artísticas vão se entremeando no decorrer da encenação. Meu foco é sobre a obra de mestres como Patativa do Assaré e Guimarães Rosa e da escritora Maria Valéria Rezende, um ex-freira, moradora da Paraíba”, comenta.

Linhos revela que o interesse e a paixão pelo acervo de Patativa do Assaré fizeram com que ele e Adriana decidissem dar ao espetáculo nome que se assemelha a um dos mais conhecidos poemas do repentista. “Mas o roteiro vai além do Nordeste. Passeamos também por Goiás e Minas Geraes, estados representados pelo contador de causos Geraldinho e pelo genial escritor João Guimarães Rosa, respectivamente”, destaca.

Ele revela que uma das músicas de sua autoria, que canta na peça, teve como fonte de inspiração o conto A outra margem do rio, considerada obra-prima da obra de Guimarães Rosa, publicada no livro Primeiras estórias, de 1962. “Interpreto também Lamento sertanejo, parceria de Dominguinhos e Gilberto Gil; Vide vida marvada, de Rolando Boldrin; Pagode de Brasília, moda de viola eternizada por Tião Carreiro; e Jatobá, música de minha autoria, em que faço alusão a uma árvore imensa que existe numa casa no Park Way, bem no meio do Cerrado, onde passei a infância e adolescência”, lembra.

Segundo Linhos, a escolha de Fernando Guimarães para dirigir Conte lá que eu canto cá foi feita por ele e Adriana. “Obviamente, já conhecíamos o trabalho de encenador realizado por Fernando, que foi totalmente receptivo ao nosso convite”, diz. Depois de assistir a um ensaio, ele pensou o espetáculo cenicamente e, com um olhar diferente, trouxe movimentação, e estética de figurino, além de nos propor uma forma de interpretação no casamento entre uma música e uma história. Tínhamos algo cru para levar ao palco, que foi transformado num espetáculo teatral por Fernando”, complementa.

Os dois músicos que companharão Adriana Nunes e Marcelo Linhos têm uma grande bagagem artística. Violonista e cavaquinista, Nelson Latif estudou violão clássico e, na Faculdade Paulista de Música, e composição e regência na Faculdade Danta Marcelina, também na capital paulista. Radicou-se 12 anos em Amsterdã, e se tornou professor da Uit Kunst, instituição que divulga a cultura estrangeira naquele país. Ele integrou e foi produtor de diversos grupos europeus e brasileiros.

Bandolinista e violonista, Marcelo Lima estudou no Conservatório de Música do Distrito Federal. Compositor e produtor musical, foi professor da Escola de Música de Brasília e da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, fez parte de vários grupos brasilienses e tem feito turnês pelo Brasil e exterior.


Conte lá que eu canto cá

Espetáculo cênico-musical com Adriana Nunes e Marcelo Linhos, acompanhados pelos músicos Nelson Latif e Marcelo Lima hoje, às 20h, no Teatro do Brasília Shopping (W3 Norte), Ingressos: R$ R$ 30 (meia entrada). Doadores de 2 kg de alimento pagam R$ 40. Vendas em: https:www.bilheteriadigital.com. Classificação indicativa livre. Informações: 2109-2122.
 
 
 
 

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