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Correio Braziliense

Funarte esclarece veto a bandas de rock em edital

O edital do Prêmio de Apoio a Bandas de Música 2020 chamou a atenção ao proibir bandas de rock de participarem


postado em 24/01/2020 14:29 / atualizado em 24/01/2020 14:30

Antes de assumir o cargo de presidente da Funarte, Dante Mantovani disse que o rock
Antes de assumir o cargo de presidente da Funarte, Dante Mantovani disse que o rock "leva ao aborto e satanismo" (foto: YouTube/Reprodução)

O edital do Prêmio de Apoio a Bandas de Música 2020divulgado na última quarta-feira (22/1) pela Funarte (Fundação Nacional de Artes), chamou a atenção e criou polêmica nos últimos dias. O motivo foi a proibição da participação de bandas de rock, visto que o atual presidente da fundação, Dante Mantovani, antes de assumir o cargo publicou um vídeo em que alega que o rock "leva ao aborto e satanismo".

"O rock ativa a droga que ativa o sexo que ativa a indústria do aborto. A indústria do aborto por sua vez alimenta uma coisa muito mais pesada que é o satanismo. O próprio John Lennon disse que fez um pacto com o diabo", disse na ocasião.

Em nota enviada à imprensa, como resposta a coluna Lauro Jardim (do jornal O Globo), a Funarte afirmou que o impedimento não é somente para bandas de rock e que, também, esteve presente em editais passados. "A redação desse item sempre visou apenas a evitar confusão com outros tipos de bandas, não somente as de rock. Estas, como outros tipos de bandas diferentes das bandas civis "tradicionais", nunca foram incluídas nesse prêmio, como se comprova no texto do edital de 2013: "Não poderão participar deste Edital… ‘bandas de pífanos’, ‘bandas de rock’, ‘bigbands’, orquestra de sopro, bem como conjuntos musicais assemelhados, conjuntos musicais de instituições religiosas, bandas militares…", etc., conforme comprovado na nota de 2013.", disse o órgão em nota.

Confira a nota na íntegra:


"A Fundação Nacional de Artes – Funarte comunica que há equívoco na matéria da Coluna Lauro Jardim, do jornal O Globo, já repercutida em outros veículos de imprensa.

A alegação da matéria de que "a proibição específica à bandas que tocam rock cai como uma luva para o presidente da Funarte, Dante Mantovani" não corresponde à realidade. Primeiro, porque esse edital serve à distribuição de instrumentos apenas para bandas civis "tradicionais", e não para outros tipos de bandas. Em segundo lugar, porque a Funarte realiza o Projeto Bandas (do qual faz parte essa ação) há 44 anos, desde 2007 por edital, com os mesmos critérios atuais. A redação atual é quase igual nas três versões anteriores, 2007, 2010 (Procultura) e 2013, não sendo absolutamente uma novidade da gestão Dante Mantovani.

A redação desse item sempre visou apenas a evitar confusão com outros tipos de bandas, não somente as de rock. Estas, como outros tipos de bandas diferentes das bandas civis "tradicionais", nunca foram incluídas nesse prêmio, como se comprova no texto do edital de 2013: "Não poderão participar deste Edital… ‘bandas de pífanos’, ‘bandas de rock’, ‘bigbands’, orquestra de sopro, bem como conjuntos musicais assemelhados, conjuntos musicais de instituições religiosas, bandas militares…", etc., conforme comprovado na nota de 2013.

Além disso, "bandas de música" sempre foi considerada pela Funarte como uma linguagem musical específica, distinta das demais. As bandas tradicionais realizam, em milhares de municípios brasileiros, um trabalho de formação musical, que qualifica artistas para orquestras. Por tudo isso, a Fundação mantém há anos a Coordenação de Bandas. Portanto, a Funarte nunca teve, não tem e nunca poderá ter preconceito contra nenhum estilo musical – como se espera de uma instituição federal de Estado".

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