Publicidade

Correio Braziliense

Blocos do carnaval de rua de Brasília apostam na diversidade musical

Blocos colocam a diversidade na rua: do samba ao rock, do frevo a sucessos da axé music, do funk aos hits de Lady Gaga


postado em 25/01/2020 09:09 / atualizado em 25/01/2020 10:50

(foto: Jonas Santiago/Divulgação)
(foto: Jonas Santiago/Divulgação)
Diversidade é a marca registrada do carnaval de Brasília, que tem os blocos como principais atrações. Há os que foram criados há mais de 10 anos, os que vão participar da festa pela primeira vez, e os de diferentes gêneros e propostas. No que se refere a números de integrantes, existe também, diferenças — indo de três a 60.

Obviamente todos — ou a maioria — costumam arrastam multidões em seus desfiles, ou às apresentações em locais variados: do Eixão Sul à Praça dos Prazeres (201 Norte), do Setor Bancário Sul à área externa do Museu da República (Esplanada dos Ministérios), do Setor Comercial Sul ao Complexo Cultural da Funarte.

Um outro aspecto que torna a folia da capital federal bem variada é o tipo de música cantada pelos blocos, geralmente levando os foliões a fazerem coro com eles. A trilha sonora é um mix de rock das bandas brasilienses a clássicos da obra de Caetano Veloso; do samba à música de artistas populares como Wando e Sidney Magal; do frevo à sucessos da axé music; de do funk de Anitta a hits das divas pop Lady Gaga e Rihanna.

O Correio ouviu representantes de 10 desses blocos, que falaram do estilo musical que os representa


Divinas Tetas – O nome do bloco vem de Vaca profana, título de uma canção de Caetano Veloso, interpretada originalmente por Gal Costa. Em sua quarta participação no carnaval da cidade — incluído o show no dia 8 próximo, no Outro Calaf, o Divinas Tetas, formado por 11 músicos e três vocalistas, vai passear por repertório que inclui músicas de Gilberto Gil, Novos Baianos, Jorge Ben Jor, Mutantes e, claro, Caetano. “Em nossas apresentações Eclipse oculto, Reconvexo, Podres poderes, Palco, Preta Pretinha, Preta pretinha e Minha menina não podem faltar”,diz a vocalista Isadora Pina.

(foto: Arquivo do Bloco)
(foto: Arquivo do Bloco)


Eduardo & Mônica — Fãs da Legião Urbana, ao criarem um bloco em 2017, Marquinho Vital, Diogo Villan e Meolli decidiram chamá-lo de Eduardo & Mônica, nome de um dos mais emblemáticas composições de Renato Russo. “O apelo que a banda tem entre os brasilienses foi determinante para que, de imediato, ganhássemos a simpatia dos foliões. Mas o que buscamos enfatizar em nossos shows e durante o carnaval é a importância do rock de Brasília. Por isso mesmo, cantamos sempre músicas da Legião, Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Plebe Rude e Raimundos, entre quais Tempo perdido, Meu erro, Natasha, Até quando esperar e Mulher de fases”, explica Vital.

Galo Cego — Com 12 anos de existência, o Galo Cego teve origem numa roda de samba na casa de Bruno Dourado, ex-percussionista do Natiruts. “O que era inicialmente uma batucada familiar, foi para as ruas no carnaval de 2011, na área próxima ao Calaf, no Setor Bancário Norte. Na formação do bloco tive ao meu lado o baixista Luís Maurício, ex-companheiro no Natiruts, além de engenheiros, arquitetos, advogados e servidores públicos nossos amigos”, lembra Dourado. Sambas consagrados gravados por Beth Carvalho (Vou festejar), União da Ilha (O amanhã) Chico Buarque (Feijoada completa) e Elis Regina (O bêbado e a equilibrista) são cantadas pelo Galo Cego.

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

Virgens da Asa Norte — Diversidade musical é o que propõe o grupo Virgens da Asa Norte, um dos blocos pioneiros do carnaval brasiliense, que e celebra 10 anos em 2020, com desfile na orla da Ponte JK, sábado próximo a partir das 14h. “Na nossa festa comemorativa, vamos ter como convidada especial Dona Onete, a rainha do carimbó e ícone da música paraense, além da orquestra de frevo Marafreboi. Quem for nos acompanhar, gratuitamente, vai ouvir também muito samba, frevo e axé music”, anuncia Maurício Batista, um dos criadores do bloco.

Brega & Rosas — Banda com 10 anos de música, a Brega & Rosas estreia seu bloco no carnaval deste ano, com apresentação no dia 23 de fevereiro no palco principal do Setor Carnavalesco Sul. Em seus shows, o grupo propõe uma mistura inusitada, toando de Beatles a Reginaldo Rossi; de The Smiths a Raimundo Fagner; de Pepeu Gomes a Wando, em mashups surpreendentes. “Evidências, imortalizada por Chitãozinho & Chororó e incorporada por Maria Bethânia ao seu repertório, é um dos nossos carros-chefes”, destaca o  vocalista Fernando Cabral.

Essa boquinha Eu Já Beijei — Bloco que participa do carnaval da capital há sete anos — o início foi na Praça dos Prazeres, ao lado do antigo Balaio Café, na 201 Norte — Essa Boquinha Eu Já Beijei conta com 15 mulheres em sua formação, incluindo instrumentistas, vocalistas e DJs, toca samba, axé music, pop e afoxé. “Neste ano, vamos participar do Carnaval de Todas as Cores, com blocos que vão levar para as ruas toda a pluralidade e empatia da comunidade LGBTQI, adianta a vocalista Letícia Fialho.

Quem Chupou Vai Chupar Mais — Depois de arrastar 60 mil pessoas no carnaval de 2019, o Quem Já Chupou Vai Chupar Mais estará de volta a área externa do Museu da República, no dia 8 próximo, para comemorar os 70 anos do trio elétrico (criação dos mitológicos Dodô e Osmar). O agito será comandado pela banda Êaêêaôô Axé 90 (foto), formada por músicos do Móveis Coloniais de Acajú, Muntchako. Consuelo e Paso Largo. “Eternos sucessos do axé do repertório de Daniela Mercury, Chiclete com Banana, Asa de Águia, e Banda Eva estão em nosso repertório”, garante o vocalista André Gonzales.

Sereias Tropicanas — Originário da plataforma Arquipélagos das Sereias, o Sereias Tropicanas surgiu em 2019. “Somos um bloco LGBT que une dança, teatro, performance e encenação. Prometemos um espetáculo único no desfile do dia 24 de fevereiro, às 16h, no Setor Comercial Sul, totalmente aberto e gratuito. Tudo no embalo de sucessos do axé dos anos 1990, principalmente da rainha Daniela Mercury”, festeja Gustavo Letruta, um dos líderes do bloco.

Bloco Patubatê — Criado há 10 anos, o grupo Patubatê deu origem ao bloco do mesmo nome que completa 10 anosa em 2020. “O bloco é formado por percussionistas do grupo e alunos ds oficinas que oferecemos. Em nosso desfile usamos instrumentos criamos a partir de material reciclável e também os convencionais como agogô, tamborim, surdo, caixa. O violonista e cavaquinista Marcelo Lima é o nosso convidado especial responsável pela harmonia. Tocamos frevo, ritmos nordestinos, músicas de Chico Buarque, para os quais criamos arranjos percussivos”, observa Fred Magalhães, diretor do bloco.

(foto: Divulgação)
(foto: Divulgação)

As Leis de Gaga — “Fizemos um trocadilho de Lady Gaga, para dar nome ao nosso bloco, que desfila acompanhado por DJ tocando hits de Rihanna, Beyoncé e da nossa diva”, revela Kylie Kiss, a draf que lidera o As Leis de Gaga. “Queremos todos e todas com o bloco no dia 22 de fevereiro, no Setor Carnavalesco Sul”.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade