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Correio Braziliense

Conheça a nova geração de Djs que agitam à cena brasiliense

O Correio conversou com alguns Djs da cidade que têm conquistado espaço nas baladas e se destacado na cena eletrônica


postado em 25/01/2020 10:02 / atualizado em 25/01/2020 10:50

A arte dos Djs está guardada em dispositivos de memória eletrônica. Entre as batidas da música, eles misturam os ritmos. House, eletrônico, funk, hip hop, samba, rock, pop. No ritmo do público, expressam a criatividade, a essência do trabalho e, aos poucos, ganham destaque no line up de festas e festivais. Da mesma cena da qual Alok, classificado como o 11º melhor DJ do mundo pela revista DJ Mag, despontou, brasilienses têm transformado o universo da discotecagem e da produção musical em carreira. O Correio conversou com alguns nomes e mostra a diversidade musical que a cidade tem produzido.


(foto: Fernando Veler/Divulgação)
(foto: Fernando Veler/Divulgação)

Matheus Fonseca
“Muito boa noite, para quem não me conhece, me chamo Matheus Fonseca”. Assim que o brasiliense, de 22 anos, se apresenta quando sobe ao palco. “Nunca sei exatamente o que vou tocar. Tenho o meu show ali, as músicas chaves de abertura e para fechar, mas sempre procuro me adaptar de acordo com a festa. Chego na hora e vou sentindo o clima”, descreve Matheus.

Formado em Publicidade, o DJ começou a carreira entre churrascos de amigos e festas em casa. “Até que, entre 2015 e 2016, entrei para tocar em um bar de Brasília e fiquei dois anos como residente. Fui começando a ficar visado e apareceram os convites para tocar nas festas”, lembra. “Uma projeção natural”, define o jovem que discotecou em grandes eventos como o Camarote Alegria, na Sapucaí (RJ); a Rio Sunset (RJ), o Lets Catch, em Camboriú (SC), e no Réveillon Mil Sorrisos, em Barra Grande (BA). “De 2018 para 2019, tinha ido só para curtir e houve um imprevisto, de um DJ internacional que demorou a chegar, e me pediram para tocar. Este ano, voltei oficialmente”, conta aos risos.

No setlist, Matheus gosta de variar dentro do house music. Entre as referências estão Avicii, Martin Garrix e Vintage Culture. “Quero passar o máximo de energia para o público”, afirma. Em dezembro, o DJ lançou, ao lado do compositor e cantor também brasiliense Marconi e do Dj carioca Joe Kinni, a música Nossa Loucura. A batida, inspirada no verão, foi escolhida como tema oficial do Funn Summer.

“Não gosto de pensar lá no futuro, gosto de deixar as coisas fluírem, fazer música que o pessoal goste e transmitir esse sentimento que tenho, a paixão pela música. Vejo-me com 40 anos, mas ainda tocando”, comenta. O nervosismo é natural e constante, “mas quando subo no palco e falo no microfone, parece que some o nervoso”, finaliza.


(foto: Gabriel Zago/Divulgação)
(foto: Gabriel Zago/Divulgação)

Gabriela Nogueira 
Com a música e, principalmente, a discotecagem e o apoio dos amigos, Gabriela Nogueira, 27 anos, encontrou uma forma de lidar com a timidez. Enquanto conta um pouco da sua história e revela alguns sonhos, a voz embargada vira e mexe aparece. Contudo, quando está de frente para a mesa de som, nem parece a mesma. “Minha essência é voltada para a black music. Gosto de tocar de tudo que eu curto, mas dentro da essência, da bass music, do grove. E mesclo tudo que acho que fica legal no meu som, pop, funk, hip hop”, descreve a brasiliense. Dentro de uma seleção de muitas músicas, como gosta de enfatizar, a DJ escolhe o que tocar de acordo com o público e o lugar.

Há quase quatro anos, além da discotecagem em festas e bares da cidade, Gabriela acompanha o grupo de rap Viela 17. “Desde os 14 anos, sempre fui envolvida com festas, meus amigos faziam eventos, então estava ali no meio e gostava de ver meus amigos tocando, mas era muito tímida. Um deles, uma vez, falou que ia me ensinar e tocar, e eu resolvi fazer as aulas”, lembra.

Depois de percorrer festas de amigos e bares de Taguatinga, onde nasceu, ela foi convidada para discotecar, em 2016, em um happy hour da Engenharia Florestal da Universidade de Brasília (UnB). “Ali me apaixonei mesmo”, pontua. Com a música, Gabriela viajou para Chapada dos Veadeiros, Goiânia e Minas Gerais. “Ali senti o público muito caloroso”, comenta. Entre os grandes sonhos está participar de festivais como o Rock in Rio e o Lollapalooza. “E tocar fora do Brasil, claro”, acrescenta aos risos.

Quando não está trabalhando, a DJ Gabi não foge muito das batidas que leva para a pista. Ela escuta jazz, rock, reggae, samba e rap. E também produz músicas. “Tenho planos de continuar tocando, estudando muito e produzindo para criar o meu som”, adianta. “Sinto-me muito grata e muito feliz por fazer aquilo que amo e poder levar meu trabalho para outras pessoas, para quem não conhece”, acrescenta. Em um universo ainda muito masculino, Gabriela espera ser reconhecida, antes de tudo, como profissional, artista. “É muito difícil as pessoas te enxergarem só como Dj, é ‘Dj mulher”, finaliza.


(foto: Fernando Veler/Divulgação)
(foto: Fernando Veler/Divulgação)

Dudu Moreira 
Aos 15 anos, o brasiliense Dudu Moreira estava diante da primeira controladora. “Além da parte musical, comecei percebendo o poder que o DJ tinha de animar uma festa, a forma como interagia com o público”, comenta sobre o que o encantou no universo da discotecagem. Quase 10 anos depois, a energia é a mesma, e Dudu espera nunca perder. “Alguns princípios nunca mudaram no set e outros foram evoluindo de maneira bem gradativa. Continuo com a mesma vontade e o mesmo empenho de ver o pessoal dançando e curtir aquele momento com o meu público, isso é muito bom”, comenta.

Sobre o repertório, o brasiliense define como vasto e completo. “Seleciono músicas diferentes que eu sei que vão tocar o público e direciono conforme a aceitação”, detalha. Em algumas festas, ele chega a estabelecer a primeira música, mas nunca é a mesma. “Mudo para criar um clima diferente. Algumas músicas, o pessoal já espera, mas não sabe em qual  momento vou tocar”, conta Dudu. A base do DJ é a música eletrônica. A partir dela, ele mescla entre o gosto pessoal e o gosto do público. Funk, hip-hop e rock vão para a pista. Até canções da dupla Sandy e Junior já entraram no setlist de Dudu.

Formado em Engenharia de Software, o brasiliense ainda atua na área, mas o foco é a música. “É o meu hobby que virou atividade principal. Mas utilizo muito do que aprendi na área corporativa dentro do meu trabalho como DJ”, comenta. Para 2020, o plano é ampliar os horizontes. “Levar o nosso som cada vez mais longe”, resume. Desde o ano passado com uma equipe de produção, a ideia de Dudu é alçar novos rumos e lançar produções próprias. Aos 24 anos, ele já discotecou no Rio de Janeiro, em Goiânia, no Uruguai e na Argentina, por exemplo. “Pelo tempo que eu toco, o pessoal já sabe o que esperar do meu set aqui em Brasília. Fora o feedback que é muito bom. Gostam da agilidade com que eu faço as coisas e as músicas diferentes do que o pessoal está acostumado a ouvir”.


(foto: @actionbr_/Divulgação)
(foto: @actionbr_/Divulgação)

Gabriela Vilela
Como ouvinte e consumidora de música eletrônica, a estudante de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) Gabriela Vilela, de 20 anos, decidiu fazer um curso e imergir nesse universo. “O objetivo não era ser Dj”, lembra aos risos. O que começou de maneira despretensiosa tem conquistado o gosto e o tempo da brasiliense, bem como do público. “Comecei a tocar em uma festa ou outra, e as portas foram se abrindo”, acrescenta.

Tem quase dois anos que a Dj Gabi aparece no line up de eventos da capital e este ano vai discotecar, pela primeira vez, fora da cidade. Serão dois dias em Goiânia, no carnaval, e depois retorna para integrar a folia no Carnaval no Parque. Apesar de gostar de um som mais underground dentro do house, Gabriela monta um setlist variado. “Depende muito do tipo de festa que eu vou tocar. Festas mais underground, toco uns estilos mais tech house, techno. Na maioria das vezes, toco em eventos mais comerciais, aí trago o brazilian bass, o deep house e coisas mais cantadas”, conta.

Mesmo diante das poucas pretensões iniciais, a brasiliense vai passar um mês fora do país em um curso de produção musical. “Para fazer as minhas músicas, para me especificar. Assim que começar a produzir, quero tocar um estilo próprio e criar uma identidade minha”, adianta. Com a escolha, Gabriela comenta que escuta muitos comentários machistas. “É um universo muito masculino e sempre escuto ‘você só conseguiu chegar aonde está por ser mulher, porque chama muito mais atenção’ ou falam que mulher não produz música, que mulher não gosta de ficar sentada em frente ao computador”, detalha. Mas nada disso a restringe.


(foto: Fernando Rodrigues/Divulgação)
(foto: Fernando Rodrigues/Divulgação)

Disstinto 
A influência musical na vida de Disstinto, 23 anos, veio da família. Desde um tio com banda de pagode, outro que cantava rap, até os passinhos de dança. Não demorou muito para ele saber que seguiria esse caminho. Estudou, produziu, compôs rimas, foi DJ de grupo de rap, back vocal. O brasiliense, nascido em Sobradinho, mergulhou com tudo na música.

“Ser DJ é um experimento do Dissinto como um todo, do produtor que gosta de cantar. Foi um formato que encontrei mais próximo de montar a minha apresentação enquanto as minhas músicas não são conhecidas. Tocando, consigo estudar o que as pessoas gostam, como elas se comportam nas festas, e trago tudo isso para a produção, do que eu quero compor”, explica.

Para a pista, o DJ gosta de passear por todos os ritmos. “Do hip hop ao funk, eletrônico, ao que está em alta no pop, pagode, músicas mais brasileiras”, descreve. Contudo, a identidade que Disstinto imprime musicalmente também se reflete na performance no palco e no visual. Além da discotecagem, o brasiliense vira mestre de cerimônia das festas, opta por estar junto do público e fazer uma apresentação ‘disruptiva’. “Nada foi premeditado. As coisas foram acontecendo nesse caminho e está dando certo, então vamos seguir. Este ano, estou montando uma performance, um show mesmo, para ser de fato a atração principal do set, não só as músicas”, comenta.

No início de 2020, ele lançou, junto com o artista multi-instrumentista XAVV, o EP Não explana. “Tem essa ideia de love songs que é uma vertente do hip- hop de que mais gosto, até por ter nascido em 1996, me lembro de ouvir muito Ja Rule, Akon e músicas mais R&B”, comenta.


(foto: Shake it/Divulgação)
(foto: Shake it/Divulgação)

Ella Nasserr
“Todo mundo que trabalha na noite aqui em Brasília vai virar Dj um dia”, comenta aos risos Ella Nasserr, 27 anos. De maneira natural, em 2015, ela entrou para o circuito. “As pessoas acham que não precisa ter preparo, igual eu achava no começo, mas não é assim. É preciso muito preparo e muito estudo. Constantes”, acrescenta.

Na discotecagem, Ella resgata sons que fizeram parte da infância e da adolescência, principalmente o pop internacional como Lady Gaga, Britney Spears. “Traz a saudade das pessoas, as lembranças. Isso é muito legal”, conta. Contudo, a DJ pontua: “Gosto de surpreender as pessoas no meio com uma música trance. O inesperado dentro do set é o que marca”.

Além das canções, a brasiliense gosta de performar no palco. “Estou sempre dançando e em contato visual com o público. É importante mostrar que você está curtindo o seu próprio set para que as pessoas curtam”, afirma. Para ela, a letra da música de Madonna resume a profissão que escolheu: Music makes the people come together. “É uma forma de unir as pessoas de todas as tribos, de todas as raças e etnias levando música e curtindo juntas”, avalia.

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