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Correio Braziliense

Carnaval de Brasília: Lembre a história dos blocos tradicionais de rua

Reviva a história e saiba o que essas agremiações estão preparando para o carnaval 2020


postado em 26/01/2020 06:30 / atualizado em 25/01/2020 14:19

Bloco da Baratona(foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press)
Bloco da Baratona (foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press)
 
O carnaval é parte da história de Brasília. Não há quem nunca tenha ido ou pelo menos não conheça os blocos tradicionais. Em meio a músicas, marchinhas e desfiles, Asé Dúdú, Baratinha, Baratona, Bloco dos Raparigueiros, Galinho de Brasília, Mamãe Taguá, Menino de Ceilândia, Pacotão e Suvaco da Asa se consagraram na cidade e no coração dos brasilienses.

“O carnaval de Brasília praticamente nasceu com Pacotão e Galinho. Naquele ano de 1992, a gente brincava, era um bloco de família, hoje em dia tem muitos jovens e famílias também”, relembra Franklin Maciel Torres, atual presidente do Galinho e um dos fundadores. No entanto, por mais que a história desses blocos carregue consigo a tradição e a relevância deles, nem todos terão atividades neste ano por falta de estrutura e de verba.

O Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF) e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) promoveram o edital FAC Carnaval 2020, que prevê financiamento público de R$ 3,6 milhões para os blocos. Com o resultado preliminar, divulgado em 6 de janeiro, apenas Menino de Ceilândia e Baratinha foram aprovados para receber recursos. O resultado, no entanto, não define quem sairá às ruas, pois as agremiações podem buscar patrocínio e outras formas de financiamento.

“O maior problema que a gente tem com o FAC é a questão da forma de se fazer o carnaval que acabou privilegiando um carnaval do Plano Piloto. A territorialidade e a tradicionalidade de blocos que fazem folia fora do eixo não foram respeitadas”, critica Jorge Cimas, presidente da Liga dos Blocos Tradicionais de Brasília, sobre a não admissão de outros blocos. O Correio fez um recorte dos blocos tradicionais e revive um pouco a história de cada um. Confira!

*Estagiária sob supervisão de Severino Francisco


Baratona
Da saudade da terra natal veio a Baratona, pelas mãos de Luiz Lima, em 1975, folião nato de Pernambuco. “A Baratona era uma corrida de fim de ano em que os competidores tinham que passar pelos bares da cidade. Não ganhava quem chegasse primeiro, mas, sim, o mais embriagado. Com isso, o Luiz passou a ver a necessidade de um carnaval mais forte em Brasília, porque quem não tinha condições de ir para os clubes ficava sem a folia”, conta o organizador Paulo Henrique de Oliveira. Com três trios elétricos, bandas, DJs e muito axé, frevo e marchinha, o bloco preza pela saúde dos foliões a partir da conscientização sobre Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e espera paz e diversidade para esta edição. A programação está marcada para domingo (23/2) e terça (25/2), das 16h à 0h. A expectativa da organização é de 100 mil foliões.


Baratinha
“Baratinha é nosso xodó”: é assim que o organizador Paulo Henrique de Oliveira define o bloco. Fruto da Baratona, a Baratinha surgiu em 1990, também pelas mãos de Luiz Lima. “Ele percebeu a necessidade das crianças mais carentes, que não tinham condições de ir para os clubes”, continua. A folia — que teve pequenas edições de 1977 a 1979 — veio como alternativa acessível para a garotada pular carnaval sem medo de ser feliz. No Parque da Cidade, o bloco conta com brinquedos infláveis, espuma, serpentinas e confetes — tudo de graça. Neste ano, a preocupação com a chuva levou a organização a buscar uma tenda galpão. A programação está marcada para domingo (23/2) e terça (25/2), das 14h às 21h. A expectativa da organização é de 70 mil foliões mirins.


Raparigueiros
Em 1992, nasce o Raparigueiros, que tem como berço a Candangolândia. Foi uma ideia de amigos para festar atrás de outros blocos, como a Baratona. Até hoje, os dois se encontram pelas ruas. “Lá, os meninos não tinham alternativas para se divertir”, conta Zanata Gregório, presidente do bloco. No desfile, toca principalmente música baiana e, neste ano, inclui dois trios elétricos e três bandas. A novidade para 2020 é que o Raparigueiros sairá da Torre de TV.  A programação está marcada para domingo (23/2) e terça (25/2), das 17h às 21h. A expectativa da organização é de 100 mil foliões em cada dia.


Galinho de Brasília
De um grupo de família e amigos que não puderam viajar para a terra natal no Nordeste e queriam pular carnaval surgiu o Galinho de Brasília, em 1992, inspirado no Galo da Madrugada, de Recife.  “Uma curiosidade é que uma cláusula pétrea do nosso estatuto diz que só pode tocar frevo”, brinca Franklin Maciel Torres, atual presidente e um dos fundadores. Depois da primeira edição, nasceu também o Grêmio Recreativo da Expressão Nordestina — Galinho de Brasília (Gren). Eleito como o melhor bloco de carnaval numa enquete do Correio em 2016, o Galinho deixou de ir às ruas no ano passado, pela primeira vez em 27 anos, por falta de dinheiro. Ainda não há programação definida para este ano.


Àsé Dúdú + Mamãe Taguá
Muito queridos em Taguatinga, os blocos fazem a folia na cidade. A partir de 1987, o Àse Dúdú se lança no Taguaparque para difundir a cultura afro-brasileira e promover relações culturais, com o tradicional arrastão e a lavagem das baianas. Enquanto isso, famílias levam a criançada desde 1995 para curtir o Mamãe Taguá e participar do concurso de fantasias e de oficinas de teatro, dança, artes visuais e música. Além disso, o bloco infantil reúne samba, maracatu, frevo e marchinhas.


Menino de Ceilândia
Em 1995, nasceu o bloco, cujo nome remete à quantidade de jovens que estavam se tornando pais e acabavam por buscar um local de entretenimento, cultura, diversão e também para trocar experiências. De uma oficina cultural, nasceram bonecos mamulengos, fantasias e adereços que até hoje fazem a festa.


Pacotão
Conhecido como o “o bloco dos sujos” — pelas típicas manifestações populares carnavalescas —, o bloco surgiu em 1978: partiu da 302 Norte sem instrumentos e sem rumo para Asa Sul. Fundado por um grupo de jornalistas, o Pacotão é o bloco mais antigo da capital. Improviso e fantasias se juntam a fanfarras, metais e percussão para fazer a festa, com muito samba e marchinhas. “O nome remete ao pacote do Geisel, em 1977, que fechou o Congresso”, relembra Joca Pavarotti, um dos fundadores. “Sempre foi, sempre será um bloco satírico e político”, pontua.  Ainda não há programação definida para este ano.


Suvaco da asa
Criado em 2006 por foliões saudosos de Recife, muitos deles jornalistas, o bloco agita o carnaval brasiliense de forma irreverente e festiva. “Nasceu como um bloco de pré-carnaval, que era uma coisa que não existia antes”, conta o diretor Pablo Feitosa, que é folião do bloco desde a fundação. De Pernambuco, herdou a manifestação popular e, também, o frevo e as marchinhas. “É um bloco muito cultural”, define. A programação está marcada para sábado (8/2), às 10h, com o bloco infantil Suvaquinho e, depois, das 13h às 20h, com o Suvaco.

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