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Correio Braziliense

Brasilienses capricham na malícia para batizar os blocos carnavalescos

Chama a atenção a evocação ao insólito, o jogo de palavras e o uso do trocadilho, tomando como referência algo vivenciado no dia a dia, ou que desperta a admiração


postado em 16/02/2020 11:41 / atualizado em 16/02/2020 11:41

(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

 

A diversidade é a marca registrada dos mais de 200 blocos que irão se espalhar por quadras, avenidas e outros espaços de Brasília ao participarem da programação do carnaval deste ano. Essa característica tem a ver com as diferentes propostas de cada um, relacionadas com números de integrantes, tipos de fantasia que usarão e da música que os embalarão. Mas o aspecto que mais os distinguem é o relacionado com os nomes escolhidos. Chama a atenção a evocação ao insólito, o jogo de palavras e o uso do trocadilho, tomando como referência algo vivenciado no dia a dia, ou que desperta a admiração. Sem esquecer o apelo a expressões e elementos ligados à sexualidade. O Correio contactou alguns desses blocos e busca apresentá-los aos foliões. Que cada um faça sua escolha antes de se jogar na farra.
 
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
 

Encosta que cresce

Considerado um megabloco, o Encosta que cresce, ao ser criado em 2015, por um grupo de amigos, teve como referência um similar da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. “Autorizados, fizemos a adaptação do nome, uma vez que o bloco carioca chama-se Encosta que ele cresce. Saímos pela primeira vez há cinco anos e temos arrastado muita gente para nos seguir”, conta Edson Machado, um dos diretores. “Neste domingo, das 14h às 20h, vamos ocupar a Praça das Fontes, no Parque da Cidade, tendo como atrações Gisele Guedes e banda e o Dj Cildo Martins. Somos um bloco plural e esperamos a participação de foliões de todos os gêneros”, acrescenta.

(foto: Caroline Valenca/Divulgação)
(foto: Caroline Valenca/Divulgação)

Comuna Deusa 

Ao participar do carnaval de São Paulo, há três anos, Luciana Lobato se juntou aos foliões do Soviético, bloco com viés de esquerda, no qual os foliões usavam a cor vermelha nas fantasias. Ela então quis fazer algo semelhante em Brasília e criou o Comuna Deusa, cujo nome faz alusão também à letra de Amor e poder, o grande hit da cantora Rosana. O bloco estreia no dia 23 deste mês no Outro Calaf (Setor Bancário Sul), apresentando-se de 13h as 20h. “A animação fica por conta de Djs, teremos a participação de convidados e vamos homenagear personalidades da esquerda, como Dilma, Luíza Herondina e Marielle”, anuncia Luciana.

(foto: Adriano Maneo/Divulgação)
(foto: Adriano Maneo/Divulgação)

Ser Loki Holmes 

“Somos um bloco secreto. É preciso desvendar alguns enigmas pelo Setor Comercial Sul para encontrar informações de horário e local de nossa apresentação.Vamos divulgar o enigma na semana do carnaval, no Setor Carnavalesco Sul pelo instagram @nosetor e @setorcarnavalesco sul”, explica Nana Bittencourt, criadora do bloquinho, cujo nome é uma brincadeira com o lendário Sherlock Holmes.

(foto: Divulgação)
(foto: Divulgação)

As Leis de Gaga 

Bloco assumidamente LGBTQ+,o As Leis de Gaga volta ao Setor Carnavalesco Sul no dia 22, para ocupar o palco 24. O nome do bloco é um trocadilho com a diva pop, sobre memes referentes às Leis de Newton e às Leis de Galileu. “Pregamos respeito e a liberdade entre todos, com muita música pop de Lady Gaga, defensora dos direitos da comunidade LGBT . Que venham todos se juntar ao bloco para realizar suas fantasias com segurança”, convoca Caco Lelis, criador do bloco.

(foto: Rafael Novak/Divulgação)
(foto: Rafael Novak/Divulgação)

Vai virado viado 

“No carnaval de 2018, me juntei a um grupo de amigos para sair num bloco e, quando decidi voltar para casa, uma amiga me chamou para ir com ela a outro bloco, no dia seguinte, às 10h. Então, disse que não conseguiria, pois precisava dormir. Ela então falou: ‘Vai virado viado’. Não fui, mas vi ali um bom nome para um bloco, que criei no ano passado, com Wilker Leal”. Resumidamente, essa é a história do surgimento do Vai Virado Viado, contada por Leandro Rodrigues. Ao som de batidas eletrônicas, o bloco se apresenta no dia 23 próximo, às 5h, no Setor Carnavalesco Sul. O convidado especial é o Dj paulista Edu Corelli, destaque da cena eletrônica de São Paulo.

(foto: Soulivier/Divulgação)
(foto: Soulivier/Divulgação)

Bloco Posudxs 

Primeiro bloco LGPTQIA de Taguatinga, traz o glamour e o luxo Posudxs se apresenta no dia 20, às 14h, na CNF 2. “Posudxs é um bloco autossustentável, que tem como lema Sexualidade não é gênero. Posudxs é uma manifestação da cultura Ballroom de Brasília, com batalhas de vogue e muita música e arte”, afirma Soulivier, um dos criadores do bloco.

(foto: Ichiro Guerra/Divulgação)
(foto: Ichiro Guerra/Divulgação)

Vamos Fullgil 

Ícone do movimento tropicalista, Gilberto Gil vai ser reverenciado no bloco Vamos Fullgil, que faz a ressaca de carnaval no dia 29, a partir das 15h, no Estacionamento 4 do Parque da Cidade. “Quando Dayse Hansa e eu decidimos criar um bloco, de imediato pensamos em homenagear Glberto Gil, expoente da cultura brasileira”, comenta Loli Alves. “Em nossa apresentação, grandes instrumentistas da música brasiliense, como Vavá Alfione, Esdras Nogueira e Marcus Moraes, formam a banda que vai tocar clássicos da obra do mestre, de Domingo no parque a Expresso 2222; e, claro, Vamos fugir”, complementa.

(foto: Victor Vec/Divulgação)
(foto: Victor Vec/Divulgação)

DesMaiô 

Pelo segundo ano, o bloco DesMaiô marca presença no Setor Carnavalesco Sul, no domingo de carnaval, às 10h. “Somos originários do Trio Papudo, que toca forró, pagode e axé music”, destaca Higo Abnny, que formou o bloco com Humberto Cianni. Ele sugere que os foliões compareçam vestidos de maiô. “Somos um bloco LGBT Friendly, partidários de um carnaval com respeito, em que não é não!”, frisa.

(foto: Luis Muller/Divulgação)
(foto: Luis Muller/Divulgação)

Bunda do delírio 

A origem do bloco Bunda do delírio é a ala gay do tradicional Pacotão, criada em 1972. A ala foi inspirada pelo grupo teatral Beijo Livre, dirigido pelo ator Alexandre Ribondi. “Com o bloco, buscamos resgatar aquele momento precursor do movimento LGBT no Distrito Federal”, assume a trans não binária Miranda Almeida, coordenadora de comunicação do Instituto LGBT . O bloco se apresenta no dia 23, às 17h, no Setor Carnavalesco Sul, com Dj tocando afoxé, samba e MPB, em cima de um trio elétrico.
 
 
 
 
 
 
 

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