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Correio Braziliense

Seleção de livros recém-lançados é boa opção para quem quer fugir da folia

O Diversão&Arte fez uma seleção dos lançamentos mais fresquinhos do mercado editorial para você aproveitar o feriado


postado em 16/02/2020 12:11 / atualizado em 16/02/2020 12:11

Capa do livro Operação Abafa, do autor Ronan Farrow(foto: Editora Todavia)
Capa do livro Operação Abafa, do autor Ronan Farrow (foto: Editora Todavia)

 

Quer aproveitar o carnaval para colocar a leitura em dia? O Diversão&Arte fez uma seleção dos lançamentos mais fresquinhos do mercado editorial para você aproveitar o feriado mergulhado em bons livros. E tem de tudo. A ficção surreal de Ian McEwan, o projeto de poder de Donald Trump, os bastidores das matérias que denunciaram Harvey Weinstein e os detalhes mais curiosos sobre o funcionamento do corpo estão nos lançamentos que acabam de desembar nas estantes das livrarias.


Assédio em Hollywood

Ronan Farrow começou a investigar os casos de assédio do produtor de cinema Harvey Weinstein para a rede de televisão NBC, mas, depois de dezenas de entrevistas com vítimas e testemunhas, viu o material vetado. Ofereceu, então, as reportagens à revista The New Yorker e acabou publicando uma série que ajudou a desmascarar um dos maiores predadores sexuais de Hollywood. A reportagem saiu alguns dias depois de outra matéria, escrita pelas jornalistas Jodi Kantor e Mega Twohey, mas causou igual impacto. No ano passado, Farrow, ganhador do prêmio Pulitzer, transformou o material no livro Operação abafa — Predadores sexuais e a indústria do silêncio, que chega ao Brasil este mês em tradução da editora Todavia.

No livro, o autor aprofunda a reportagem, conta detalhes de bastidores da apuração, explica como foi a rejeição ao material por parte da NBC e explica como acabou seguido, investigado e ameaçado por poderosos interessados em evitar a publicação das matérias. Farrow é filho de Mia Farrow e Woody Allen. Sua vida privada é alvo da imprensa sensacionalista há décadas, já que os pais travaram uma batalha midiática por sua guarda nos anos 1990, quando se separaram. Além disso, ele mesmo veio a público defender a irmã Dylan, que denunciou o abuso sexual praticado pelo pai. Operação abafa é quase uma vingança de Ronan Farrow, já que Harvey Weinstein foi o produtor responsável por reabilitar e financiar Woody Allen num momento em que estava alijado pelas acusações e quase falido.


Inspiração kafkiana

Antes de dar início à narrativa, Ian McEwan avisa que A barata é um conto longo e que qualquer semelhança com baratas, vivas ou mortas, é mera coincidência. Na história de McEwan, o inseto Jim Sams, certo dia, desperta na pele do primeiro-ministro da Grã-Bretanha com a missão de aprovar a Lei do Reversalismo. Uma exigência do povo, a tal lei institui que, a partir de sua aprovação, os súditos da coroa pagarão para trabalhar e serão pagos para consumir. É tudo bastante surreal em A barata, confessamente inspirado em A metamorfose, de Franz Kafka, e explicitamente influenciado pelo Brexit. “A barata foi concebido naquele ponto do caminho em que o desespero se encontra com o riso. Muitas pessoas se perguntam se o processo do Brexit extrapolou a sátira. Que romancista perverso seria capaz de imaginá-lo? Ele é, em si mesmo, uma tortuosa autossátira. Talvez só nos reste a zombaria, a tristonha consolação do riso”’, avisa o autor no posfácio do conto.


Nos mínimos detalhes

Qual a função da pele? Por que os milhões de bactérias da flora intestinal são importantes para a sobrevivência humana? Como conversam o sangue e coração? O que é medicina boa e medicina ruim? E o sistema imune, como funciona? Por que nervos e dor são tão dependentes? E o equilíbrio, qual o papel dele na existência? Quando Bill Bryson resolve investigar um tema, pode esperar uma narrativa saborosa e detalhada sobre um universo destrinchado em partes. Assim como já havia feito no livro Em casa — Uma breve história da vida doméstica, ele toma agora o corpo humano para narrar seu funcionamento de maneira acessível a qualquer leitor. Corpo — Um guia para usuários é daqueles livros cujos capítulos não precisam ser lidos em sequência e podem tanto ser uma distração cheia de curiosidades quanto uma fonte de conhecimento confiável e consistente.


O universo de Anne Frank

Alguns dos escritos de Anne, que registrou a vida no diário produzido em um esconderijo no qual viveu com a família para escapar dos nazistas, ganharam várias edições, mas nunca haviam sido reunidos em um único livro. Com Obra reunida – Anne Frank, a Record, única editora autorizada pela Fundação Anne Frank a editar o livro, traz uma compilação do que já foi publicado, mas também de textos inéditos.

Obra reunida tem as três versões existentes de O diário de Anne Frank: a original, uma modificada pela própria autora e outra editada pelo pai, Otto Frank, e publicada em 1947. Das versões originais, Otto excluiu partes em que a filha escrevia sobre a descoberta da sexualidade. Também fazem parte desse volume A vida de Cady, início de um romance que a autora pretendia escrever, E Contos e acontecimentos do anexo, no qual narra alguns episódios da vida no anexo, como era chamado o esconderijo, em forma de contos. 


Trump e a democracia

Donald Trump se tornou fonte inesgotável para jornalistas e analistas políticos. Desde que assumiu a Psresidência dos Estados Unidos, em 2017, pelo menos quatro bons livros foram publicados sobre a maneira como lida com o cargo. Um gênio muito estável — A ameaça de Trump à democracia, dos jornalistas Philip Rucker e Carol Leonnig, é o mais recente. “Fazer a cobertura jornalística da Presidência de Donald Trump tem sido uma jornada vertiginosa”, avisa a dupla.

O título do livro vem de uma citação do próprio presidente americano, que costuma se definir como genial e estável, e o volume analisa a personalidade de Trump como individualista e egoísta, capaz de gerar o caos para se proteger e se autopromover. Leonnig e Rucker defendem que há um significado e uma estratégia na desordem provocada pelo presidente norte-americano. Fruto de três anos de pesquisa e de entrevistas com pessoas que trabalham ou trabalharam na Casa Branca, Um gênio estável segue uma sequência cronológica de fatos na tentativa de “revelar Trump da maneira mais nua e crua possível e desmascarar como o modo como a tomada de decisões em seu governo tem sido norteada pela lógica egoísta e irrefletida de um homem”.



  • A barata
De Ian McEwan. Tradução: Jório Dauster. Companhia das Letras, 104 páginas. R$ 39,90

  • Operação abafa – Predadores sexuais e a indústria do silêncio
De Ronan Farrow. Tradução: Ana Ban, Fernanda Abreu e Juliana Cunha. Todavia, 462 páginas. R$ 59,90

  • Corpo – Um guia para usuários
De Bill Bryson. Tradução: Cássio de Arantes Leite. Companhia das Letras, 426 páginas. R$ 79,90

  • Um gênio muito estável – A ameaça de Donald Trump à democracia
De Philip Rucker e Carol Leonnig. Objetiva, 480 páginas. R$ 74,90

  • Obra reunida – Anne Frank
De Anne Frank.Tradução: Cristiano Zwiesele do Amaral. Record, 976 páginas. R$ 149,90
 
 
 

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