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por Jane Godoy janegodoy.df@dabr.com.br

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 25/02/2020 04:18
Em 1958, o menino Orlando está à frente do jeep com o tio, Juvenil Brito, e funcionários da empresa de material de construção.  (CBPFOT200220200119.jpg)
Meu primeiro carnaval em Brasília
Em 1958 eu era um menino de 8 anos, vindo de Minas Gerais, acompanhando meu pai. Cheguei a Brasília quase um ano antes, no final de abril de 1957, com apenas 7 anos. Tive oportunidade de assistir à primeira missa realizada na nova capital, no Cruzeiro, onde hoje fica o memorial do ex-presidente JK.
Meu pai, Antonio Brito, se estabeleceu na Cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirante, assim que chegamos. Na Segunda Avenida, n; 1.080. Ele tinha uma pequena empresa de fornecimento de material de construção, aproveitando que o maior consumo da cidade naquela época era de tijolos, areia, cimento, cal, britas, lajotas, etc.
Lembro-me, perfeitamente, do meu primeiro carnaval em Brasília. Os comerciantes da Cidade Livre começavam a se organizar na Associação Comercial de Brasília. Elegeram como representante o Sr. Martim. Não ocorre, 62 anos depois, o nome completo daquele pioneiro como nós.
A eleição do senhor Martim coincidiu com o carnaval de 1958. Foi uma festa que eu, um menino de 8 anos, jamais havia visto. A vida da nova capital se concentrava principalmente na Cidade Livre.
O Plano Piloto era um grande canteiro de obras, com os palácios do Planalto e Alvorada ainda em construção, assim como o Congresso Nacional, a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes.
As superquadras eram um projeto em pleno andamento, em 1958. Ninguém morava nos blocos ainda em construção, somente os operários que residiam nos acampamentos das companhias construtoras. Rabelo, Ecel, Graça Couto, EBE, Coenge, etc. A Cidade Livre era para onde as pessoas iam se divertir, ainda mais numa festa de carnaval.
Portanto, meu primeiro carnaval em Brasília foi na posse/baile do tal de Sr. Martim. A Associação Comercial de Brasília ficava numa travessa, que ligava a Avenida Central à Terceira Avenida, bem pertinho do Cine Brasília, ao lado do maior armazém de secos e molhados da época, chamado Casas Colorado, de propriedade da família Calaça de Mendonça.
Lembro-me bem de que os grandes sucessos de carnaval eram as marchinhas, cantadas pela Rainha do Rádio, Emilinha Borba. A música mais executada foi Com Jeito Vai. No dia seguinte ao da posse/baile, bem em frente ao Mercado Central, havia um poste com quatro grandes auto-falantes. Eram a voz que dava notícias sobre tudo do que acontecia no Brasil daquela época. Foi pelo som dos alto-falantes que centenas de peões de obra puderam comemorar o carnaval com os sambas de Ataulfo Alves e os xotes de Luiz Gonzaga. Inesquecível!!

Orlando Brito Fotógrafo e pioneiro

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