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Correio Braziliense

Em 'O homem invisível', Elisabeth Moss vive o terror de um clássico

Longa teve investimento modesto para adaptar obra clássica de H. G. Wells


postado em 27/02/2020 06:30 / atualizado em 27/02/2020 14:43

Elisabeth Moss tenta recobrar a vida, e a sanidade, como protagonista do longa O homem invisível (foto: Universal Pictures/Divulgação)
Elisabeth Moss tenta recobrar a vida, e a sanidade, como protagonista do longa O homem invisível (foto: Universal Pictures/Divulgação)
Uma proposta arriscada, com um investimento modesto, está por trás da mais atraente estreia de cinema da semana: O homem invisível. Ao custo de US$ 9 milhões, pelo que registra a revista Forbes, o filme estrelado pela atriz Elisabeth Moss (The handmaid´s tale) subverte o protagonismo, trazendo para o primeiro plano uma mulher. Escrito há mais de 120 anos e, há mais de nove décadas vinculado aos estúdios da Universal, o romance de ficção de H.G. Wells brota, tinindo de novo, numa adaptação feita pelo australiano Leigh Whannell (corroteirista de Jogos mortais).
Estrela da tevê, Moss comenta que o modelo do streaming é realmente ótimo para o que transcorre no cinema e ao que tem reverberado no antigo sistema de estúdio. “A televisão é tão boa e há tanto conteúdo. Acho que, para competir com isso, você deve investir num modelo em que se tenha bons roteiros, verdadeiros talentos, uma ótima história, e não precise gastar necessariamente US$ 100 milhões na produção”, comentou, em entrevista à Variety, a protagonista Moss. 
Desde a abertura de O homem invisível, bastante perturbadora, o assombro dá as caras. Cecilia Kass (Moss), na trama, é uma mulher insegura, acuada e tolhida pelo namorado Adrian Griffin (Oliver Jackson-Cohen), exemplar tanto no assédio quanto na arte controladora de relacionamentos unilaterais. Ainda que venha a desaparecer, num modelo de filme à la Dormindo com o inimigo (1991), ele deixará trilhas que convidam ao desespero.
Com extremados traumas, Cecilia ficará melhor na casa do amigo James (um policial interpretado por Aldis Hodge, de Estrelas além do tempo). “Percebi que o filme era muito inteligente por causa do assunto abordado e pelo modo do tratamento: há questões universais que realmente afetam as mulheres”, comentou Hodge, durante a divulgação do thriller recheado com terror.

Tranquilidade aparente...

A princípio, com o jeito de Atividade paranormal, O homem invisível dá muito espaço para o despertar de objetos inanimados, comandados pelo que seria um completo mistério. Mas, trata-se da interferência do tal homem destacado no título, um mestre e pioneiro dos disfarces da ilusão óptica (ancorada no uso de tecnologia).
“Uma das coisas que me fez querer realizar este filme foi o fato de que você pode apontar uma câmera para o espaço vazio e, simplesmente com isso, gerar tensão", disse Leigh Whannell, em entrevista à The Hollywood Reporter. Um dos desafios de Whannell foi o de retrabalhar atmosferas do vazio, tendo por lembrança os efeitos do clássico Tubarão (1975), no qual “um vilão” atordoava toda uma comunidade.
Na vida de Cecilia, a interferência de Adrian, praticamente um espírito obsessor, se dará em planos bem carnais: um fogão se tornará desgovernado, uma entrevista de trabalho de Cecilia será completamente sabotada e a notificação de uma herança milionária, reservada a ela, será amplamente contestada.
O plano de montar uma família, por parte de Adrian (ainda que sem a cumplicidade da futura esposa), também será um assunto pendente no cotidiano da arquiteta, com jeitão de viúva, e algo frustrada. Entre outros pontos de apoio, ela contará com Sydney (Storm Reid, do longa Uma dobra no tempo), a filha do policial James. Dona de um desgaste patente, ao longo do desenvolvimento do filme, Elisabeth Moss brilha, dona de olheiras profundas e uma expressão de loucura que, progressivamente, impressiona.

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