Diversão e Arte

Espetáculos, shows e exposições celebram a força e a luta no Dia da Mulher

'Ramal 003', 'Três mulheres baixa', 'Já Chegou Quem Faltava', 'Mulheres guerreiras' e 'Varieté mulher do mundo' são os destaques

No Dia Internacional da Mulher, artistas da dança, do teatro, do circo, das artes plásticas e da música sobem ao palco para exaltar a força feminina. Elas usam as diferentes linguagens artísticas para lembrar as lutas históricas, para quebrar os padrões e, principalmente, para se posicionar e se manifestar como mulher. E também aproveitam a data para convidar o público para momentos de reflexão e diálogo. Confira as diferentes celebrações artísticas espalhadas pela cidade neste domingo (8/3).

Ramal 003


Com estreia da nova temporada no Teatro Newton Rossi, em Ceilândia, o espetáculo traz mais uma vez uma visão do Grupo Embaraça sob a perspectiva de derrubar estereótipos relacionados à mulher negra. Agora, por meio, do humor. “A gente cria personagens que são cômicas, mas que não são carregadas de estereótipos da mulher negra. Quisemos sair desse lugar de ridicularização e mostrar que podemos ter mulheres negras com comicidade e com camadas”, afirma Tuanny Araujo.

Saiba Mais

A atriz, ao lado de Fernanda Jacob, dá vida as protagonistas da peça: duas mulheres que interpretam as auxiliares da Deus. Em Ramal 003, a figura suprema é apresentada como uma mulher negra. Cabe as personagens Carmen e Dorotéia, no secretariado celestial, supervisionar e comandar o universo. A montagem fica em cartaz até 29 de março circulando, a cada fim de semana, em uma região administrativa diferente do Distrito Federal.

No próximo fim de semana, a peça segue para a Cia Lábios de Lua, no Gama, depois passa pela Casa dos 4, na Asa Norte, e Espaço Pé Direito, na Vila Telebrasília. O espetáculo conta com verba do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). “Os trabalhos ficam mais condensados na região do Plano Piloto e a gente sempre busca as outras regiões. Até pelo público diversos. Sabemos que os negros estão nas satélites”, diz.
 
Ramal 003 
Teatro Newton Rossi (Sesc Ceilândia, QNN 27, Área Especial, Lote B, Ceilândia Norte; 3379-9500). Domingo, às 19h. Espetáculo Ramal 003 do Grupo Embaraça. Entrada a R$ 10 (meia) e R$ 20 (inteira). Classificação indicativa livre. Confira no site as próximas sessões.

Já Chegou Quem Faltava com Francineth Cardoso



A tradicional roda de samba Já Chegou Quem Faltava realiza neste domingo, a partir das 16h, no Círculo Operário do Cruzeiro, uma edição em que celebra as sambistas mulheres. A grande convidada da edição é a cantora Francineth Germano, conhecida como a Dama do Samba após ter sido apadrinhada pela já falecida Elizeth Cardoso. A artista participa relembrando sucessos da carreira e do samba, além de dedicar um trecho à madrinha que completaria, em 2020, 100 anos. “Nesse show em Brasília vou cantar algumas músicas que costumo colocar no meu repertório, como Dona Xepa (Nelson Sargento) e Nossos momentos (Ary Vidal e Luiza Reis) e Rio seco e Barracão, de Elizeth Cardoso”, conta.

A expectativa é de que a artista ainda toque as canções do álbum lançado no ano passado com o grupo Batuqueiros e Sua Gente, que tem Cambão, música de Luiz Vieira gravada na ditadura, que foi censurada. “Não gosto nem de lembrar dessa época. Mas agora que tenho esse direito, regravei”, conta.

Artista do samba de uma época em que as mulheres eram minoria, Francineth avalia que a mulher tinha que se provar: “Naquela época, só quem sabia fazer mesmo. Ou quem tivesse um padrinho, uma madrinha. No meu caso foi a Elizeth Cardoso. Mas até chegar a ela, fui a programas de calouros, toquei em bailes e boates”, relembra.

Já Chegou Quem Faltava com Francineth Cardoso
Círculo Operário do Cruzeiro (SRE/S AE, Lt. 9). Domingo, às 16h. Show de Francineth Germano com músicos de Brasília. Entrada a R$ 10 (até as 18h) e R$ 15 (após). Valores de meia-entrada. Classificação indicativa livre.


Três mulheres baixas 


Retorna, para a terceira temporada, no espaço Casa dos Quatro para expor uma alma feminina que não quer ser silenciada. No palco, três mulheres comuns, de diferentes classes sociais, culturais e descendências raciais e as caricaturas delas fazem um manifesto feminino subversivo. Não são vozes panfletárias, mas de todas as mulheres sedentas por liberdade. 

“Entendemos que a peça precisa estar presente na soma por esse debate, na luta pelo direito das mulheres, das mulheres trans, pelo direito à diversidade. Em um momento em que as falas do poder público são intoleráveis com a história, que não combinam com a história da luta das mulheres por liberdade e por respeito”, avalia a atriz Luisa de Marillac.

Ao lado do diretor e dramaturgo Alexandre Ribondi, Luisa, Helen Cris e Monique Alvarenga trouxeram para o texto questões e experiências da vida real. Pela linha de trabalho de Riboldi, o espetáculo trabalha com a dramaticidade vindo da comédia e indo para o drama, mesclando riso com temáticas sérias e fundamentais. 

“Através dos temas que fazem parte do cotidiano das mulheres, quando assumimos uma postura crítica quanto à nossa fragilidade, consciência dela e necessidade de transformação para o empoderamento feminino. Hoje e sempre a alma feminina é a grande propulsora do desenvolvimento humano”, acrescenta Monique.

Misturando poesia e metáfora, as cenas foram construídas com frases e discursos que são tabus ou que ficaram marcados na trajetória feminina. “A peça trata assuntos antes não ditos, em razão das opressões vividas pela mulher (até mesmo pela mãe) em forma de comédia. Mas há também momentos de muito respeito às dores das mulheres que ainda vivem situações muito sérias, ainda pendentes de soluções nas famílias, no país e na própria alma feminina”, conta Helen.

Três mulheres baixas
Na Casa dos Quatro – 708 Norte Bloco F Lj 42 (Rua das Oficinas). Domingo, às 20h. Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada) à venda no Sympla. Não recomendado para menores de 16 anos.

Mulheres guerreiras


Com um ferro quente, que vira uma espécie de brasa, a artista e gestora ambiental Lola grava no MDF as feições e, principalmente, os olhares de mulheres guerreiras. Costurando uma linha que perpassa a própria história, com retratos da mãe e da avó, a artista apresenta versões para a rapper brasiliense Vera Verônika, para Elza Soares, para Cora Coralina, entre outras. As obras de Lola, com curadoria da filha Lívia Vanessa Mariano, estão expostas no Espaço Cultural Renato Russo.

“Foi um trabalho construído a partir de uma inquietação pessoal. Com a história dessas mulheres comecei a produzir pirogravuras e a me fortalecer. Perceber que daria uma exposição e que isso poderia fortalecer outras mulheres”, lembra a artista. Para cada desenho, Lola adentrou na biografia da personagem. Filmes, livros, documentários, entrevistas. A artista muniu-se do maior número de informações que conseguiu reunir. 

A técnica da pirografia também surgiu naturalmente do processo criativo da artista. “É uma técnica milenar desenvolvida, muitas vezes, por mulheres. O formato circular da peça também é proposital, porque ele está mais ligado ao universo feminino e dá a sensibilidade no olhar, privilegia a técnica. É importante que a pessoa perceba que aquele desenho foi queimado”, explica Lola. Em Mulheres guerreiras, a artista quer chamar atenção para o forte feminino que esteve e está presente. “Ali, são mulheres que viraram guerreiras pelo tempo, mas temos mulheres guerreiras do nosso lado que são invisíveis. Quero sensibilizar as mulheres para se enxergar”.

Mulheres guerreiras
No corredor do Galpão das Artes no Espaço Cultural Renato Russo. Visitação até 5 de maio. De terça a sábado, das 10h às 20h, e domingo, das 10 às 19h.

Varieté Mulher do Mundo


Para resgatar o poder feminino e transformar o risco e o riso em expressões de força, o Coletivo Mulher do Mundo apresenta, pelas linguagens do circo, da dança e da palhaçaria, a história que é individual, mas também coletiva. É o espetáculo Varieté Mulher do Mundo que tem sessão única hoje no Espaço Cultural Renato Russo.

O coletivo, que atua há cerca de dois anos voltado para questões feministas, se une a artistas convidadas para apresentar números circenses aéreos de corrente, lira, bambolê, tecido, além de cenas de palhaçaria. “São espaços artísticos que nos abraçam sem nos diminuir. Colocar nossas questões, que são de todas nós mulheres, no palco é um processo que exige entrega, autoconhecimento e força. Somos silenciadas culturalmente, e pensar que a arte possibilita dar voz a essas histórias e combater a violência contra a mulher, o sexismo e o machismo nos incentiva. A arte é um caminho propício para esse ativismo tão necessário. O circo ampliou e transformou essas possibilidades”, avalia Mariana Camargo.

Em cena, as artistas trabalham com conceitos e estéticas como o belo e sua desconstrução, com a exaltação da força física feminina e com o virtuosismo da técnica. “Através dessa desconstrução queremos quebrar padrões e trazer um olhar crítico para ações cotidianas e culturais que nos colocam como personagens frágeis, exigindo altos e irreais padrões estéticos e sociais. Ao quebrar isso, relembramos a força e potência da mulher, destacando o lugar dela: onde ela quiser”, afirma.

Varieté Mulher do Mundo
No teatro galpão do Espaço Cultural Renato Russo. Domingo, às 19h. Ingressos: R$ 10 (meia-entrada) e R$ 20 (inteira) à venda no Sympla. Não recomendado para menores de 14 anos.

Mais opções para comemorar

A data agita ainda a programação noturna da cidade com festas dedicadas às mulheres. Entre as opções estão eventos carnavalescos e também que perpassam por diferentes ritmos.

>> A partir das 15h, o Complexo Cultural de Planaltina (Avenida Uberdan Cardoso, via WL 2, Lt. 2) promove o Carnaval delas. Com entrada gratuita, o evento terá música, oficinas e rodas de conversa. Classificação indicativa livre.

>> O projeto Forró de Vitrola realiza edição partir das 18h na Cervejaria Criolina (SOF Sul, Qd. 1, Cj. B), com DJ paulista Vitória como convidada. Os ingressos custam R$ 15 (antecipado e à venda no site www.sympla.com.br), R$ 20 (até as 19h), R$ 25 (até as 20h) e R$ 30 (após). Valores de meia-entrada. Não recomendado para menores de 18 anos.

>> A partir das 13h, a festa Paradise no ClubeCoat (SCES, Tc. 3) reúne apenas Dj mulheres que se destacam na música eletrônica. O line-up será formado por Bell Roncoli, Liziane Soares, Juliana Ferreira, Laurize Oliveira e Liza Rodriguez. Entrada a R$ 65 (segundo lote e meia-entrada). Não recomendado para menores de 18 anos.

>> Os grandes nomes femininos do rock serão lembrados no evento Divas do Rock'n'Roll às 19h no Trend's Bar (SIG, Qd. 1). O tributo será feito pela banda RNR Times. No repertório, estão previstas faixas de sucessos de Roxette, The Pretenders, Janis Joplin, Cranberries e Amy Winehouse.



>> Com programação do Dia da Mulher desde sexta-feira, o Terraço Shopping recebe neste domingo, a partir das 13h, mais uma edição do projeto Almoço musical, com Thanise Silva Trio. O evento será na Praça Central do shopping. Entrada franca. Classificação indicativa livre.

>> O Wine Garden (SHIS, QL 10, Lt. 1/31) recebe neste domingo, a partir das 18h, a cantora Elaine Dorea. No repertório, sucessos da MPB, do forró, do pop e do rock. Couvert a R$ 10. Classificação indicativa livre.

>> A cantora Adriana Samartini fará um pocket show neste domingo, a partir das 15h, no 2º piso do Boulevard Shopping. A entrada é gratuita. A apresentação faz parte da ação #EmpoderaEla. Classificação indicativa livre.

>> Com o tema da "Invisibilidade feminina", o Cine Brasília exibe dois documentários da brasiliense Tânia Fontenele - Mulheres do café e Poeira e batom - e, em seguida, abre as portas para um debate com a cineasta a partir das 18h. Entrada franca. 
Arquivo pessoal - Cantora Francineth Germano
Michael Melo/Divulgação - Cena do espetáculo Três mulheres baixas
Lola/Divulgação - Exposição Mulheres Guerreiras no Espaço Cultural Renato Russo
Caroline Dantas/Divulgação - Espetáculo Varieté Mulher do Mundo
Renata Samarco/Divulgação - Thanise Silva