Diversão e Arte

Em entrevista ao Correio, o poeta Joel Cavalcante fala sobre a carreira

O autor escolheu não vender o próprio trabalho

Pedro Ibarra*
Pedro Ibarra*
postado em 30/03/2020 06:00
Joel Cavalcante
Simples, contador de histórias e piadista. Estas são algumas das primeiras impressões passadas por Joel Cavalcante, um homem que passou a vida toda com a literatura, mas em momento algum teve a intenção de lucrar com ela. ;Para mim, é mais importante que pessoas deem valores a outras pessoas do que à posse;, afirma o escritor.

;Comecei com a literatura aos 13 anos, atualmente estou com um pé nos 70 e ainda vivo disso;, diz Joel. Com mais de 3 mil poemas feitos, além de peças de teatro, monólogos, contos, livros infantis, o trabalho de Joel é muito vasto e passa desde sátiras políticas e contos eróticos, a peças para crianças e poemas com temática delicada. O autor já fez de tudo um pouco e tem mais 10 livros publicados.

Desde o início dos anos 2000, Joel faz trabalhos de caridade em escolas de crianças e jovens de baixa renda. Ointuito do artista é espalhar a literatura que foi parte integrante da vivência dele. ;Em 2002, entrei em uma livraria de rico no Brasília Shopping, lá vi um menino pedindo um livro pra mãe que não pode dar pois não tinha dinheiro, o menino chorou e eu decidi que dali em diante trabalharia para chegar com a literatura em que não tinha condições;, lembra o poeta.

Desde então, Joel Cavalcante já levou livros autografados para a Escola do Parque, Escola da estrutural, bairros pobres de Goiânia, cidade natal do escritor, e mais recentemente para uma escola em Santa Maria. Antes de começar o projeto, já havia doado livros para um Lar de Velhinhos no Goiás e para os anistiados que voltaram apara o Brasil após a ditadura militar. O autor afirma que mesmo se pudesse cobrar não saberia. ;Sou um cara meio ;ermitão; não sei lidar com esta parte comercial;, diz.

;A mensagem que eu quero passar com meu projeto é meu sonho. Que é levar a literatura para o máximo de pessoas que eu puder para tirá-las de uma situação de alienação;, pontua o escritor. ;Quanto mais você lê, mais você entende e mais você sabe. Então, uma pessoa que lê muito tem mais condições de entender o mundo de forma diferente e votar melhor para presidente ou deputado por exemplo;, afirma Joel.

O início de tudo


Em 1963, Joel Cavalcante, ainda muito jovem no ensino fundamental, começou a escrever sátiras sobre diversas coisas que via a sua volta. Uma professora leu um dos textos, mostrou para escola inteira. Desde então, o autor vê a literatura de forma diferente. ;É a comunhão de pessoas diferentes;, pontua Joel.

*Estagiário sob a supervisão de Igor Silveira

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